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Lúpulo, 8-prenilnaringenina e cerveja sem álcool (fitoestrógeno)

O 8-PN do lúpulo é potente no tubo de ensaio, mas a maioria das cervejas nem tem quantidade detectável; no único ensaio comparado, a testosterona caiu com a cerveja com álcool, não com a sem álcool.

Non approuvéVérifié sur sources primaires
Illustration générée par IA. Ce n'est ni une donnée, ni une image d'étude.

Matériel expérimental. Lisez avant d’utiliser quoi que ce soit d’ici.

Rien sur cette page n’est une recommandation médicale, une prescription ou un plan de traitement. C’est une traduction organisée de protocoles qui circulent dans des communautés de recherche et, quand cela existe, de ce que des essais publiés ont testé. Les deux choses sont marquées différemment — et ne sont pas équivalentes.

La plupart des composés ici n’ont pas d’approbation de la FDA pour un usage humain. Plusieurs sont vendus avec l’étiquette « usage exclusivement en recherche », ce qui signifie qu’ils n’ont passé aucun contrôle de pureté, de stérilité ou de dosage pour une consommation par des personnes. Une dose décrite par la communauté n’est pas une dose validée : c’est ce que quelqu’un a rapporté avoir fait.

Parlez avec un professionnel de santé habilité avant d’envisager l’un de ces composés. Si vous en utilisez déjà un et ressentez quelque chose d’imprévu, consultez — n’attendez pas le prochain examen de routine.

Atenção específica deste composto: Esta página trata de bebida, não de suplemento. Trocar a cerveja comum pela sem álcool tira o álcool, que é o componente com efeito medido sobre a testosterona. A cerveja sem álcool pode ter até 0,5% de álcool no Brasil, o que importa para quem não pode beber nada, como gestantes, pessoas em tratamento de dependência ou quem toma remédio que interage com álcool. Extrato de lúpulo concentrado é outra coisa: foi estudado em mulheres, e a dose que mexeu em hormônio é muito maior do que a contida numa cerveja.

Résumé

A 8-prenilnaringenina (8-PN) é um fitoestrógeno do lúpulo, e é dos mais potentes já medidos em laboratório. Na cerveja, a quantidade é de microgramas por litro, e a maioria das cervejas analisadas em 1999 não tinha nível detectável. O único efeito hormonal medido em gente veio de 750 mg de 8-PN puro, numa dose só, em mulheres na pós-menopausa. Não achei estudo de cerveja sem álcool com testosterona em homens. No ensaio que comparou cerveja com e sem álcool, a testosterona caiu 6,8% no período com álcool. A cerveja estimula a prolactina, mas o responsável apontado é a cevada, não o lúpulo.

Pourquoi cette page existe

A cerveja sem álcool aparece descrita em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como uma "armadilha hormonal". O roteiro: quem trocou a cerveja comum pela sem álcool "trocou o veneno lento pelo veneno que a indústria prefere", porque "o problema nunca foi o álcool, foi o lúpulo"; a cerveja sem álcool "mantém o lúpulo intacto"; o lúpulo traz a 8-prenilnaringenina, "o fitoestrógeno mais potente já identificado em qualquer planta", segundo "estudos da Universidade de Utrecht"; ela "ocupa os receptores de estrogênio" com "resposta hormonal mensurável", e basta "exposição frequente", sem dose alta; o lúpulo também "eleva a prolactina", que "suprime o LH" e, com ele, a testosterona; o efeito aparece "no acúmulo de meses", quando "o treino para de responder". A versão sem álcool teria sido lançada como "reposicionamento estratégico" quando os homens começaram a fugir dos fitoestrógenos. A saída proposta é "o que fazer no lugar e como limpar isso do sistema", que não é descrita.

Esta página trata de algo que se bebe e que o vídeo manda evitar, não de um suplemento. Como nas páginas sobre plásticos e radiofrequência (ver as páginas bpa-ftalatos-plasticos e radiofrequencia-celular-notebook), a tabela de doses deu lugar às exposições usadas nos estudos. O efeito do álcool sobre a testosterona tem página própria, que esta não repete (ver a página ultraprocessados-acucar-alcool).

Levantei as alegações de 1 vídeo curto e conferi 11 delas. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.

O que é o lúpulo, e o que é a 8-PN

  • Lúpulo é ingrediente obrigatório da cerveja no Brasil, com ou sem álcool. Pela norma brasileira de cerveja, o lúpulo são os cones da flor de Humulus lupulus, e a cerveja é a bebida de mosto de cevada maltada cozido com lúpulo ou extrato de lúpulo. A "cerveja sem álcool" é a que tem até 0,5% de álcool em volume (Instrução Normativa 65/2019 do Ministério da Agricultura).
  • A 8-PN foi identificada em 1999, em Londres e Gent. Milligan e colegas, do King's College de Londres com químicos da Universidade de Gent, na Bélgica, separaram os compostos do lúpulo em testes de laboratório para estrogênio e acharam a 8-prenilnaringenina, com atividade "maior que a de outros estrógenos vegetais estabelecidos". No mesmo artigo, escreveram que ela também aparece na cerveja, mas em níveis baixos, que "não devem causar preocupação" (Milligan 1999).
  • Ela se liga aos dois receptores de estrogênio, e não tem ação androgênica. No ano seguinte, o mesmo grupo mostrou que a 8-PN compete fortemente com o estradiol pelos receptores alfa e beta, e que nenhum composto do lúpulo testado teve atividade androgênica ou progestagênica. A preocupação dos autores era com o uso livre de lúpulo em preparados de ervas para mulheres, vendidos para "aumentar os seios" (Milligan 2000).
  • O intestino pode fabricar mais 8-PN a partir de outro composto do lúpulo. A cerveja pode ter até 4 mg/L de isoxantoumol, que bactérias do cólon convertem em 8-PN. Em amostras de fezes de 51 mulheres, 8 foram altas produtoras. Os autores calculam que essa conversão pode multiplicar por 10 a exposição de quem bebe cerveja com moderação, e chegar perto da faixa de atividade biológica (Possemiers 2006).
  • Potente no laboratório não quer dizer efeito na dose da dieta. A revisão de Pohjanvirta e Nasri (2022) resume: a 8-PN é um dos fitoestrógenos mais potentes já medidos in vitro, mas a maioria dos seus efeitos exige concentrações que a dieta normal não alcança, só a dose farmacológica.

Quanto de 8-PN tem na cerveja, medido

  • Na maioria das cervejas, nada detectável. Num método com limite de detecção de cerca de 5 microgramas por litro, a maior parte das cervejas analisadas não tinha 8-PN detectável; a mais alta tinha 19,8 microgramas por litro. A quantidade depende da variedade de lúpulo, da quantidade usada e do tipo de produto de lúpulo (Tekel 1999).
  • Em 15 cervejas de supermercado, de menos de 0,8 a 38,6 microgramas por litro (Maragou 2008).
  • Para comparação, a dose que mexeu em hormônio foi 750 mg. Em mulheres na pós-menopausa, uma dose única de 750 mg de 8-PN pura, ou 750 mil microgramas, baixou o LH em 16,7% (IC 0,5–30,2). As doses de 50 e 250 mg não aparecem no resumo com efeito hormonal (Rad 2006).
  • Não achei medida de 8-PN em cerveja sem álcool. Os estudos que localizei mediram cervejas comuns, e não localizei dado sobre quanto de 8-PN tem a cerveja sem álcool.

A prolactina vem da cevada, não do lúpulo

  • A cerveja estimula a prolactina, mais em mulheres. Num estudo de 1985, beber cerveja liberou prolactina, com efeito maior em mulheres do que em homens; o salsolinol, um componente menor da cerveja, não foi o responsável (Carlson 1985). O resumo não informa o tamanho nem a duração do aumento.
  • O extrato de lúpulo não liberou prolactina. Em ovelhas, injeções de cerveja liofilizada, de extrato de cevada e de malte liberaram prolactina; o extrato de lúpulo foi inativo. O composto ativo estava na cevada e no malte e era, essencialmente, polissacarídeo (Sawagado e Houdebine 1988).
  • É por isso que a cerveja sem álcool também mexe com a prolactina. A revisão de Koletzko e Lehner (2000), sobre cerveja e amamentação, conclui que o componente que estimula a prolactina não é o álcool, mas aparentemente um polissacarídeo da cevada, o que explica o efeito também com cerveja sem álcool.
  • Prolactina alta de verdade é causa de hipogonadismo. A hiperprolactinemia, que tem como causas mais comuns remédios, sobretudo antipsicóticos, e tumores da hipófise, é causa de hipogonadismo em homens (Haidenberg-David 2024). Não localizei estudo mostrando que beber cerveja, com ou sem álcool, leva a hiperprolactinemia ou a queda de LH em homens.

O que se mediu em homens que bebem cerveja

  • Testosterona menor com a cerveja com álcool, em comparação com a sem álcool. Num ensaio randomizado e cruzado, com dieta controlada, 10 homens de meia-idade beberam cerveja com 40 g de álcool por dia ou cerveja sem álcool, no jantar, por 3 semanas cada. No período com álcool, a testosterona caiu 6,8% (IC −1,0 a −12,5) e o estradiol não mudou (Sierksma 2004). Se o lúpulo fosse o problema, as duas fases teriam o lúpulo; a diferença foi o álcool.
  • O álcool crônico baixa a testosterona em meta-análise. A meta-análise de ensaios controlados de Santi e colegas (2024), discutida na página sobre dieta e álcool, achou testosterona total mais baixa e estradiol mais alto com o consumo crônico.
  • Depois de uma bebedeira, estradiol mais alto, com cerveja ou com vinho. Em 72 homens que beberam cerveja ou vinho em quantidade de 0,9 a 2,1 g de álcool por quilo, o estradiol subiu nas horas seguintes, e a testosterona subiu ou caiu conforme o tempo e a dose; o autor discute se componentes estrogênicos das bebidas explicariam o aumento (Couwenbergs 1988). O efeito apareceu nas duas bebidas, não só na que tem lúpulo.
  • No maior estudo transversal, beber pouco a moderadamente não piorou o sêmen. Em 8.344 homens saudáveis da Europa e dos EUA, não houve associação consistente entre álcool e sêmen, nem no total nem por tipo de bebida, cerveja incluída; quem bebia mais de 20 doses por semana tinha testosterona livre mais alta (Jensen 2014). É transversal: não mostra causa.
  • O único ensaio com cerveja sem álcool em homens jovens não mediu hormônio. Em 44 homens jovens, 660 mL por dia de cerveja sem álcool por 4 semanas mexeram em glicose e triglicerídeos conforme o tipo de cerveja; os autores atribuem isso às calorias e ao açúcar, e o resumo não traz testosterona (Kreimeyer 2025).

Combien de preuves existent, vraiment

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

BaseRequêteRésultat
PubMed8-prenylnaringenin263 artigos
PubMed(hops OR Humulus lupulus) AND (estrogenic OR phytoestrogen OR phytoestrogens)201 artigos
PubMed(8-prenylnaringenin OR hop extract OR Humulus lupulus) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type])60 artigos
PubMed(8-prenylnaringenin OR hops OR Humulus lupulus) AND (testosterone) AND (humans[MeSH Terms])5 articles
PubMed(non-alcoholic beer OR alcohol-free beer OR dealcoholized beer)446 artigos
PubMed(non-alcoholic beer OR alcohol-free beer OR dealcoholized beer) AND (testosterone OR estradiol OR prolactin OR luteinizing hormone)3 artigos
PubMed(beer) AND (prolactin)54 artigos
PubMed(beer) AND (testosterone) AND (humans[MeSH Terms])52 artigos
ClinicalTrials.govintervenção: 8-prenylnaringenin2 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: hop extract6 études enregistrées
ClinicalTrials.govintervenção: non-alcoholic beer21 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: (hop extract OR 8-prenylnaringenin OR Humulus lupulus) AND AREA[Phase]PHASE30 ensaios de fase 3

Lecture honnête de ces chiffres

  • Nenhum dos 5 artigos de lúpulo e testosterona em humanos testa lúpulo em homens. Um é revisão de biologia celular, um é estudo em camundongos, um é de metabolismo in vitro de valeriana e lúpulo, um é de comportamento em ratos e um compara receptores de estrogênio em levedura. A busca casou por palavras.
  • Dos 3 artigos de cerveja sem álcool e hormônio, só um é sobre o tema. É a revisão sobre cerveja e amamentação. Os outros dois tratam de manipulação de urina no antidoping e de privação de sono com álcool.
  • Os ensaios randomizados de extrato de lúpulo padronizado em 8-PN que abri são em mulheres na menopausa. Não li os 60 um a um; entre os que abri, não há ensaio de extrato de lúpulo ou de 8-PN com desfecho hormonal em homens.
  • Os 2 registros com 8-PN são de farmacocinética. Um é o estudo alemão de absorção em 16 adultos; o outro, de metabolismo de suplemento de lúpulo em 22 mulheres. Entre os 21 registros de cerveja sem álcool, há um de uma empresa de alimentos sobre ingredientes do malte e prolactina, em 12 mulheres, concluído em 2021, sem resultado no registro. Registro não é resultado.
  • Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.

Os estudos que sustentam (ou não) as alegações

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre lúpulo, cerveja e hormônios. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.

ÉtudeNContexteCe qui a été rapportéRéserve
Milligan et al., 1999
J Clin Endocrinol Metab 84(6):2249-52 · PMID 10372741
—Fracionamento do lúpulo guiado por ensaios de estrogênio in vitro8-PN identificada, com atividade maior que outros estrógenos vegetais; na cerveja, níveis baixos, "sem motivo de preocupação"Laboratório; King's College de Londres e Universidade de Gent
Milligan et al., 2000
J Clin Endocrinol Metab 85(12):4912-5 · PMID 11134162
—Comparação de flavonoides do lúpulo in vitroSó a 8-PN compete fortemente com o estradiol nos receptores alfa e beta; nenhum composto com ação androgênicaLaboratório
Rad et al., 2006
Br J Clin Pharmacol 62(3):288-96 · PMID 16934044
24 mulheres (18 com 8-PN)Pós-menopausa; dose única de 50, 250 ou 750 mg, contra placebo750 mg: LH −16,7% (IC 0,5–30,2); bem toleradaDose única; mulheres; dose farmacológica
Calvo-Castro et al., 2018
Mol Nutr Food Res 62(7):e1700838 · PMID 29363261
16 (8 homens)Dose única de 500 mg de 8-PN, 6-PN ou placebo, cruzado8-PN muito mais absorvida que o isômero; o resumo não relata hormôniosFarmacocinética, não desfecho
Possemiers et al., 2006
J Nutr 136(7):1862-7 · PMID 16772450
51 amostras de fezes; 3 mulheresConversão de isoxantoumol em 8-PN pelo intestino8 de 51 altas produtoras; exposição pode aumentar 10 vezesModelo e 3 voluntárias
Tekel et al., 1999
J Agric Food Chem 47(12):5059-63 · PMID 10606572
—Método de dosagem de 8-PN em cervejaMaioria sem 8-PN detectável; máximo de 19,8 µg/LCervejas da época; marcas não informadas no resumo
Maragou et al., 2008
J Chromatogr A 1202(1):47-57 · PMID 18621378
15 cervejasSupermercado8-PN de menos de 0,8 a 38,6 ng/mLAmostra pequena
Sierksma et al., 2004
Alcohol Clin Exp Res 28(5):780-5 · PMID 15166654
10 homens e 9 mulheresCruzado: cerveja com álcool (40 g/dia nos homens) contra cerveja sem álcool, 3 semanas cadaHomens: testosterona −6,8% (IC −1,0 a −12,5) com álcool; estradiol sem mudançaMuito pequeno; curto
Couwenbergs, 1988
J Steroid Biochem 31(4A):467-73 · PMID 3172777
72 homensCerveja ou vinho, 0,9 a 2,1 g de álcool/kgEstradiol maior nas horas seguintes; testosterona subiu ou caiu conforme tempo e doseEfeito agudo; aparece com vinho também
Jensen et al., 2014
Hum Reprod 29(8):1801-9 · PMID 24893607
8.344 homensTransversal, Europa e EUASem associação consistente entre álcool (inclusive cerveja) e sêmen; >20 doses/semana: testosterona livre mais altaTransversal; participação de 20–30%
Carlson et al., 1985
J Clin Endocrinol Metab 60(4):673-7 · PMID 3972968
não informado no resumoCerveja e prolactina, em humanos e ratosA cerveja liberou prolactina, mais em mulheres; salsolinol não é o responsávelTamanho do aumento não está no resumo
Sawagado e Houdebine, 1988
Ann Biol Clin (Paris) 46(2):129-34 · PMID 3382062
ratas e ovelhasCerveja, cevada, malte e lúpuloCevada e malte liberaram prolactina; lúpulo inativo; ativo é polissacarídeoAnimal
Kreimeyer et al., 2025
Nutrients 17(10):1625 · PMID 40431365
44 homens jovens660 mL/dia de cerveja sem álcool ou água, 4 semanas, randomizadoEfeitos em glicose e gordura do sangue conforme o tipo; atribuídos a calorias e açúcarNão mediu hormônio sexual no resumo
Heyerick et al., 2006
Maturitas 54(2):164-75 · PMID 16321485
67 mulheresMenopausa; extrato de lúpulo com 100 ou 250 µg de 8-PN/dia, 12 semanas100 µg melhor que placebo na 6ª semana, não na 12ª; sem relação dose-respostaDa Universidade de Gent, com um autor do artigo que identificou a 8-PN

Exposições usadas nos estudos

Isto não é recomendação: é o registro de que exposição foi estudada, em quem e por quanto tempo. Nenhum estudo localizado deu lúpulo ou 8-PN a homens e mediu testosterona.

ÉtudeExposiçãoDuréeEm quemO que o estudo queria medir
Rad et al., 20068-PN pura, 50, 250 ou 750 mg por bocaDose única24 mulheres na pós-menopausaFarmacocinética, LH e FSH
Calvo-Castro et al., 20188-PN ou 6-PN pura, 500 mg por bocaDose única16 adultos, 8 homensAbsorção e segurança
Heyerick et al., 2006Extrato de lúpulo com 100 ou 250 µg de 8-PN por dia12 semaines67 mulheres na menopausaSintomas da menopausa
Erkkola et al., 2010Extrato de lúpulo com 100 µg de 8-PN por dia8 semanas por fase, cruzado36 mulheres na menopausaSintomas da menopausa
Possemiers et al., 20065,59 mg de isoxantoumol por dia4 jours3 mulheresConversão em 8-PN no intestino
Sierksma et al., 2004Cerveja com 40 g de álcool por dia, contra cerveja sem álcool3 semanas por fase10 homens de meia-idadeHormônios sexuais
Kreimeyer et al., 2025660 mL por dia de cerveja sem álcool4 semaines44 homens jovensGlicose, gordura e fígado

Das 11 alegações conferidas, só 1 se confirma, e ela não é sobre o lúpulo

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa os rótulos confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVerdict
Quem trocou a cerveja comum pela sem álcool "fez exatamente o oposto" de cuidar do hormônioNo ensaio que comparou as duas, a testosterona caiu no período com álcool, não no sem álcool (Sierksma 2004); não localizei estudo de cerveja sem álcool com testosterona em homensNão sustentado
"O problema nunca foi o álcool, foi o lúpulo"O álcool crônico baixa a testosterona em meta-análise (Santi 2024); com o mesmo lúpulo nas duas fases, só a fase com álcool baixou a testosterona (Sierksma 2004)Não sustentado
A cerveja sem álcool "mantém o lúpulo intacto"Lúpulo é ingrediente de toda cerveja no Brasil, com ou sem álcool (IN 65/2019); mas a 8-PN não é detectável na maioria das cervejas (Tekel 1999), e não localizei medida em cerveja sem álcoolParcialmente
A 8-PN é "o fitoestrógeno mais potente já identificado em qualquer planta"Atividade maior que a de outros estrógenos vegetais, medida em ensaio de laboratório (Milligan 1999); "um dos mais potentes in vitro" (Pohjanvirta 2022)Estudo em animal ou in vitro
Isso está "nos estudos da Universidade de Utrecht"A identificação é do King's College de Londres com a Universidade de Gent (Milligan 1999); de Utrecht, localizei um estudo de 8-PN em óvulos de porca no laboratório (Solak 2014)Parcialmente
Ela ocupa os receptores de estrogênio "com eficiência suficiente para gerar resposta hormonal mensurável"Liga-se aos receptores alfa e beta (Milligan 2000); em gente, o efeito medido foi LH −16,7% com 750 mg numa dose só, em mulheres (Rad 2006); a cerveja tem microgramas por litroParcialmente
"Não precisa de dose alta, precisa de exposição frequente"Não localizei estudo de exposição repetida a cerveja ou lúpulo com desfecho hormonal em homens; a revisão de 2022 diz que a maioria dos efeitos exige concentrações que a dieta não alcança (Pohjanvirta 2022)Não sustentado
A indústria lançou a versão sem álcool como "reposicionamento" quando homens fugiram dos fitoestrógenosNenhuma fonte citada e nenhuma localizadaNão sustentado
O lúpulo eleva a prolactinaO extrato de lúpulo foi inativo; o que liberou prolactina foi cevada e malte (Sawagado 1988); a revisão aponta um polissacarídeo da cevada (Koletzko 2000)Não sustentado
Prolactina elevada suprime o LH e a testosteronaA hiperprolactinemia é causa de hipogonadismo em homens (Haidenberg-David 2024); não localizei estudo mostrando que a cerveja cause hiperprolactinemiaConfirmado (o mecanismo, não a ligação com a cerveja)
O efeito aparece "no acúmulo de meses", quando "o treino para de responder"Nenhum estudo localizado mediu cerveja, lúpulo ou 8-PN contra resposta ao treinoNão sustentado

Placar: 1 confirmada, 3 parcialmente, 6 não sustentadas e 1 com estudo só em laboratório.

Quem tem mais motivo para prestar atenção

  • Quem bebe cerveja com álcool todos os dias. O efeito medido sobre a testosterona é do álcool (Sierksma 2004; Santi 2024). Trocar pela sem álcool remove justamente esse componente.
  • Quem não pode ingerir nenhum álcool. No Brasil, a cerveja sem álcool pode ter até 0,5% em volume; acima de 0,05%, o rótulo tem de avisar "Contém álcool em até 0,5% v/v" ou declarar o teor; "zero álcool" só vale até 0,05% (IN 65/2019).
  • Quem usa extrato de lúpulo concentrado, e não cerveja. Os estudos com extrato padronizado são em mulheres, e o grupo que identificou a 8-PN pediu cautela com o uso livre em preparados de ervas para mulheres (Milligan 2000). Em células de óvulo de porca, a 8-PN prejudicou a maturação em concentrações que, segundo os autores, aparecem no plasma de quem toma suplemento (Solak 2014).
  • Homens com testosterona baixa, ginecomastia ou prolactina alta no exame. Não achei estudo que ligue isso à cerveja sem álcool. A prolactina alta tem causas comuns, como remédios e tumor da hipófise, que pedem investigação (Haidenberg-David 2024).

Statut réglementaire

  • Brasil, cerveja: a Instrução Normativa 65/2019 do Ministério da Agricultura define "cerveja sem álcool" ou "desalcoolizada" como a que tem até 0,5% de álcool em volume; "com teor alcoólico reduzido", de mais de 0,5% até 2,0%; e "cerveja", acima de 2,0%. "Zero álcool" ou "0,0%" no rótulo só até 0,05% de álcool residual. NÃO VERIFIQUEI alterações posteriores à publicação de 2019.
  • Brasil, suplemento: lúpulo, Humulus lupulus e 8-prenilnaringenina não aparecem na lista de constituintes autorizados para suplemento alimentar (IN 28/2018, Anexo I, texto consolidado com alterações até a IN 470, de 16 de setembro de 2026).
  • União Europeia: a agência europeia de medicamentos tem monografia do cone de lúpulo como medicamento tradicional para "alívio de sintomas leves de estresse mental e para ajudar o sono", para adultos e maiores de 12 anos, com base em uso tradicional e não em ensaio clínico. NÃO VERIFIQUEI a situação de extratos de lúpulo padronizados em 8-PN como suplemento na Europa.
  • Estados Unidos: NÃO VERIFIQUEI.
  • WADA: não se aplica.

Ce que ce relevé n'a pas fait

  • Li resumos, não os artigos inteiros. Os números são os dos resumos do PubMed.
  • Não localizei medida de 8-PN em cerveja sem álcool, nem estudo que tenha dado cerveja sem álcool a homens e medido testosterona, estradiol ou prolactina.
  • Não li a carta de 1981 na Lancet sobre prolactina e cerveja, que não tem resumo, nem verifiquei o tamanho e a duração do aumento de prolactina após a cerveja.
  • Não procurei os "estudos da Universidade de Utrecht" fora do PubMed.
  • Não verifiquei a situação regulatória do lúpulo nos Estados Unidos, nem a de extratos padronizados na Europa, nem alterações da IN 65/2019.
  • Não avaliei o efeito do álcool sobre a testosterona em detalhe; ele está na página sobre dieta e álcool (ver a página ultraprocessados-acucar-alcool).
  • Não avaliei o "o que fazer no lugar e como limpar isso do sistema" dos vídeos: não é descrito.

Références

  1. Milligan SR, Kalita JC, Heyerick A, et al. Identification of a potent phytoestrogen in hops (Humulus lupulus L.) and beer. J Clin Endocrinol Metab. 1999;84(6):2249-52. PMID 10372741 — a identificação da 8-PN; níveis na cerveja "sem motivo de preocupação".
  2. Milligan SR, Kalita JC, Pocock V, et al. The endocrine activities of 8-prenylnaringenin and related hop (Humulus lupulus L.) flavonoids. J Clin Endocrinol Metab. 2000;85(12):4912-5. PMID 11134162 — liga-se aos receptores alfa e beta; nenhuma ação androgênica.
  3. Pohjanvirta R, Nasri A. The Potent Phytoestrogen 8-Prenylnaringenin: A Friend or a Foe? Int J Mol Sci. 2022;23(6):3168. PMID 35328588 — potente in vitro; efeitos exigem concentrações fora do alcance da dieta.
  4. Possemiers S, Bolca S, Grootaert C, et al. The prenylflavonoid isoxanthohumol from hops (Humulus lupulus L.) is activated into the potent phytoestrogen 8-prenylnaringenin in vitro and in the human intestine. J Nutr. 2006;136(7):1862-7. PMID 16772450 — conversão intestinal em 8-PN.
  5. Tekel' J, De Keukeleire D, Rong H, et al. Determination of the hop-derived phytoestrogen, 8-prenylnaringenin, in beer by gas chromatography/mass spectrometry. J Agric Food Chem. 1999;47(12):5059-63. PMID 10606572 — maioria das cervejas sem 8-PN detectável; máximo de 19,8 µg/L.
  6. Maragou NC, Rosenberg E, Thomaidis NS, Koupparis MA. Direct determination of the estrogenic compounds 8-prenylnaringenin, zearalenone, alpha- and beta-zearalenol in beer by liquid chromatography-mass spectrometry. J Chromatogr A. 2008;1202(1):47-57. PMID 18621378 — 15 cervejas, de menos de 0,8 a 38,6 ng/mL.
  7. Rad M, Hümpel M, Schaefer O, et al. Pharmacokinetics and systemic endocrine effects of the phyto-oestrogen 8-prenylnaringenin after single oral doses to postmenopausal women. Br J Clin Pharmacol. 2006;62(3):288-96. PMID 16934044 — 750 mg baixaram o LH em 16,7%.
  8. Calvo-Castro LA, Burkard M, Sus N, et al. The Oral Bioavailability of 8-Prenylnaringenin from Hops (Humulus Lupulus L.) in Healthy Women and Men is Significantly Higher than that of its Positional Isomer 6-Prenylnaringenin in a Randomized Crossover Trial. Mol Nutr Food Res. 2018;62(7):e1700838. PMID 29363261 — 500 mg em 16 adultos, absorção.
  9. Heyerick A, Vervarcke S, Depypere H, et al. A first prospective, randomized, double-blind, placebo-controlled study on the use of a standardized hop extract to alleviate menopausal discomforts. Maturitas. 2006;54(2):164-75. PMID 16321485 — 100 ou 250 µg de 8-PN por dia em mulheres.
  10. Erkkola R, Vervarcke S, Vansteelandt S, et al. A randomized, double-blind, placebo-controlled, cross-over pilot study on the use of a standardized hop extract to alleviate menopausal discomforts. Phytomedicine. 2010;17(6):389-96. PMID 20167461 — 100 µg de 8-PN por dia, 36 mulheres.
  11. Solak KA, Santos RR, van den Berg M, et al. Naringenin (NAR) and 8-prenylnaringenin (8-PN) reduce the developmental competence of porcine oocytes in vitro. Reprod Toxicol. 2014;49:1-11. PMID 24905140 — o estudo de Utrecht localizado: óvulos de porca in vitro.
  12. Sierksma A, Sarkola T, Eriksson CJ, et al. Effect of moderate alcohol consumption on plasma dehydroepiandrosterone sulfate, testosterone, and estradiol levels in middle-aged men and postmenopausal women: a diet-controlled intervention study. Alcohol Clin Exp Res. 2004;28(5):780-5. PMID 15166654 — cerveja com álcool contra sem álcool: testosterona −6,8%.
  13. Santi D, Cignarelli A, Baldi M, et al. The chronic alcohol consumption influences the gonadal axis in men: Results from a meta-analysis. Andrology. 2024;12(4):768-780. PMID 37705506 — álcool crônico baixa a testosterona.
  14. Couwenbergs CJ. Acute effects of drinking beer or wine on the steroid hormones of healthy men. J Steroid Biochem. 1988;31(4A):467-73. PMID 3172777 — estradiol maior após cerveja ou vinho.
  15. Jensen TK, Swan S, Jørgensen N, et al. Alcohol and male reproductive health: a cross-sectional study of 8344 healthy men from Europe and the USA. Hum Reprod. 2014;29(8):1801-9. PMID 24893607 — sem associação entre álcool, inclusive cerveja, e sêmen.
  16. Kreimeyer H, Sydor S, Buchholz L, et al. Non-Alcoholic Beer Influences Glucose and Lipid Metabolism and Changes Body Composition in Healthy, Young, Male Adults. Nutrients. 2025;17(10):1625. PMID 40431365 — o único ensaio com cerveja sem álcool em homens jovens; sem hormônio no resumo.
  17. Carlson HE, Wasser HL, Reidelberger RD. Beer-induced prolactin secretion: a clinical and laboratory study of the role of salsolinol. J Clin Endocrinol Metab. 1985;60(4):673-7. PMID 3972968 — cerveja libera prolactina, mais em mulheres.
  18. Sawagado L, Houdebine LM. Identification of the lactogenic compound present in beer. Ann Biol Clin (Paris). 1988;46(2):129-34. PMID 3382062 — o lúpulo não liberou prolactina; a cevada sim.
  19. Koletzko B, Lehner F. Beer and breastfeeding. Adv Exp Med Biol. 2000;478:23-8. PMID 11065057 — polissacarídeo da cevada, efeito também com cerveja sem álcool.
  20. Haidenberg-David F, Sidauy-Adissi J, Moscona-Nissan A, et al. Overview of Hyperprolactinemia: General Approach and Reproductive Health Implications. Arch Med Res. 2024;55(8):103102. PMID 39454469 — hiperprolactinemia como causa de hipogonadismo em homens.
  21. Instrução Normativa nº 65, de 10 de dezembro de 2019, do Ministério da Agricultura, no Diário Oficial da União — definição de lúpulo, de cerveja sem álcool (até 0,5%) e regra do "zero álcool" (até 0,05%).
  22. Agência Europeia de Medicamentos, página do medicamento fitoterápico Lupuli flos — uso tradicional para estresse leve e sono.
  23. Registros consultados no ClinicalTrials.gov: NCT03140397 e NCT02848430 (8-PN e lúpulo, farmacocinética), NCT04796259 (malte e prolactina, 12 mulheres).
  24. E-utilities de PubMed (esearch) — la base de tous les décomptes d'articles de cette page.
  25. API publique de ClinicalTrials.gov, version 2 — la base de tous les décomptes d'études et de phase 3 de cette page.

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