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Protocolos
Compostos › Verificado em fonte primária

Cafeína (anidra pré-treino e energético diário)

O "+16% de força" é a velocidade da barra numa só carga, em 14 homens; a força máxima subiu de 4% a 7%. No Brasil, suplemento pode ter até 200 mg por dose.

Aprovação parcialVerificado em fonte primária
Ilustração gerada por IA. Não é dado, nem imagem de estudo.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: No Brasil, suplemento de cafeína para adultos pode ter no máximo 200 mg por dia, ou 400 mg por dia só para atletas com dose individual de até 200 mg, e o rótulo deve dizer que gestantes, lactantes e crianças não devem consumir. Para um homem de 80 kg, 3 a 6 mg/kg dão 240 a 480 mg (conta minha), acima da dose única do suplemento. Com 9 mg/kg, os efeitos colaterais apareceram em 15% a 62% dos participantes de um ensaio. Cafeína perto da hora de dormir reduz o sono total, e parar de repente dá dor de cabeça e cansaço por até 9 dias.

Resumo

A cafeína é o suplemento de desempenho com mais estudo: melhora força e potência em pouco (meta-análise com efeito de 0,20) e resistência aeróbia de forma mais consistente, com 3 a 6 mg por quilo uma hora antes. O estudo citado nos vídeos existe: 14 homens, 4 mg/kg, força máxima +4,1% no supino e +6,9% no agachamento; os 16% são a velocidade de pico numa carga. Não há diferença de molécula entre "anidra" e a do café. Do energético diário, metade do alerta se sustenta: perda de sono, tolerância parcial em duas a três semanas e abstinência de 2 a 9 dias estão documentadas; o "paladar viciado em 16 dias" e o "rim trabalhando dobrado" não.

Por que esta página existe

A cafeína aparece em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, de dois jeitos opostos. Num, a cafeína anidra é vendida como o pré-treino que "aumenta a força em até 16%": diferente da cafeína do café, que só tiraria o sono, a anidra "hackearia a força direto na raiz muscular", inundando as fibras de cálcio e obrigando o músculo a recrutar "100% das fibras". O vídeo cita um "estudo detalhado" com eletromiografia e dá a dose: 3 a 6 mg por quilo, de 45 a 60 minutos antes do primeiro levantamento.

No outro, a cafeína é o vilão de uma lata diária de energético "zero açúcar", com 140 mg de cafeína, por 30 dias: tolerância a partir do oitavo dia, 12 horas para sair do sangue, sono profundo "picotado", paladar "viciado" pelos adoçantes em 16 dias, refluxo pelo ácido cítrico, esmalte dos dentes corroído no trigésimo dia e uma abstinência de até 9 dias. A conclusão é que o energético é "combustível de emergência, não bebida de rotina".

Eu conferi as duas pontas. Levantei as alegações dos 2 vídeos curtos em que a cafeína é tema, separei as 22 que são verificáveis e fui atrás de cada estudo citado. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site. A marca do energético não é nomeada, por regra do site; o que se confere aqui é a cafeína e os adoçantes que o vídeo descreve.

A cafeína anidra também é ingrediente de uma receita caseira de pré-treino que circula nos mesmos vídeos: ver a página pré-treino caseiro.

Este site trata de assunto vizinho também em Nootrópicos, Tamanho de efeito e Chá verde (adjuvante da mucuna).

O mecanismo principal é no cérebro, e é o mesmo no café

Segundo o posicionamento de 2021 da International Society of Sports Nutrition (ISSN), lido no texto completo, o efeito da cafeína sobre o sistema nervoso central é "amplamente aceito" como o mecanismo principal; a cafeína bloqueia os receptores de adenosina, que sinalizam cansaço. O mesmo documento diz que a cafeína parece ter algum efeito direto no músculo e que a via mais provável é a mobilização de cálcio, que facilita a produção de força em cada unidade motora. "Inundar as células de cálcio e obrigar 100% das fibras" é exagero sobre uma via secundária.

A distinção entre "cafeína do café" e "cafeína anidra" não existe na molécula. Anidra quer dizer sem água de cristalização: é a cafeína em pó. Segundo a ISSN, a maior parte dos estudos usou cafeína anidra em cápsula porque é mais fácil padronizar a dose e fazer o placebo, e o café "pode melhorar o desempenho", com o problema de que o teor de cafeína varia com o tipo de café e o preparo. O pó não tem uma "chave" diferente: tem uma dose mais previsível.

Quanta evidência existe, de verdade

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

BaseConsultaResultado
PubMed(caffeine) AND (muscle strength OR resistance exercise OR power OR bar velocity)1.370 artigos
PubMed(caffeine) AND (muscle strength OR resistance exercise OR power OR bar velocity) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])479 artigos
PubMed(caffeine) AND (exercise OR performance) AND (Meta-Analysis[Publication Type])213 artigos
PubMed(caffeine) AND (electromyography OR EMG OR motor unit OR voluntary activation) AND (strength OR maximal)97 artigos
PubMed(caffeine) AND (sleep) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])239 artigos
PubMed(caffeine) AND (tolerance OR habituation) AND (exercise OR performance)831 artigos
PubMed(caffeine withdrawal)785 artigos
PubMed("energy drink" OR "energy drinks")2.508 artigos
PubMed("energy drink" OR "energy drinks") AND (dental erosion OR enamel)58 artigos
PubMed("energy drink" OR "energy drinks") AND (gastroesophageal reflux OR heartburn OR dyspepsia)7 artigos
PubMed(sucralose OR acesulfame) AND (sweet taste) AND (adaptation OR preference OR sensitivity) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Clinical Trial[Publication Type])10 artigos
ClinicalTrials.govintervenção: caffeine1.229 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: (caffeine) AND AREA[Phase]PHASE370 ensaios de fase 3
ClinicalTrials.govintervenção, com condição: caffeine AND AREA[Condition](athletic performance OR muscle strength OR exercise)51 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: energy drink313 estudos registrados

Leitura honesta desses números

  • É o caso raro de suplemento com base grande. São 213 meta-análises de cafeína em exercício ou desempenho no PubMed, e o consenso de 2018 do Comitê Olímpico Internacional pôs a cafeína entre os poucos suplementos com "boa evidência" de benefício (Maughan e colegas, 2018).
  • Base grande não quer dizer efeito grande. Na força máxima, o efeito médio é pequeno: diferença padronizada de 0,20 na meta-análise de Grgic e colegas (2018), significativa para membros superiores e não para inferiores.
  • Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho. Os 831 artigos de tolerância e os 785 de abstinência incluem estudos em animais e de outros temas; os números do vídeo de energético foram conferidos nos poucos estudos que mediram exatamente o que ele diz.
  • Do refluxo e do paladar, quase nada. Os 7 artigos de energético com refluxo ou dispepsia são relatos de caso de pancreatite, inquéritos com estudantes, estudos de desgaste dentário e um ensaio de carboidrato no triatlo; nenhum testou o ácido cítrico do energético no estômago. Dos 10 ensaios com adoçante e gosto doce, nenhum mediu "vício" do paladar em 16 dias.

Os estudos que sustentam as alegações

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos clínicos concretos por trás do que se diz sobre a cafeína no treino e no energético. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.

EstudoNContextoO que relatouRessalva
Ma et al., 2025
J Int Soc Sports Nutr 22(1):2587791 · PMID 41297920
14Homens treinados em força; 4 mg/kg em cápsula ou placebo, 60 min antes; supino e agachamento, com eletromiografiaForça máxima +4,1% no supino e +6,9% no agachamento; velocidade de pico no supino a 90% da carga máxima +16,5% (± 26,4%); atividade elétrica maior só no glúteo máximo no teste de força máxima; esforço e dor percebidos menoresÉ o estudo que bate com os números do vídeo. Os 16% são de uma carga só, com desvio maior que a média
Grgic et al., 2018 (meta-análise)
J Int Soc Sports Nutr 15:11 · PMID 29527137
10 estudos de força, 10 de potênciaForça máxima (1 repetição máxima) e salto verticalForça SMD 0,20 (IC 0,03–0,36); potência SMD 0,17 (IC 0,00–0,34); membros superiores sim, inferiores não (SMD 0,15; IC −0,05 a 0,34)Os autores pedem cegamento mais rigoroso
Pallarés et al., 2013
Med Sci Sports Exerc 45(11):2184-92 · PMID 23669879
13Homens treinados; placebo, 3, 6 ou 9 mg/kgVelocidade +5,4% a 8,5% em cargas leves com qualquer dose; em cargas de 90%, só 9 mg/kg melhorou (+6,8% a 11,7%)Com 9 mg/kg, efeitos colaterais em 15% a 62%
Guest et al., 2021 (posicionamento da ISSN)
J Int Soc Sports Nutr 18(1):1 · PMID 33388079
—Revisão da literatura3–6 mg/kg melhoram o desempenho de forma consistente; 60 min antes é o mais usado; 9 mg/kg tem muito efeito colateral e não parece necessário; meia-vida média de 4 a 6 horas, de 1,5 a 10 horasVários autores com vínculos com a indústria de suplementos e de café, declarados no artigo; a ISSN recebe verba de empresas que vendem produtos com cafeína
Lara et al., 2019
PLoS One 14(1):e0210275 · PMID 30673725
113 mg/kg/dia por 20 dias, cruzado, com placeboPotência +4,0% nos primeiros 15 dias, depois o efeito diminuiu; maior no 1º dia e progressivamente menorTolerância parcial e gradual, não no "dia 8"
Gardiner et al., 2023 (meta-análise)
Sleep Med Rev 69:101764 · PMID 36870101
24 estudosCafeína e o sono seguinteSono total −45 min, eficiência −7%; sono profundo −11,4 min; café (107 mg) pelo menos 8,8 h antes de deitar e pré-treino (217,5 mg) pelo menos 13,2 h antes para não perder sonoJunta estudos com doses e horários variados
Drake et al., 2013
J Clin Sleep Med 9(11):1195-200 · PMID 24235903
—400 mg a 0, 3 ou 6 horas antes de dormir, contra placebo, em casaAs três janelas perturbaram o sono (p < 0,05 para todas)O resumo não traz o número de participantes
Juliano e Griffiths, 2004 (revisão)
Psychopharmacology (Berl) 176(1):1-29 · PMID 15448977
—Abstinência de cafeínaDor de cabeça em 50%; início em 12–24 h, pico em 20–51 h, duração de 2 a 9 dias; sintomas mesmo ao parar 100 mg/diaRevisão de estudos experimentais
Killer et al., 2014
PLoS One 9(1):e84154 · PMID 24416202
50Homens que tomam café; 4 × 200 mL de café com 4 mg/kg contra água, 3 dias cadaÁgua corporal e urina de 24 h iguais (2.409 contra 2.428 mL)Um dos autores é funcionário de um fabricante de bebidas
Wikoff et al., 2017 (revisão sistemática)
Food Chem Toxicol 109(Pt 1):585-648 · PMID 28438661
381 estudosEfeitos adversos em adultos saudáveis e outras populaçõesAté 400 mg/dia em adulto saudável não se associa a efeito adverso evidente no coração, no comportamento, no osso ou na reproduçãoNÃO VERIFIQUEI o financiamento; o resumo não informa
Luo et al., 2026 (revisão sistemática)
Dent J (Basel) 14(6):359 · PMID 42345950
5.805 (10 estudos)Energéticos e bebidas esportivas e saúde bucalMais energético associado a mais erosão dentária, com evidência "limitada e de baixa qualidade"7 de 10 estudos com risco alto ou grave de viés
Čad et al., 2026 (Sweet Tooth Trial)
Am J Clin Nutr 123(1):101073 · PMID 41485871
180Adultos com 6 meses de dieta pouco, normalmente ou muito doce (açúcar, adoçantes, frutas)Nenhuma diferença no gosto pelo doce, na percepção da intensidade ou na escolha de comida doceAlguns autores com verba de indústria de açúcar, adoçantes e bebidas, declarada

Doses usadas em estudos humanos publicados

Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem.

EstudoDoseDuraçãoFinalidade do estudo
Ma et al., 20254 mg/kg em cápsula, 60 min antesDose únicaForça máxima, potência e eletromiografia
Pallarés et al., 20133, 6 ou 9 mg/kgDose únicaVelocidade e potência em cargas crescentes
ISSN, 2021 (faixa dos estudos)3–6 mg/kg, em geral 60 min antesDose únicaDesempenho
Lara et al., 20193 mg/kg/dia20 diasTolerância ao efeito no desempenho
Killer et al., 20144 mg/kg/dia de cafeína em 4 cafés3 diasHidratação
Drake et al., 2013400 mg a 0, 3 ou 6 h antes de dormirDose única por condiçãoSono
IN 28/2018, Anexo V (alegação permitida no Brasil)200 mg, uma hora antesPor uso"Aumento da capacidade de resistência e do desempenho em exercícios de resistência"

O estudo de eletromiografia existe, e diz menos do que o vídeo

O "estudo detalhado" com eletromiografia que bate com os números do vídeo é o de Ma e colegas, publicado em 2025 na revista da ISSN: 14 homens treinados, 4 mg/kg em cápsula ou placebo, uma hora antes. A força máxima subiu 4,1% no supino e 6,9% no agachamento, e o esforço e a dor percebidos caíram. Os "16%" aparecem no texto completo como velocidade de pico do supino com 90% da carga máxima: +16,5%, com desvio de ± 26,4%, ou seja, com muita variação entre os homens. Não é força. E o gancho do vídeo, "aumenta a força em até 16%", troca uma coisa pela outra.

Sobre o recrutamento: a atividade elétrica subiu no glúteo máximo durante o teste de força máxima no agachamento. Nos outros músculos medidos, inclusive os da coxa, não houve diferença, e nos testes de potência a eletromiografia não mudou. "Obrigar 100% das fibras" não foi medido, e o quadríceps, que o vídeo cita, não mostrou diferença.

O resultado médio da literatura é menor que o de um estudo de 14 homens. Somando 10 estudos de força máxima, o efeito padronizado foi de 0,20, pequeno, e não foi significativo para membros inferiores. A cafeína funciona; a margem é a de um ganho marginal.

O alerta do energético: o sono e a abstinência se sustentam, o resto é exagero

Parte do vídeo de energético está bem apoiada. Cafeína tomada até 6 horas antes de deitar perturbou o sono num ensaio com 400 mg (Drake 2013). Uma meta-análise de 24 estudos achou 45 minutos a menos de sono total e 11,4 minutos a menos de sono profundo, e calculou que um pré-treino com 217,5 mg deveria ser tomado pelo menos 13,2 horas antes de deitar (Gardiner 2023). A abstinência também é real: dor de cabeça em metade das pessoas, início 12 a 24 horas depois de parar e duração de 2 a 9 dias, mesmo para quem tomava só 100 mg por dia (Juliano e Griffiths 2004).

Outra parte é exagero ou invenção. A tolerância existe, mas não começa no "oitavo dia": num ensaio de 20 dias, o ganho de potência durou cerca de 15 dias e foi diminuindo aos poucos (Lara 2019). A cafeína não leva "12 horas para sair do sangue": a meia-vida média é de 4 a 6 horas, com variação de 1,5 a 10 horas entre pessoas (ISSN 2021); o tempo até perder o efeito no sono é que pode passar de 12 horas para doses maiores. O "rim trabalhando dobrado" não aparece em quem já toma cafeína: em 50 homens habituados, café com 4 mg/kg por dia deu o mesmo volume de urina que água (Killer 2014). Os adoçantes são mesmo muito mais doces que o açúcar (a FDA diz que a sucralose é cerca de 600 vezes e o acessulfame cerca de 200 vezes), mas o maior ensaio sobre o tema não achou mudança no gosto pelo doce depois de 6 meses de dieta muito doce (Čad 2026). E a erosão dentária associada a energético tem evidência "limitada e de baixa qualidade", sem prazo de 30 dias (Luo 2026).

Uma lata com 140 mg por dia fica abaixo dos 400 mg por dia que uma revisão sistemática considerou sem efeito adverso evidente em adulto saudável (Wikoff 2017). O risco realista do energético diário é dormir pior e depender da lata para não sentir a abstinência, não um colapso em 30 dias.

Das 22 alegações conferidas, 9 se confirmam, e o número do gancho não é uma delas

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVeredito
Cafeína anidra "aumenta a força em até 16%"A força máxima subiu 4,1% e 6,9%; os 16,5% são velocidade de pico numa carga (Ma 2025)Não sustentado
Força máxima "até 7%" e velocidade da barra "até 16%"Ma 2025: +6,9% no agachamento; +16,5% de velocidade de pico no supino a 90%Confirmado (no estudo; a meta-análise acha efeito pequeno)
A cafeína do café só tira o sono; a anidra age por outra via, direto no músculoÉ a mesma molécula; a anidra é usada nos estudos para padronizar a dose; o café também pode melhorar o desempenho (ISSN 2021)Não sustentado
No cérebro, corta a percepção de dorDor e esforço percebidos menores no teste de força (Ma 2025); mecanismo central é o principal (ISSN 2021)Confirmado
No músculo, "inunda as células de cálcio"A mobilização de cálcio é a via direta mais provável, mas secundária ao efeito central (ISSN 2021)Parcialmente
Obriga glúteo e quadríceps a usar "100% das fibras"Atividade elétrica maior só no glúteo máximo; quadríceps sem diferença; "100%" não medido (Ma 2025)Não sustentado
Um estudo detalhado usou eletromiografiaMa 2025Confirmado
Dose de 3 a 6 mg por quiloISSN 2021Confirmado
De 45 a 60 minutos antes60 min é o mais usado; o momento ótimo depende da forma da cafeína (ISSN 2021)Confirmado
"Passou disso, perde o pico"9 mg/kg não parece necessário e dá muito efeito colateral (ISSN 2021); em carga máxima, só 9 mg/kg funcionou num ensaio, com 15% a 62% de efeitos colaterais (Pallarés 2013)Parcialmente
A lata tem 140 mg de cafeína e age em meia horaNão conferi o rótulo da marca; o pico de cafeína na saliva foi de 39 a 67 minutos conforme a forma, num estudo citado pela ISSNParcialmente
Bloqueia a adenosina e "tampa o sensor de fadiga"ISSN 2021Confirmado
"Espreme os vasos" e põe o rim para "trabalhar dobrado"Urina igual à da água em homens habituados (Killer 2014); a vasoconstrição não conferiNão sustentado
Tolerância "a partir do oitavo dia", porque o cérebro "fabrica sensores novos de adenosina"; na segunda semana, "foco nenhum"O ganho durou cerca de 15 dias e diminuiu aos poucos (Lara 2019); o aumento de receptores em humanos não conferiParcialmente
Leva 12 horas para sair do sangueMeia-vida média de 4 a 6 h, de 1,5 a 10 h (ISSN 2021)Não sustentado
Mesmo dormindo, o sono profundo fica "picotado"Sono profundo −11,4 min; sono total −45 min (Gardiner 2023); 400 mg até 6 h antes perturba o sono (Drake 2013)Confirmado
Sucralose e acessulfame são "centenas de vezes" mais doces que o açúcarCerca de 600 e 200 vezes, segundo a FDAConfirmado
Em 16 dias "vicia a língua" e a fruta parece "papelão"6 meses de dieta muito doce não mudaram o gosto pelo doce (Čad 2026); nenhum estudo localizado com 16 diasNão sustentado
O ácido cítrico "rasga a parede do estômago" em jejum e dá refluxoNenhum estudo localizado sobre isso; os 7 artigos da busca tratam de outros temasSem estudo em humanos
No dia 30, o esmalte se vai e o nervo fica expostoAssociação com erosão, com evidência limitada e de baixa qualidade, sem prazo (Luo 2026); boa parte da literatura é de laboratórioParcialmente
Ao parar, enxaqueca de abstinência por até 9 diasDor de cabeça em 50%, duração de 2 a 9 dias (Juliano e Griffiths 2004)Confirmado
Uma lata por dia por 30 dias leva a um "estrago" cumulativo140 mg ficam abaixo dos 400 mg/dia sem efeito adverso evidente em adulto saudável (Wikoff 2017); o sono e a dependência são os riscos documentadosParcialmente

Placar: 9 confirmadas, 6 parcialmente, 6 não sustentadas e 1 sem estudo em humanos.

Segurança, efeitos adversos e quem não deve usar

  • Doses altas aumentam os efeitos colaterais sem ganho garantido. Com 9 mg/kg, a frequência de efeitos adversos foi de 15% a 62% num ensaio com homens treinados (Pallarés 2013), e a ISSN diz que doses assim não parecem necessárias.
  • Sono. A cafeína reduz o sono total e o sono profundo; para um pré-treino de cerca de 200 mg, a meta-análise de 2023 calcula pelo menos 13,2 horas de distância da hora de deitar.
  • Abstinência. Parar de repente pode dar dor de cabeça, cansaço, sonolência, irritabilidade e dificuldade de concentração por 2 a 9 dias (Juliano e Griffiths 2004).
  • Limite diário. Até 400 mg por dia não se associam a efeito adverso evidente em adulto saudável, segundo a revisão de Wikoff e colegas (2017); a mesma revisão adota 300 mg por dia para gestantes e 2,5 mg/kg por dia para crianças e adolescentes. NÃO VERIFIQUEI a opinião da autoridade europeia de 2015 sobre cafeína, que recusou o acesso.
  • Quem não deve usar suplemento de cafeína: pelo Anexo VI da IN 28/2018, o rótulo deve dizer que gestantes, lactantes e crianças não devem consumir.
  • Variação entre pessoas. A ISSN atribui parte da diferença de efeito e de efeitos adversos, como ansiedade e piora do sono, à genética do metabolismo da cafeína e ao consumo habitual.
  • Interações e doenças cardíacas: NÃO VERIFIQUEI bases de interação medicamentosa nem estudos em pessoas com arritmia ou hipertensão. A pergunta sobre infarto feita no próprio vídeo ficou sem resposta lá e fica sem resposta aqui.

Status regulatório

  • Brasil, suplemento alimentar: cafeína (1,3,7-trimetilxantina) consta do Anexo I da IN 28/2018, consolidada até a IN 470, de 16 de setembro de 2026. Para maiores de 19 anos, o mínimo é 75 mg e o máximo 200 mg por dia (Anexo IV); a nota do anexo permite 400 mg por dia exclusivamente para atletas, desde que a dose individual não passe de 200 mg.
  • Brasil, alegações permitidas (Anexo V): "A cafeína auxilia no aumento do estado de alerta e na melhora da concentração" e "A cafeína auxilia no aumento da capacidade de resistência e no desempenho de exercícios físicos de resistência", esta só para produto com 200 mg recomendados uma hora antes do exercício. Não há alegação de força máxima.
  • Brasil, rotulagem (Anexo VI): advertência de que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças.
  • Brasil, bebida energética: o limite de 35 mg de cafeína por 100 mL estava na RDC 273/2005, que o AnvisaLegis registra como revogada pela RDC 719/2022. NÃO VERIFIQUEI o limite em vigor para bebida energética.
  • Brasil, medicamento: a cafeína aparece em 76 números de registro ativos no dado aberto da ANVISA, todos em associação com analgésicos, relaxantes musculares ou antigripais; nenhum é de cafeína isolada (tabela abaixo).
  • Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI o enquadramento da cafeína em suplemento.
  • WADA: a cafeína está no Programa de Monitoramento de 2026 e, segundo a própria Lista Proibida, não é considerada substância proibida.

No Brasil, busquei no dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA, no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa.

Princípio ativoPadrão buscadoRegistros ativosClasse terapêutica declaradaProdutos
cafeínacafeina|caffeine76 números de registro distintos (676 linhas ativas no arquivo)Analgésicos não narcóticos, relaxantes musculares, antigripais, antienxaqueca e anti-inflamatórios75 nomes de produto, todos em associação; nenhum com cafeína como princípio ativo único

Registro de associação analgésica não transforma a cafeína em remédio de desempenho, e o suplemento só pode alegar no rótulo o que o Anexo V permite.

O que este levantamento não fez

  • Li resumos, não os artigos inteiros. As exceções são o posicionamento da ISSN e o estudo de Ma e colegas, lidos no texto completo do PubMed Central.
  • Não conferi o rótulo do energético citado no vídeo (cafeína por lata, ácido cítrico, adoçantes).
  • Não verifiquei o limite atual de cafeína em bebida energética no Brasil, a opinião de 2015 da autoridade europeia (acesso recusado) nem a situação regulatória nos EUA e na UE.
  • Não verifiquei o aumento de receptores de adenosina em humanos, a vasoconstrição nem o efeito do ácido cítrico no estômago.
  • Não avaliei interações medicamentosas nem o uso por quem tem doença cardíaca.
  • Não avaliei cafeína com L-teanina, que o site trata em outras páginas, nem outras formas (goma, gel).
  • Não avaliei o "protocolo" pago anunciado nos vídeos, que não é revelado.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número desta página foi levantado por mim em 7 de outubro de 2026 no PubMed, no ClinicalTrials.gov, no texto consolidado da IN 28/2018 e da RDC 273/2005 da ANVISA, no dado aberto de medicamentos da ANVISA, na página de adoçantes da FDA e na Lista Proibida da WADA de 2026, e a consulta usada está declarada acima. Li resumos, não os artigos inteiros, salvo onde indicado. As contagens das tabelas com consulta, no PubMed e no ClinicalTrials.gov, foram refeitas por mim em 16 de outubro de 2026.
  1. Ma Y, Chen Y, Ding L, et al. How does acute caffeine ingestion affect maximal strength and muscular power in bench press and back squat in resistance-trained men? J Int Soc Sports Nutr. 2025;22(1):2587791. PMID 41297920 — o estudo de eletromiografia: força +4,1% e +6,9%; velocidade de pico +16,5% numa carga.
  2. Grgic J, Trexler ET, Lazinica B, et al. Effects of caffeine intake on muscle strength and power: a systematic review and meta-analysis. J Int Soc Sports Nutr. 2018;15:11. PMID 29527137 — efeito pequeno em força e potência.
  3. Pallarés JG, Fernández-Elías VE, Ortega JF, et al. Neuromuscular responses to incremental caffeine doses: performance and side effects. Med Sci Sports Exerc. 2013;45(11):2184-92. PMID 23669879 — 3, 6 e 9 mg/kg; efeitos colaterais frequentes com 9 mg/kg.
  4. Guest NS, VanDusseldorp TA, Nelson MT, et al. International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance. J Int Soc Sports Nutr. 2021;18(1):1. PMID 33388079 — dose, momento, mecanismo, meia-vida e café contra anidra; lido no texto completo.
  5. Maughan RJ, Burke LM, Dvorak J, et al. IOC consensus statement: dietary supplements and the high-performance athlete. Br J Sports Med. 2018;52(7):439-455. PMID 29540367 — cafeína entre os poucos suplementos com boa evidência.
  6. Lara B, Ruiz-Moreno C, Salinero JJ, et al. Time course of tolerance to the performance benefits of caffeine. PLoS One. 2019;14(1):e0210275. PMID 30673725 — tolerância parcial e gradual em 20 dias.
  7. Gardiner C, Weakley J, Burke LM, et al. The effect of caffeine on subsequent sleep: A systematic review and meta-analysis. Sleep Med Rev. 2023;69:101764. PMID 36870101 — menos sono total e profundo; intervalo até a hora de deitar.
  8. Drake C, Roehrs T, Shambroom J, et al. Caffeine effects on sleep taken 0, 3, or 6 hours before going to bed. J Clin Sleep Med. 2013;9(11):1195-200. PMID 24235903 — 400 mg até 6 h antes perturba o sono.
  9. Juliano LM, Griffiths RR. A critical review of caffeine withdrawal: empirical validation of symptoms and signs, incidence, severity, and associated features. Psychopharmacology (Berl). 2004;176(1):1-29. PMID 15448977 — abstinência de 2 a 9 dias, dor de cabeça em 50%.
  10. Killer SC, Blannin AK, Jeukendrup AE. No evidence of dehydration with moderate daily coffee intake: a counterbalanced cross-over study in a free-living population. PLoS One. 2014;9(1):e84154. PMID 24416202 — café com urina igual à da água em habituados.
  11. Wikoff D, Welsh BT, Henderson R, et al. Systematic review of the potential adverse effects of caffeine consumption in healthy adults, pregnant women, adolescents, and children. Food Chem Toxicol. 2017;109(Pt 1):585-648. PMID 28438661 — até 400 mg/dia sem efeito adverso evidente em adulto saudável.
  12. Luo BW, Liang NL, Sun IG, et al. Association Between Consumption of Energy and Sports Drinks with Oral Health: A Systematic Review. Dent J (Basel). 2026;14(6):359. PMID 42345950 — erosão dentária com evidência limitada e de baixa qualidade.
  13. Čad EM, Mars M, Pretorius L, et al. The Sweet Tooth Trial: A Parallel Randomized Controlled Trial Investigating the Effects of A 6-Month Low, Regular, or High Dietary Sweet Taste Exposure on Sweet Taste Liking, and Various Outcomes Related to Food Intake and Weight Status. Am J Clin Nutr. 2026;123(1):101073. PMID 41485871 — 6 meses de dieta doce sem mudar o gosto pelo doce.
  14. Food and Drug Administration. Aspartame and Other Sweeteners in Food — sucralose cerca de 600 vezes e acessulfame de potássio cerca de 200 vezes mais doces que o açúcar.
  15. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — cafeína em suplemento: 75 a 200 mg/dia, 400 mg/dia só para atletas, alegações e advertência.
  16. Resolução RDC nº 273, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA, no AnvisaLegis — limite de 35 mg/100 mL de cafeína em composto líquido pronto para consumo; registrada como revogada pela RDC 719/2022.
  17. Dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA — a mesma base usada na página O que existe no Brasil.
  18. Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — cafeína no Programa de Monitoramento, não proibida.
  19. E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
  20. API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.

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