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Compostos › Verificado em fonte primária

Ácido D-aspártico (D-aspartato, DAA)

Os "+42% em 12 dias" vêm de 23 homens saudáveis com testosterona normal, não baixa; quatro ensaios depois disso não repetiram o efeito, e 6 g por dia derrubaram a testosterona.

Não aprovadoVerificado em fonte primária
Ilustração gerada por IA. Não é dado, nem imagem de estudo.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: No Brasil, só o ácido L-aspártico é fonte autorizada de aspartato em suplemento; o ácido D-aspártico não consta da lista. Num ensaio controlado, 6 g por dia por duas semanas reduziram a testosterona total e a livre em homens treinados. Não localizei estudo de segurança de uso por mais de 3 meses nem estudo em homens com hipogonadismo diagnosticado.

Resumo

O ácido D-aspártico é a forma "D" de um aminoácido presente na hipófise e no testículo. O número que circula, testosterona de 4,5 para 6,4 ng/mL (+42%) em 12 dias, é de um estudo italiano de 2009 com 23 homens saudáveis de 27 a 37 anos, testosterona média normal e um produto comercial; o placebo era água com sal. Depois disso, quatro ensaios com placebo em homens treinados, com 3 ou 6 g por dia de 2 semanas a 3 meses, não acharam aumento; num deles, 6 g por dia reduziram a testosterona total e a livre. Nenhum estudo testou a ideia de que o efeito aparece só em quem tem testosterona baixa. No Brasil, a forma D não consta da lista de constituintes de suplemento; só a forma L é autorizada.

Por que esta página existe

O ácido D-aspártico aparece descrito em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como o aminoácido que "subiu a testosterona em 42% em 12 dias". A história que acompanha o número é sempre a mesma: no mesmo estudo, um homem teria subido 42% e outro "nada", porque o segundo já tinha testosterona alta; o suplemento seria "um detector disfarçado", que só funciona em quem tem testosterona baixa, "como gasolina em tanque cheio". Um terceiro vídeo acrescenta que 6 g por dia "derrubam" a testosterona livre, que o corpo cria tolerância rápida, que o certo é um ciclo de duas semanas de uso e duas de pausa, e que o suplemento serve para infertilidade, para homens com testosterona baixa, sedentários ou idosos, e para "terapia pós-ciclo" depois de esteroides.

Levantei as alegações de 3 vídeos curtos (dois deles com o mesmo roteiro), separei as 17 que são verificáveis e procurei cada estudo citado e cada número. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.

Os aminoácidos que formam as proteínas são da forma "L". O ácido aspártico comum, o da comida e das proteínas, é o L-aspártico. A forma "D" é a imagem espelhada da molécula. Segundo a revisão de D'Aniello (2007), o D-aspartato existe livre em tecidos do sistema nervoso e endócrino de animais e humanos: no cérebro em desenvolvimento, na hipófise, onde estimula a liberação de LH, e nas células de Leydig do testículo. O mesmo grupo italiano mediu D-aspartato no sêmen humano e achou concentrações menores em homens com espermatozoides em menor número e com pouca mobilidade (D'Aniello 2005). O suplemento vendido é sintético, em geral como D-aspartato de sódio.

O mecanismo foi visto em rato; em homem, o eixo não respondeu de novo

No rato, a história é consistente. Segundo a revisão de Di Fiore e colegas (2016), o D-aspartato aumenta a produção de androgênios nas células de Leydig, provavelmente pelo receptor NMDA, e estimula a divisão das células que dão origem aos espermatozoides. No estudo de Topo e colegas (2009), ratos que beberam D-aspartato por 12 dias tiveram mais LH e testosterona, e a hipófise e o testículo isolados produziram mais desses hormônios quando incubados com o aminoácido.

Em homens, o único estudo que viu o LH subir é o mesmo de 2009: 33,3%, de 4,2 para 5,6 mIU/mL. Os ensaios posteriores mediram o LH e não o viram mudar: 3 g por dia por 28 dias em homens treinados (Willoughby e Leutholtz, 2013), 3 g por dia por 2 semanas em escaladores (Crewther 2019) e 6 g por dia por 14 dias em boxeadores (Płoszczyca 2023). A revisão sistemática de Roshanzamir e Safavi (2017), com 23 estudos em animais e 4 em humanos, resume: o efeito em animais machos é consistente; em humanos, os resultados são inconsistentes, e a evidência é "escassa", com poucos estudos e de baixa qualidade.

Quanta evidência existe, de verdade

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

BaseConsultaResultado
PubMed"D-aspartic acid" NOT "N-methyl-D-aspartic acid" NOT "N-methyl-D-aspartate" NOT NMDA573 artigos
PubMed("D-aspartic acid" NOT "N-methyl-D-aspartic acid" NOT "N-methyl-D-aspartate" NOT NMDA) AND (testosterone)48 artigos
PubMed("D-aspartic acid") AND (testosterone) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])5 artigos
PubMed("D-aspartic acid") AND (sperm OR semen OR infertility) AND humans[MeSH Terms]10 artigos
PubMed("D-aspartic acid") AND (supplementation OR supplement) AND humans[MeSH Terms]16 artigos
ClinicalTrials.govintervenção: "D-aspartic acid"100 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: ("D-aspartic acid") AND AREA[Phase]PHASE39 ensaios de fase 3

Leitura honesta desses números

  • O nome engana as buscas. "D-aspartato" faz parte do nome do receptor NMDA (N-metil-D-aspartato), alvo de remédios como a cetamina. Por isso, sem a exclusão, a busca no PubMed infla para milhares de artigos de neurologia: "D-aspartic acid" sozinho devolve 3.003, e com testosterona, 72, contra 48 depois da exclusão. As três linhas menores da tabela não têm a exclusão, mas conferi os 5 ensaios randomizados um a um e todos são de D-aspartato. No ClinicalTrials.gov, a exclusão zera tudo, então deixei a busca simples: os 100 registros e os 9 de fase 3 que abri são de cetamina, memantina, sulfato de magnésio, encefalite anti-NMDA e afins — nenhum é de D-aspartato como suplemento. O único registro de D-aspartato oral que achei nos primeiros 30 é italiano, de lesão cerebral, sem resultado.
  • Os 5 ensaios randomizados com testosterona: 4 sem efeito e 1 com mistura. São os de Willoughby (2013), Melville (2017), Crewther (2019) e Płoszczyca (2023), todos sem aumento de testosterona, e um egípcio de 2025 que deu D-aspartato junto com ubiquinol e zinco a homens inférteis. O estudo de 2009 que sustenta o "+42%" não tem a marcação de ensaio randomizado; o de 2015 com 6 g, também não.
  • Os ensaios de 2013 em diante foram feitos em homens treinados. O de 2009 foi feito em voluntários saudáveis, descritos depois por Melville e colegas (2015) como sedentários. Não achei nenhum ensaio em homens com testosterona baixa diagnosticada.
  • Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.

Os estudos que sustentam as alegações

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos clínicos concretos por trás do que se diz sobre o ácido D-aspártico. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.

EstudoNContextoO que relatouRessalva
Topo et al., 2009
Reprod Biol Endocrinol 7:120 · PMID 19860889
43 (23 + 20 placebo)Homens saudáveis de 27 a 37 anos, numa unidade de fertilização in vitro da Itália; solução comercial com 3,12 g de D-aspartato de sódio e vitaminas B por 12 diasTestosterona de 4,5 ± 0,6 para 6,4 ± 0,8 ng/mL (+42%) e LH de 4,2 ± 0,5 para 5,6 ± 0,9 mIU/mL (+33,3%); 20 dos 23 tiveram aumento; 3 dias depois de parar, 5,8 ng/mLTestosterona inicial normal; placebo de cloreto de sódio; produto comercial; números em média ± erro-padrão; os autores declaram não ter conflito
Willoughby e Leutholtz, 2013
Nutr Res 33(10):803-10 · PMID 24074738
não informado no resumoHomens treinados; 3 g/dia ou placebo por 28 dias, com treino de forçaTestosterona total e livre, LH, GnRH e estradiol sem mudança; força e massa subiram igual nos dois gruposMesma dose aproximada do estudo de 2009
Melville et al., 2015
J Int Soc Sports Nutr 12:15 · PMID 25844073
24Homens treinados; farinha (placebo), 3 g ou 6 g/dia por 14 dias6 g/dia reduziram a testosterona total (p = 0,03) e a livre (contra placebo, p = 0,005); 3 g/dia sem efeito; nenhuma correlação entre a testosterona inicial e a resposta (r = 0,10; p = 0,70)Duas semanas; 8 homens por grupo
Melville et al., 2017
PLoS One 12(8):e0182630 · PMID 28841667
22Homens treinados de 18 a 36 anos; 6 g/dia ou placebo por 12 semanas, duplo-cegoTestosterona total e livre sem mudança; estradiol −16% (IC 95% −27% a −5%) no grupo do D-aspartato; força e hipertrofia iguais aos do placeboRegistrado no registro australiano de ensaios
Crewther et al., 2019
Int J Sport Nutr Exerc Metab 29(3):259-264 · PMID 29893592
16Escaladores; 3 g/dia ou placebo por 2 semanas, cruzado, simples-cegoTestosterona, testosterona livre calculada e LH sem efeito; quem partia mais baixo subia mais, mas igualmente com placeboCruzado, curto
Płoszczyca et al., 2023
Nutrients 16(1):76 · PMID 38201906
16Boxeadores em hipóxia simulada; 6 g/dia por 14 diasLH e relação testosterona/cortisol sem efeitoContexto específico de treino em altitude
GamalEl Din et al., 2025
Arch Ital Urol Androl 97(2):13554 · PMID 40248985
48 analisados (24 + 24) de 75 recrutadosHomens com infertilidade sem causa, Egito; 2.660 mg de D-aspartato + 200 mg de ubiquinol + 10 mg de zinco, ou placebo, por 3 mesesMotilidade progressiva subiu (p = 0,047); testosterona total de 5,06 para 5,89 (p = 0,009)Mistura de três substâncias; não isola o D-aspartato
Roshanzamir e Safavi, 2017 (revisão sistemática)
Int J Reprod Biomed 15(1):1-10 · PMID 28280794
23 estudos em animais, 4 em humanosTestosterona sanguíneaEfeito consistente em animais machos; em humanos, inconsistente; evidência "escassa" e de baixa qualidadeAté outubro de 2015

A revisão de Morgado e colegas (2024), sobre "boosters" de testosterona vendidos ao público, achou 2 estudos de D-aspartato e não o incluiu entre os produtos considerados eficazes ou possivelmente eficazes.

O "só funciona em quem tem testosterona baixa" não foi testado

Essa é a ideia central dos vídeos, e nenhum estudo a sustenta.

  • Os 23 homens de 2009 não tinham testosterona baixa. Eram voluntários saudáveis de 27 a 37 anos, com média inicial de 4,5 ng/mL. Para comparação, o ensaio de tongkat ali de Chinnappan e colegas (2021) usou 300 ng/dL, ou 3 ng/mL, como corte de testosterona baixa. O artigo não separa os homens pelo nível inicial e não descreve um participante que tenha ficado "zerado"; diz que 20 dos 23 tiveram aumento.
  • Quando alguém procurou a relação, não achou. No ensaio de 2015, a correlação entre a testosterona inicial e a resposta ao D-aspartato foi praticamente nula (r = 0,10). No de 2019, quem partia mais baixo subia mais, mas isso aconteceu do mesmo jeito com o placebo — o que é a assinatura da regressão à média, não de um suplemento "detector".
  • Ninguém testou em hipogonadismo. Não localizei ensaio em homens com testosterona baixa diagnosticada, em idosos ou em sedentários com queixa hormonal. A frase "nesses indivíduos, o DAA consegue elevar os hormônios para níveis saudáveis" não tem estudo por trás.
  • A diferença entre 2009 e os estudos seguintes tem outras explicações possíveis. O primeiro estudo usou um produto comercial com vitaminas B, placebo de água com sal e um único centro; os seguintes usaram placebo de farinha ou equivalente, outros laboratórios e homens treinados. Qual dessas diferenças explica o resultado, ninguém mediu.

Doses usadas em estudos humanos publicados

Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem.

EstudoDoseDuraçãoFinalidade do estudo
Topo et al., 20093,12 g de D-aspartato de sódio, com vitaminas B6, B12 e ácido fólico12 diasLH e testosterona em homens saudáveis
Willoughby e Leutholtz, 20133 g/dia28 diasHormônios, força e composição corporal com treino
Melville et al., 20153 ou 6 g/dia14 diasHormônios em homens treinados
Melville et al., 20176 g/dia12 semanasHormônios, força e hipertrofia com treino
Crewther et al., 20193 g/dia2 semanasHormônios em escaladores
Płoszczyca et al., 20236 g/dia14 diasHormônios e sangue em hipóxia
GamalEl Din et al., 20252.660 mg/dia com ubiquinol e zinco3 mesesSêmen em infertilidade sem causa

Nenhum estudo testou ciclo de "duas semanas de uso e duas de pausa". No de 2009, três dias depois de parar, a testosterona média ainda estava acima do início (5,8 ng/mL), o que não combina com a ideia de tolerância rápida — e também não a testa.

Das 17 alegações, 5 se confirmam, e nenhuma delas é a de que o efeito depende do nível inicial

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVeredito
A testosterona subiu 42% em 12 dias+42% no estudo de 2009 (Topo), contra placebo de água com sal; não repetido em quatro ensaios posterioresConfirmado
Testosterona "de 4,5 para 6,4"4,5 ± 0,6 para 6,4 ± 0,8 ng/mL (Topo 2009)Confirmado
O LH subiu 33%33,3%, de 4,2 para 5,6 mIU/mL (Topo 2009); não repetido em 2013, 2019 e 2023Confirmado
Reproductive Biology and Endocrinology, 2009: 23 homens com testosterona baixa, 3,12 g/dia por 12 diasRevista, ano, número de homens, dose e duração corretos; mas eram voluntários saudáveis com testosterona média normalParcialmente
No mesmo estudo, "um subiu 42% e o outro nada"; o que não respondeu tinha testosterona altaO artigo diz que 20 de 23 subiram e não analisa a resposta pelo nível inicial; em 2015, a correlação foi nula (r = 0,10)Não sustentado
Só funciona em quem tem testosterona baixa ("gasolina em tanque cheio"); é "um detector disfarçado de suplemento"Nenhum estudo em homens com testosterona baixa; a relação entre nível inicial e resposta foi igual à do placebo (Crewther 2019)Não sustentado
"Descobrir antes de qual grupo você é" resolve a dúvidaNão há estudo que mostre um nível inicial que preveja respostaNão sustentado
Em homens treinados com testosterona alta, "zero mudança"Sem mudança com 3 g por 28 dias (Willoughby 2013), 3 g por 2 semanas (Crewther 2019) e 6 g por 12 semanas (Melville 2017)Confirmado
É aminoácido que já existe no cérebro e no testículoD-aspartato livre na hipófise, no cérebro e nas células de Leydig (D'Aniello 2007)Confirmado
"Acerta o sistema nervoso e força o cérebro a liberar LH"Visto em rato e no estudo humano de 2009; o LH não mudou em três ensaios posterioresParcialmente
"Journal of Sports Nutrition, 2015": 6 g "derrubaram" a testosterona livreO estudo é do Journal of the International Society of Sports Nutrition (Melville 2015): 6 g/dia por 14 dias reduziram a total e a livre; com 6 g/dia por 12 semanas, o mesmo grupo não viu mudança (Melville 2017)Parcialmente
O corpo cria tolerância rápidoNão localizei estudo que meça tolerância; 3 dias após parar, a testosterona ainda estava alta em 2009Sem estudo em humanos
Ciclo de 3 g por duas semanas e duas semanas de pausaNenhum estudo testou cicloSem estudo em humanos
Melhora a quantidade e a mobilidade dos espermatozoides em homens inférteisMotilidade melhor num ensaio que misturou D-aspartato com ubiquinol e zinco (GamalEl Din 2025); D-aspartato menor no sêmen de homens com pouca mobilidade (D'Aniello 2005, observacional)Parcialmente
Em homens com testosterona clinicamente baixa, sedentários ou idosos, eleva os hormônios a níveis saudáveis e melhora disposição e bem-estarNenhum ensaio localizado nessas populações nem com esses desfechosSem estudo em humanos
Usado na "terapia pós-ciclo" depois de esteroides, "com ressalvas"Nenhum estudo localizadoSem estudo em humanos
Protocolo para testosterona "+147% em 28 dias" e "2 a 5 cm"Nenhuma fonte citada; número de protocolo pagoSem estudo em humanos

Placar: 5 confirmadas, 4 parcialmente, 3 não sustentadas e 5 sem estudo em humanos.

Segurança, efeitos adversos e interações

  • A testosterona pode cair, não só subir. Com 6 g por dia por 14 dias, a testosterona total e a livre caíram em homens treinados (Melville 2015). Com 6 g por dia por 12 semanas, o estradiol caiu 16% (Melville 2017). Os autores dizem não saber o que essa queda significa para força e hipertrofia.
  • Os estudos são curtos e pequenos. O mais longo durou 3 meses. Os resumos que li não relatam eventos adversos graves, mas também não foram desenhados para medir segurança. NÃO VERIFIQUEI estudo de toxicidade em humanos.
  • O suplemento mais estudado é um sal de sódio. A solução do estudo de 2009 era de D-aspartato de sódio. NÃO VERIFIQUEI o teor de sódio por dose; para quem controla sódio, isso é um ponto a conferir no rótulo — inferência minha.
  • O D-aspartato age no receptor NMDA, segundo as revisões, o mesmo receptor de remédios como a cetamina e a memantina. NÃO VERIFIQUEI interação clínica com esses remédios; não achei estudo.
  • Quem não deve usar: não localizei recomendação formal. Pela regra brasileira, a forma D não é constituinte autorizado de suplemento para nenhum grupo.

Status regulatório

  • Brasil, suplemento alimentar: o Anexo I da IN 28/2018 lista como fonte de aspartato apenas o ácido L-aspártico (CAS 56-84-8). O ácido D-aspártico não consta. Pela RDC 243/2018 (art. 4º), os constituintes de suplemento se restringem a essa lista. O limite máximo de aspartato, 5.320 mg por dia para maiores de 19 anos, vale para a forma L autorizada. Versão consolidada conferida: com alterações até a IN 470, de 16 de setembro de 2026.
  • Brasil, alegação de rótulo: o aspartato não tem alegação de testosterona no Anexo V da IN 28/2018, e pela RDC 243/2018 (art. 16) só as alegações dessa lista podem ir ao rótulo.
  • Brasil, medicamento: nenhum registro de D-aspartato no dado aberto da ANVISA. Os 68 registros ativos com "ácido aspártico" são soluções de nutrição parenteral com a forma comum do aminoácido (tabela abaixo).
  • Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI a situação do D-aspartato como ingrediente de suplemento.
  • WADA: o ácido D-aspártico não aparece na Lista Proibida de 2026.

No Brasil, busquei no dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA, no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa.

Princípio ativoPadrão buscadoRegistros ativosClasse terapêutica declaradaProdutos
ácido D-aspártico\bd-?\s?aspart|acido d.aspart|d-aspartic0—Nenhum registro, ativo ou inativo
ácido aspártico (qualquer forma)acido aspartico68Nutrição parenteral e reposição hidroeletrolíticaSoluções de aminoácidos para uso venoso

O que este levantamento não fez

  • Li resumos, não os artigos inteiros, com uma exceção: abri o texto completo do estudo de 2009 para conferir idade, nível inicial, produto, placebo e conflito de interesse.
  • Não li o artigo de 2012 do mesmo grupo italiano sobre qualidade do esperma (D'Aniello e colegas, revista Advances in Sexual Medicine, fora do PubMed). Confirmei no Crossref que ele existe; NÃO VERIFIQUEI o conteúdo.
  • Não verifiquei a situação regulatória nos EUA e na União Europeia.
  • Não avaliei interações com remédios que agem no receptor NMDA, nem o teor de sódio dos produtos.
  • Não procurei registros fora do ClinicalTrials.gov além dos que os próprios artigos citam (registro australiano e registro japonês UMIN).

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número desta página foi levantado por mim em 7 de outubro de 2026 no PubMed, no ClinicalTrials.gov, no Crossref, no texto consolidado da IN 28/2018 e da RDC 243/2018 da ANVISA, no dado aberto de medicamentos da ANVISA e na Lista Proibida da WADA de 2026, e a consulta usada está declarada acima. Li resumos, não os artigos inteiros, salvo o estudo de 2009. As contagens das tabelas com consulta, no PubMed e no ClinicalTrials.gov, foram refeitas por mim em 16 de outubro de 2026.
  1. Topo E, Soricelli A, D'Aniello A, et al. The role and molecular mechanism of D-aspartic acid in the release and synthesis of LH and testosterone in humans and rats. Reprod Biol Endocrinol. 2009;7:120. PMID 19860889 — a origem do "+42%" e do "LH +33%": 23 homens saudáveis de 27 a 37 anos, testosterona inicial normal, placebo de cloreto de sódio.
  2. Melville GW, Siegler JC, Marshall PW. Three and six grams supplementation of d-aspartic acid in resistance trained men. J Int Soc Sports Nutr. 2015;12:15. PMID 25844073 — 6 g/dia reduziram a testosterona total e a livre; correlação nula com o nível inicial.
  3. Willoughby DS, Leutholtz B. D-aspartic acid supplementation combined with 28 days of heavy resistance training has no effect on body composition, muscle strength, and serum hormones associated with the hypothalamo-pituitary-gonadal axis in resistance-trained men. Nutr Res. 2013;33(10):803-10. PMID 24074738 — 3 g/dia por 28 dias sem efeito hormonal.
  4. Melville GW, Siegler JC, Marshall PWM. The effects of d-aspartic acid supplementation in resistance-trained men over a three month training period: A randomised controlled trial. PLoS One. 2017;12(8):e0182630. PMID 28841667 — 6 g/dia por 12 semanas: testosterona sem mudança, estradiol −16%.
  5. Crewther B, Witek K, Draga P, et al. Short-Term d-Aspartic Acid Supplementation Does Not Affect Serum Biomarkers Associated With the Hypothalamic-Pituitary-Gonadal Axis in Male Climbers. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2019;29(3):259-264. PMID 29893592 — sem efeito; relação com o nível inicial igual à do placebo.
  6. Płoszczyca K, Czuba M, Zakrzeska A, et al. The Effects of Six-Gram D-Aspartic Acid Supplementation on the Testosterone, Cortisol, and Hematological Responses of Male Boxers Subjected to 11 Days of Nocturnal Exposure to Normobaric Hypoxia. Nutrients. 2023;16(1):76. PMID 38201906 — 6 g/dia por 14 dias sem efeito no LH.
  7. GamalEl Din SF, A M E, Elkhiat Y, et al. Evaluation of in vivo supplementation of 2660 mg D-aspartic acid and 200 mg ubiquinol and 10 mg zinc on different semen parameters in idiopathic male infertility: a randomized double blind placebo controlled study. Arch Ital Urol Androl. 2025;97(2):13554. PMID 40248985 — infertilidade, mistura de três substâncias.
  8. Roshanzamir F, Safavi SM. The putative effects of D-Aspartic acid on blood testosterone levels: A systematic review. Int J Reprod Biomed. 2017;15(1):1-10. PMID 28280794 — efeito em animais, inconsistência em humanos.
  9. Morgado A, Tsampoukas G, Sokolakis I, et al. Do "testosterone boosters" really increase serum total testosterone? A systematic review. Int J Impot Res. 2024;36(4):348-364. PMID 37697053 — 2 estudos de D-aspartato; não está entre os eficazes.
  10. D'Aniello A. D-Aspartic acid: an endogenous amino acid with an important neuroendocrine role. Brain Res Rev. 2007;53(2):215-34. PMID 17118457 — onde o D-aspartato existe no corpo e o que faz no eixo hormonal.
  11. Di Fiore MM, Santillo A, Falvo S, et al. Molecular Mechanisms Elicited by d-Aspartate in Leydig Cells and Spermatogonia. Int J Mol Sci. 2016;17(7):1127. PMID 27428949 — o mecanismo em célula de Leydig, pelo receptor NMDA.
  12. D'Aniello G, Ronsini S, Guida F, et al. Occurrence of D-aspartic acid in human seminal plasma and spermatozoa: possible role in reproduction. Fertil Steril. 2005;84(5):1444-9. PMID 16275242 — menos D-aspartato no sêmen de homens com alteração de espermatozoides.
  13. D'Aniello G, Ronsini S, Notari T, et al. D-Aspartate, a Key Element for the Improvement of Sperm Quality. Adv Sex Med. 2012;2(4):45-53. doi:10.4236/asm.2012.24008 — artigo fora do PubMed, conferido só no Crossref; conteúdo não verificado.
  14. Registro NCT03228524 no ClinicalTrials.gov — o único registro de D-aspartato oral entre os listados, em lesão cerebral, situação desconhecida, sem resultado.
  15. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — só o ácido L-aspártico como fonte de aspartato; máximo de 5.320 mg/dia para maiores de 19 anos.
  16. Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — constituintes (art. 4º) e alegações (art. 16) restritos às listas da IN 28/2018.
  17. Dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA — a mesma base usada na página O que existe no Brasil.
  18. Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — o ácido D-aspártico não aparece.
  19. E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
  20. API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.

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