Maca peruana (Lepidium meyenii)
Aqui o vídeo acerta o principal: em ensaios controlados, a maca melhorou o desejo sem mexer na testosterona. Mas os ciclistas não bateram o placebo, e a fertilidade não se confirmou.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.
Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.
A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.
Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.
Resumo
A maca é a raiz de uma planta dos Andes peruanos. Ao contrário da maioria dos suplementos vendidos para homens, ela não promete hormônio, e os ensaios confirmam: em homens saudáveis, 1,5 a 3 g por dia por 12 semanas melhoraram o desejo sexual a partir da 8ª semana sem alterar testosterona, estradiol, LH ou FSH. A base é pequena: uma revisão de 2010 achou 4 ensaios e chamou a evidência de "limitada". Os ciclistas melhoraram contra a própria linha de base, não contra o placebo. Na fertilidade, os ensaios com placebo são mistos, e uma meta-análise de 2022 não achou efeito na concentração de espermatozoides. As diferenças entre maca amarela, vermelha e preta vêm de estudos em ratos.
Por que esta página existe
A maca peruana aparece descrita em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como a raiz andina que "destrava o desejo e a disposição" sem alterar "um único miligrama" de testosterona, estrogênio ou progesterona — e que, por isso, seria "melhor do que qualquer pílula azul". Os vídeos citam ensaios duplo-cegos, um estudo do Massachusetts General Hospital com usuários de antidepressivos, um artigo da Andrologia de 2002, um estudo da Universidade Peruana Cayetano Heredia com 9 homens, ciclistas que teriam "batido o placebo" nos 40 km, e ratos em que só a maca preta melhorou os espermatozoides. Afirmam ainda que as cápsulas de farmácia de 400 mg vêm "subdosadas de propósito", que os estudos usam 1.500 a 3.000 mg por dia, e que cada cor tem uma função: amarela para energia, vermelha para a próstata, preta para músculo e potência.
Levantei as alegações de 3 vídeos curtos, separei as 22 que são verificáveis e procurei cada estudo citado e cada número. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
Esta é uma página em que o vídeo acerta mais do que o normal. A frase central — a maca aumenta o desejo sem mexer nos hormônios — é o que os ensaios do grupo peruano mostraram. O exagero está no resto.
A maca (Lepidium meyenii) é uma planta da família da mostarda (Brassicaceae). Segundo Gonzales e colegas (2003), ela cresce só entre 4.000 e 4.500 metros de altitude, nos Andes centrais do Peru, e a parte usada é o hipocótilo, a raiz tuberosa. Segundo a revisão toxicológica de Valerio e Gonzales (2005), é consumida como alimento e usada na medicina tradicional andina pelo menos desde o século XVII. Uma revisão de 2024 conta até 17 cores (fenótipos) de maca; as mais estudadas são a amarela, a vermelha e a preta.
O mecanismo é desconhecido, e isso é dito pelos próprios pesquisadores
Os estudos humanos mostram efeito no desejo sem mudança hormonal — o que deixa o mecanismo em aberto. A revisão de Valerio e Gonzales (2005) diz que "há dados inadequados sobre o mecanismo de ação preciso da maca".
A explicação pelo sistema endocanabinoide, que um dos vídeos apresenta como fato, vem de laboratório: quatro macamidas — compostos característicos da maca — inibiram a enzima que degrada os endocanabinoides (FAAH) em teste in vitro, em concentrações de 1 a 100 μM (Alasmari 2019). Não achei estudo humano que mostre esse efeito, nem que a maca "despenque" o cortisol ou relaxe os vasos.
Quanta evidência existe, de verdade
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| Base | Consulta | Resultado |
|---|---|---|
| PubMed | Lepidium meyenii | 1.680 artigos |
| PubMed | (Lepidium meyenii) AND (sexual OR libido OR erectile OR semen OR sperm OR testosterone) | 138 artigos |
| PubMed | (Lepidium meyenii) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 23 artigos |
| PubMed | (Lepidium meyenii) AND (testosterone) AND humans[MeSH Terms] | 16 artigos |
| PubMed | (Lepidium meyenii) AND (macamide OR macamides) | 67 artigos |
| PubMed | (Lepidium meyenii) AND (boron OR zinc) AND (ashwagandha OR Withania) | 1 artigo |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: Lepidium meyenii | 18 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: (Lepidium meyenii) AND AREA[Phase]PHASE3 | 3 ensaios de fase 3 |
Leitura honesta desses números
- Os 23 artigos com marcação de ensaio ou meta-análise não são todos de maca para sexo ou fertilidade. Há meta-análises amplas de plantas para menopausa, ansiedade, osteoartrite e parasitas intestinais que incluem a maca entre outras, e ensaios de desempenho esportivo.
- As 3 fases 3 são do Massachusetts General Hospital, de disfunção sexual causada por antidepressivo. Uma terminou com 45 mulheres, outra com 20 participantes, e a terceira foi interrompida com 8; as três têm resultados postados no registro.
- O ClinicalTrials.gov inclui um falso positivo. Um dos 18 registros é um estudo de autismo cuja sigla é "MACA".
- A combinação com zinco, boro e ashwagandha tem 1 artigo, e não é um estudo da combinação: é uma revisão de "boosters" de testosterona que cita cada um separadamente.
- Um grupo de pesquisa domina a base clínica antiga. Os ensaios de hormônio, desejo e sêmen de 2001 a 2003 são da Universidade Peruana Cayetano Heredia; os de 2002 e 2003 usaram o mesmo produto de maca gelatinizada. NÃO VERIFIQUEI o financiamento desses estudos.
- Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
Os estudos que sustentam as alegações
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos clínicos concretos por trás do que se diz sobre a maca. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.
| Estudo | N | Contexto | O que relatou | Ressalva |
|---|---|---|---|---|
| Gonzales et al., 2002 Andrologia 34(6):367-72 · PMID 12472620 | não informado no resumo | Homens de 21 a 56 anos; 1.500 mg, 3.000 mg ou placebo por 12 semanas, duplo-cego | Desejo sexual melhor desde a 8ª semana; testosterona e estradiol iguais aos do placebo; efeito independente de humor e ansiedade | Desejo autorrelatado |
| Gonzales et al., 2003 J Endocrinol 176(1):163-8 · PMID 12525260 | não informado no resumo | Mesmo desenho, mesmas doses | LH, FSH, prolactina, 17-hidroxiprogesterona, testosterona e estradiol sem nenhuma mudança contra placebo | Mesmo grupo e mesmo produto |
| Gonzales et al., 2001 Asian J Androl 3(4):301-3 · PMID 11753476 | 9 | Homens normais de 24 a 44 anos; 1.500 ou 3.000 mg/dia por 4 meses | Volume de sêmen, contagem, espermatozoides móveis e mobilidade subiram; hormônios iguais | Sem grupo placebo; 9 homens |
| Stone et al., 2009 J Ethnopharmacol 126(3):574-6 · PMID 19781622 | 8 | Ciclistas treinados; extrato de maca ou placebo por 14 dias, cruzado | Tempo nos 40 km melhorou contra a linha de base (p = 0,01), mas não contra o placebo (p > 0,05); desejo melhor contra placebo (p = 0,03) | Estudo piloto de 8 pessoas |
| Zenico et al., 2009 Andrologia 41(2):95-9 · PMID 19260845 | 50 | Homens com disfunção erétil leve; 2.400 mg de extrato seco ou placebo, 12 semanas | IIEF-5 +1,6 ± 1,1 com maca contra +0,5 ± 0,6 com placebo (p < 0,001) | Os autores falam em efeito "pequeno, mas significativo" |
| Dording et al., 2008 CNS Neurosci Ther 14(3):182-91 · PMID 18801111 | 20 (17 mulheres) | Disfunção sexual causada por antidepressivo; 1,5 ou 3,0 g/dia, Massachusetts General Hospital | Com 3,0 g/dia, escores de disfunção melhoraram; com 1,5 g/dia, não | Sem placebo (compara doses); só 10 completaram |
| Dording et al., 2015 Evid Based Complement Alternat Med 2015:949036 · PMID 25954318 | 45 mulheres | Disfunção sexual por antidepressivo; 3,0 g/dia ou placebo, 12 semanas | Remissão maior com maca (por exemplo, 30,0% contra 20,0% num dos critérios), sobretudo na pós-menopausa | Mulheres; taxas de remissão baixas nos dois grupos |
| Alcalde e Rabasa, 2020 Andrologia 52(10):e13755 · PMID 32654242 | 69 | Homens com alteração leve do sêmen; 2 g/dia ou placebo, 12 semanas | Concentração de espermatozoides maior com maca (15,04 contra 10,16; p = 0,011); volume, mobilidade e morfologia iguais | Estudo piloto |
| Melnikovova et al., 2021 Phytother Res 35(11):6359-6368 · PMID 34585449 | 50 | Homens inférteis; maca amarela ou placebo, 16 semanas | Concentração +40% com maca e +76% com placebo, sem diferença significativa; testosterona livre caiu com maca | Os autores dizem que os resultados não bastam para avaliar eficácia |
| Shin et al., 2010 (revisão sistemática) BMC Complement Altern Med 10:44 · PMID 20691074 | 4 ensaios | Função sexual | Evidência "limitada"; número de ensaios, tamanho e qualidade insuficientes para conclusão firme | Revisão de 2010 |
| Lee et al., 2022 (meta-análise) Front Pharmacol 13:934740 · PMID 36110519 | 5 ensaios | Qualidade do sêmen | Sem efeito na concentração de espermatozoides contra placebo (diferença 2,22; IC 95% −2,94 a 7,37; p = 0,4) | Poucos ensaios e poucos participantes |
A revisão de Morgado e colegas (2024) sobre "boosters" de testosterona encontrou 2 estudos de Lepidium meyenii e não a incluiu entre os eficazes para subir a testosterona total — o que, no caso da maca, é coerente com o que ela promete.
Doses usadas em estudos humanos publicados
Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem.
| Estudo | Dose | Duração | Finalidade do estudo |
|---|---|---|---|
| Gonzales et al., 2002 e 2003 | 1.500 ou 3.000 mg/dia de maca gelatinizada | 12 semanas | Desejo sexual e hormônios em homens saudáveis |
| Gonzales et al., 2001 | 1.500 ou 3.000 mg/dia em comprimidos | 4 meses | Sêmen em homens normais |
| Zenico et al., 2009 | 2.400 mg/dia de extrato seco | 12 semanas | Disfunção erétil leve |
| Dording et al., 2008 | 1,5 ou 3,0 g/dia | Não informado no resumo | Disfunção sexual por antidepressivo |
| Dording et al., 2015 | 3,0 g/dia | 12 semanas | Disfunção sexual por antidepressivo em mulheres |
| Alcalde e Rabasa, 2020 | 2 g/dia | 12 semanas | Sêmen em infertilidade leve |
| Stone et al., 2009 | Extrato de maca (quantidade não informada no resumo) | 14 dias | Ciclismo e desejo |
A faixa de 1.500 a 3.000 mg por dia que os vídeos citam é, de fato, a usada na maioria dos ensaios. Uma cápsula de 400 mg está abaixo dela; se isso é "de propósito", não há como saber.
As cores: o que vem de rato e o que vem de gente
- Maca preta e espermatozoides: rato. Gonzales e colegas (2006) deram as três cores a ratos por 7 e 42 dias. Só a preta aumentou a produção diária de espermatozoides e a mobilidade no epidídimo. A frase do vídeo, "em ratos, só a maca preta aumentou a motilidade", está correta — e é sobre ratos.
- Maca vermelha e próstata: rato. Em ratos com crescimento da próstata induzido por testosterona, o extrato de maca vermelha reduziu o peso da próstata de forma dependente da dose (Gasco 2007). No estudo de 2006, a vermelha reduziu o peso da próstata em ratos normais. Não achei ensaio em homens.
- Maca amarela para energia e preta para músculo: sem estudo. Não localizei ensaio humano comparando cores para energia ou massa muscular. O único ensaio em homens que especifica a cor (Melnikovova 2021, amarela) não achou efeito na fertilidade.
- A revisão que mais defende as cores tem conflito declarado. Os autores da revisão de 2024 sobre as cores declaram ser contratados ou ter interesse comercial numa empresa que vende suplemento de maca.
- "A preta é só 15% da colheita" — não achei fonte para o número.
Das 22 alegações, 7 se confirmam
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | Veredito |
|---|---|---|
| Em ensaios duplo-cegos, aumenta o desejo sem alterar testosterona, estrogênio ou progesterona | Desejo melhor desde a 8ª semana; testosterona, estradiol e 17-hidroxiprogesterona iguais aos do placebo (Gonzales 2002 e 2003) | Confirmado |
| Andrologia, 2002, duplo-cego, 12 semanas: desejo sobe a partir da 8ª semana; testosterona e estradiol não mudam | Exatamente isso (Gonzales 2002) | Confirmado |
| O mecanismo "não passa pelo hormônio"; a ciência "ainda tenta desenhar" a via | Hormônios sem mudança; mecanismo declarado como desconhecido (Valerio e Gonzales 2005) | Confirmado |
| É "tônico periférico", sem efeito no eixo hormonal (crítica feita em outro vídeo) | Coerente com os ensaios: o eixo não muda (Gonzales 2003) | Confirmado |
| Os estudos que funcionam usam 1.500 a 3.000 mg/dia, de forma contínua | É a faixa da maioria dos ensaios (Gonzales; Dording) | Confirmado |
| Gonzales, Cayetano Heredia, 9 homens, 4 meses: volume, contagem e mobilidade subiram; hormônio igual | Exatamente isso (Gonzales 2001), sem grupo placebo | Confirmado |
| Em ratos, só a maca preta aumentou a mobilidade dos espermatozoides | Exatamente isso, em ratos (Gonzales 2006) | Confirmado |
| Massachusetts General Hospital: reduziu a disfunção "até em pacientes com antidepressivos pesados" | Melhora com 3,0 g/dia num piloto de 20 (sem placebo) e remissão um pouco maior que o placebo em 45 mulheres (Dording 2008 e 2015) | Parcialmente |
| Fertilidade: "não é suposição, é medição" | Um ensaio com placebo viu mais concentração (Alcalde 2020), outro não (Melnikovova 2021); a meta-análise de 2022 não achou efeito na concentração | Parcialmente |
| Cápsulas de 400 mg vêm "subdosadas de propósito" | Estão abaixo das doses dos ensaios; a intenção não é verificável | Parcialmente |
| Ciclistas: 14 dias de extrato "bateram o placebo nos 40 km" | Melhoraram contra a linha de base, mas não contra o placebo (Stone 2009) | Não sustentado |
| "Melhor do que qualquer pílula azul" | Nenhum ensaio comparou com remédio para ereção; na disfunção erétil leve, o ganho foi de 1,6 ponto no IIEF-5 contra 0,5 do placebo (Zenico 2009) | Não sustentado |
| Transforma em "máquina de potência na hora H" | Os efeitos medidos apareceram depois de semanas de uso e foram pequenos | Não sustentado |
| As macamidas regulam o sistema endocanabinoide | Inibição da FAAH por macamidas em teste de laboratório (Alasmari 2019) | Estudo em animal ou in vitro |
| A maca vermelha protege a próstata | Próstata menor em ratos (Gasco 2007; Gonzales 2006) | Estudo em animal ou in vitro |
| A maca preta é a "usina de ganho muscular e potência" | Só dado de espermatozoides em ratos (Gonzales 2006); nada sobre músculo | Estudo em animal ou in vitro |
| O cortisol "despenca" | Não localizei estudo humano de maca que meça cortisol | Sem estudo em humanos |
| Os vasos relaxam e o fluxo periférico aumenta | Não localizei estudo humano | Sem estudo em humanos |
| A maca amarela é para "energia geral" | Não localizei estudo comparando cores para energia | Sem estudo em humanos |
| Empilhar com zinco quelato, boro e ashwagandha KSM-66 | Nenhum estudo da combinação; o único artigo da busca é uma revisão | Sem estudo em humanos |
| Protocolo para testosterona "+147% em 28 dias" | Nenhuma fonte; e a maca, justamente, não sobe testosterona | Sem estudo em humanos |
| A maca preta é "só 15% de uma colheita" | Nenhuma fonte citada; não localizei | Número não encontrado na fonte citada |
Placar: 7 confirmadas, 3 parcialmente, 3 não sustentadas, 3 com dado só em animal ou in vitro, 5 sem estudo em humanos e 1 com número não encontrado na fonte citada.
Segurança, efeitos adversos e interações
- Toxicidade baixa em animal e em célula. Segundo a revisão de Valerio e Gonzales (2005), escrita por um cientista da FDA com o principal pesquisador peruano da maca, a planta tem baixa toxicidade aguda oral em animais e baixa toxicidade celular in vitro; os autores pedem padronização de qualidade e mais estudos clínicos.
- Bem tolerada nos ensaios. Os ensaios do Massachusetts General Hospital descrevem a maca como "bem tolerada".
- Interação com antidepressivo. Num levantamento polonês de 1.816 notificações de eventos adversos, houve um caso de síndrome das pernas inquietas atribuído à combinação de maca com mianserina (Siwek 2023). É um relato, não uma frequência.
- A testosterona livre caiu num ensaio. Em 50 homens inférteis, a maca amarela reduziu a testosterona livre (Melnikovova 2021). O significado clínico não foi discutido no resumo.
- Metais pesados: não localizei estudo de contaminação de produtos de maca no PubMed.
- Quem não deve usar: não achei contraindicação formal. Quem usa antidepressivo e pensa em somar maca tem ao menos um relato de interação para considerar — inferência minha a partir do levantamento polonês.
Status regulatório
- Brasil, suplemento alimentar: Lepidium meyenii não consta do Anexo I da IN 28/2018 (versão consolidada até a IN 470, de 16 de setembro de 2026). Pela RDC 243/2018 (art. 4º), os constituintes de suplemento se restringem a essa lista, e pelo art. 16 não há alegação autorizada fora do Anexo V. NÃO VERIFIQUEI a situação da maca como alimento comum (farinha) no Brasil.
- Brasil, medicamento: nenhum registro, ativo ou inativo, no dado aberto da ANVISA (tabela abaixo).
- Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI a situação da maca.
- WADA: a maca não aparece na Lista Proibida de 2026.
No Brasil, busquei no dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA, no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa.
| Princípio ativo | Padrão buscado | Registros ativos | Classe terapêutica declarada | Produtos |
|---|---|---|---|---|
| Lepidium meyenii, maca peruana | lepidium meyenii|maca peruana|\bmaca\b | 0 | — | Nenhum registro, ativo ou inativo |
O que este levantamento não fez
- Li resumos, não os artigos inteiros. Não confirmei o número de participantes dos ensaios de 2002 e 2003, que não está nos resumos, nem quem os financiou.
- Não verifiquei a situação da maca como alimento no Brasil, nem nos EUA e na União Europeia.
- Não achei fonte para o "15% da colheita" de maca preta.
- Não procurei estudos de contaminação fora do PubMed.
- Não avaliei zinco, boro e ashwagandha, que têm páginas próprias: Zinco, Boro e Ashwagandha.
Referências
- Gonzales GF, Córdova A, Vega K, et al. Effect of Lepidium meyenii (MACA) on sexual desire and its absent relationship with serum testosterone levels in adult healthy men. Andrologia. 2002;34(6):367-72. PMID 12472620 — o estudo de 2002: desejo desde a 8ª semana, testosterona e estradiol iguais.
- Gonzales GF, Córdova A, Vega K, et al. Effect of Lepidium meyenii (Maca), a root with aphrodisiac and fertility-enhancing properties, on serum reproductive hormone levels in adult healthy men. J Endocrinol. 2003;176(1):163-8. PMID 12525260 — nenhum hormônio reprodutivo mudou.
- Gonzales GF, Cordova A, Gonzales C, et al. Lepidium meyenii (Maca) improved semen parameters in adult men. Asian J Androl. 2001;3(4):301-3. PMID 11753476 — os 9 homens, sem placebo.
- Stone M, Ibarra A, Roller M, et al. A pilot investigation into the effect of maca supplementation on physical activity and sexual desire in sportsmen. J Ethnopharmacol. 2009;126(3):574-6. PMID 19781622 — os ciclistas: melhora contra a linha de base, não contra o placebo.
- Zenico T, Cicero AF, Valmorri L, et al. Subjective effects of Lepidium meyenii (Maca) extract on well-being and sexual performances in patients with mild erectile dysfunction: a randomised, double-blind clinical trial. Andrologia. 2009;41(2):95-9. PMID 19260845 — efeito "pequeno" na disfunção erétil leve.
- Dording CM, Fisher L, Papakostas G, et al. A double-blind, randomized, pilot dose-finding study of maca root (L. meyenii) for the management of SSRI-induced sexual dysfunction. CNS Neurosci Ther. 2008;14(3):182-91. PMID 18801111 — o piloto do Massachusetts General Hospital.
- Dording CM, Schettler PJ, Dalton ED, et al. A double-blind placebo-controlled trial of maca root as treatment for antidepressant-induced sexual dysfunction in women. Evid Based Complement Alternat Med. 2015;2015:949036. PMID 25954318 — 45 mulheres, NCT00568126.
- Alcalde AM, Rabasa J. Does Lepidium meyenii (Maca) improve seminal quality? Andrologia. 2020;52(10):e13755. PMID 32654242 — concentração maior com 2 g/dia.
- Melnikovova I, Russo D, Fait T, et al. Evaluation of the effect of Lepidium meyenii Walpers in infertile patients: A randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Phytother Res. 2021;35(11):6359-6368. PMID 34585449 — sem efeito na fertilidade; testosterona livre caiu.
- Shin BC, Lee MS, Yang EJ, et al. Maca (L. meyenii) for improving sexual function: a systematic review. BMC Complement Altern Med. 2010;10:44. PMID 20691074 — evidência "limitada" em 4 ensaios.
- Lee HW, Lee MS, Qu F, et al. Maca (Lepidium meyenii Walp.) on semen quality parameters: A systematic review and meta-analysis. Front Pharmacol. 2022;13:934740. PMID 36110519 — sem efeito na concentração de espermatozoides.
- Morgado A, Tsampoukas G, Sokolakis I, et al. Do "testosterone boosters" really increase serum total testosterone? A systematic review. Int J Impot Res. 2024;36(4):348-364. PMID 37697053 — a maca não está entre os que sobem testosterona.
- Gonzales C, Rubio J, Gasco M, et al. Effect of short-term and long-term treatments with three ecotypes of Lepidium meyenii (MACA) on spermatogenesis in rats. J Ethnopharmacol. 2006;103(3):448-54. PMID 16174556 — as três cores em ratos; só a preta melhorou os espermatozoides.
- Gasco M, Villegas L, Yucra S, et al. Dose-response effect of Red Maca (Lepidium meyenii) on benign prostatic hyperplasia induced by testosterone enanthate. Phytomedicine. 2007;14(7-8):460-4. PMID 17289361 — maca vermelha e próstata em ratos.
- Alasmari M, Bӧhlke M, Kelley C, et al. Inhibition of Fatty Acid Amide Hydrolase (FAAH) by Macamides. Mol Neurobiol. 2019;56(3):1770-1781. PMID 29926378 — o sistema endocanabinoide, só in vitro.
- Valerio LG Jr, Gonzales GF. Toxicological aspects of the South American herbs cat's claw (Uncaria tomentosa) and Maca (Lepidium meyenii): a critical synopsis. Toxicol Rev. 2005;24(1):11-35. PMID 16042502 — toxicidade baixa em animal; mecanismo desconhecido; uso desde o século XVII.
- Minich DM, Ross K, Frame J, et al. Not All Maca Is Created Equal: A Review of Colors, Nutrition, Phytochemicals, and Clinical Uses. Nutrients. 2024;16(4):530. PMID 38398854 — 17 cores; autores com interesse comercial declarado.
- Siwek M, Woroń J, Wrzosek A, et al. Harder, better, faster, stronger? Retrospective chart review of adverse events of interactions between adaptogens and antidepressant drugs. Front Pharmacol. 2023;14:1271776. PMID 37829299 — maca com mianserina e pernas inquietas.
- Registros consultados no ClinicalTrials.gov: NCT00568126, NCT00181961, NCT00575328 — os três ensaios de fase 3, todos do Massachusetts General Hospital.
- Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — a maca não consta do Anexo I.
- Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — constituintes (art. 4º) e alegações (art. 16) restritos às listas da IN 28/2018.
- Dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA — a mesma base usada na página O que existe no Brasil.
- Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — a maca não aparece.
- E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
- API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.