Parabenos e ftalatos em shampoo e cosméticos
O "99,1%" existe, mas é de urina de americanos de todas as idades, não de sangue de homens; o butilparabeno baixou testosterona em ratos, e em homens os estudos não concordam.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.
Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.
A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.
Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.
Resumo
Os parabenos são conservantes de cosméticos, remédios e alimentos, e aparecem na urina de quase todo mundo: metilparabeno em 99,1% de 2.548 americanos testados em 2005–2006. Eles agem como estrogênio fraco, de 10 mil a 100 mil vezes menos potente que o estradiol nos testes de laboratório, e o corpo os quebra e elimina em horas, sem acúmulo. Em ratos, doses altas de butilparabeno baixaram testosterona e espermatozoides em alguns estudos e em outros não. Em homens, há estudos com associação e estudos sem. A regra não ficou parada: a Europa proibiu cinco parabenos em 2014, e o Brasil limita butil e propilparabeno a 0,14%. Trocar de produto baixou parabenos na urina em 3 dias.
Por que esta página existe
O shampoo aparece descrito em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como algo que "injeta estrogênio no sangue todo dia". O roteiro: parabenos e ftalatos entram pela pele no banho e "imitam o estrogênio"; um estudo de 2005 com 2.548 amostras teria detectado parabeno em 99,1% "dos homens"; uma universidade teria mostrado em 2014 que o butilparabeno "derruba a testosterona e reduz a produção de esperma em machos"; os parabenos estariam em "mais de 22 mil formulações" desde os anos 1920, e a aprovação original "não teve nenhum dado sobre disrupção endócrina e nunca foi revisada de forma vinculante". A legenda cita dois artigos — um de 2023 sobre parabenos e sêmen e uma revisão de 2010 sobre desregulação endócrina —, fala em "acúmulo contínuo através da pele" e atribui a aprovação a conflito de interesse. A saída proposta é eliminar e substituir os produtos com parabenos e ftalatos, com um "protocolo" que não é descrito.
Esta página trata de algo que se evita, não de algo que se toma. Os ftalatos em geral, e o que reduz sua presença na urina, estão na página sobre plásticos (ver a página bpa-ftalatos-plasticos); aqui eles entram pelo lado dos cosméticos.
Levantei as alegações de 1 vídeo curto e da sua legenda, e conferi 12 delas. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
O que são os parabenos, e o que o corpo faz com eles
- São conservantes, usados há décadas. São ésteres do ácido p-hidroxibenzoico (metil, etil, propil, butil e outros), usados em cosméticos, remédios e processamento de alimentos (Calafat 2010). Uma revisão de 2001 os descreve como conservantes de alimentos, remédios e cosméticos usados "há mais de 50 anos" (Soni 2001). O painel americano de revisão de ingredientes cosméticos registrou o uso em "mais de 22.000 cosméticos", em concentração de até 0,4% para um parabeno e 0,8% para misturas (CIR 2008).
- São estrogênios fracos. Num teste com levedura, o butilparabeno, o mais potente dos quatro mais usados, foi 10.000 vezes menos potente que o estradiol; injetado sob a pele de ratas jovens, foi cerca de 100.000 vezes menos potente; por boca, os parabenos não tiveram efeito (Routledge 1998). O painel americano descreve ligação ao receptor de estrogênio "ordens de grandeza" menor que a do estradiol (CIR 2008).
- Passam pela pele, mas a pele e o fígado os quebram. Segundo o painel americano, enzimas da própria pele quebram os parabenos, e só cerca de 1% chegaria intacto ao corpo; eles não se acumulam (CIR 2008). A revisão citada nos vídeos diz algo parecido e acrescenta uma ressalva: apesar da absorção total alta, pouco parabeno intacto aparece no sangue e na urina, mas os metabólitos podem ter papel, e a margem de segurança do propilparabeno no pior cenário de exposição é baixa (Boberg 2010).
- Saem em horas. Depois de uma dose de 10 mg por boca, de 80,5% a 85,3% do que foi recuperado saiu na urina nas primeiras 24 horas (Moos 2016).
- Quando o creme cobre o corpo todo, eles aparecem no sangue. Em 26 jovens que passaram no corpo inteiro, por uma semana, um creme com 2% de butilparabeno e de dois ftalatos, o butilparabeno chegou a 135 µg/L no sangue poucas horas depois; os hormônios reprodutivos e da tireoide não mudaram por causa da exposição (Janjua 2007).
O "99,1%": urina de americanos de todas as idades
O estudo que bate com "2.548 amostras" e "99,1%" é da pesquisa nacional de saúde dos Estados Unidos de 2005–2006, não "Yannis 2005". O CDC analisou 2.548 amostras de urina de pessoas de 6 anos ou mais, homens e mulheres. O metilparabeno apareceu em 99,1% e o propilparabeno em 92,7%; o butilparabeno, o do vídeo, em 47%. Mulheres adolescentes e adultas tinham níveis mais altos que homens, o que os autores atribuem ao uso de produtos de higiene (Calafat 2010).
O que se viu em ratos
- Em alguns estudos, testosterona e espermatozoides caíram. Ratos recém-desmamados que comeram butilparabeno por 8 semanas, de 0,01% a 1% da dieta, tiveram menos espermatozoides e testosterona mais baixa a partir de 0,1% (Oishi 2001). Filhotes de ratas que receberam de 64 a 1.000 mg/kg por dia de butilparabeno na gestação e na amamentação tiveram testosterona mais baixa e menos espermatozoides, com diferença significativa a partir de 400 mg/kg; a dose sem efeito adverso foi 160 mg/kg por dia (Zhang 2014). É provavelmente o "estudo de 2014" dos vídeos, do centro chinês de controle de doenças.
- Em outro, nada. Uma repetição do desenho de 8 semanas, com mais animais e dieta de até 10.000 ppm, cerca de 1.000 mg/kg por dia de butil ou metilparabeno, não achou efeito em nenhum parâmetro reprodutivo; os autores atribuem isso à quebra rápida do parabeno por enzimas (Hoberman 2008).
- O painel americano usou a dose sem efeito de 1.000 mg/kg por dia desse estudo maior para calcular margens de segurança de 840 a 1.690 vezes para adultos (CIR 2008).
O que se mediu em homens
- Um estudo chinês achou associação com sêmen pior. Em 795 parceiros de casais que planejavam engravidar, a mistura de parabenos na urina se associou a concentração, contagem total e motilidade menores; o butilparabeno pesou mais na concentração, e o metilparabeno na motilidade (Shen 2023). É o estudo citado na legenda.
- Um polonês achou associação com testosterona mais baixa. Em 315 homens de clínica de infertilidade com concentração de espermatozoides normal, os parabenos na urina se associaram a mais espermatozoides de forma anormal, menor motilidade e testosterona mais baixa (Jurewicz 2017).
- Dois não acharam. Em homens de uma clínica de infertilidade de Boston, metil e propilparabeno não se associaram a hormônios nem a sêmen; o butilparabeno se associou a mais dano ao DNA do espermatozoide (Meeker 2011, com 132 a 190 homens conforme o desfecho). Em 42 japoneses, nenhuma associação (Nishihama 2017).
- Ninguém mediu libido. Não localizei estudo de parabeno e libido em homens.
- Os ftalatos têm evidência mais firme, mas por outro caminho. Para o DEHP e o DBP, a revisão sistemática da agência ambiental americana achou evidência robusta de associação com desfechos reprodutivos masculinos (Radke 2018); o sinal é antiandrogênico, não de "imitar estrogênio" (ver a página bpa-ftalatos-plasticos).
Quanta evidência existe, de verdade
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| Base | Consulta | Resultado |
|---|---|---|
| PubMed | parabens OR paraben | 4.495 artigos |
| PubMed | (parabens OR paraben) AND (sperm OR semen) | 68 artigos |
| PubMed | (parabens OR paraben) AND (testosterone) | 63 artigos |
| PubMed | (parabens OR paraben) AND (sperm OR semen OR testosterone) AND (humans[MeSH Terms]) | 73 artigos |
| PubMed | (parabens OR paraben) AND (sperm OR semen OR testosterone) AND (Meta-Analysis[Publication Type]) | 0 artigos |
| PubMed | (parabens OR paraben) AND (dermal OR skin) AND (absorption) | 87 artigos |
| PubMed | (parabens OR paraben) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type]) | 20 artigos |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: paraben | 46 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | termo livre (query.term): paraben AND (sperm OR semen OR testosterone) | 7 estudos registrados |
Leitura honesta desses números
- Não há meta-análise de parabeno com sêmen ou testosterona. A busca devolve zero. O que existe são estudos isolados, quase todos transversais, com uma amostra de urina.
- Os 46 registros de "intervenção com parabeno" são, na maioria, remédios e cremes que têm parabeno como conservante. O parabeno aparece na fórmula; não é o que se testa. Entre os 20 que abri, os dois sobre exposição são da mesma empresa privada de biomonitoramento que aparece na página sobre plásticos.
- Os "ensaios randomizados" também testam outra coisa. Dos 20 artigos com esse filtro, a maioria testa remédios, curativos ou dietas, em que o parabeno é conservante ou aparece por acaso; dois testam orientação para reduzir a exposição a químicos, em mães de crianças pequenas e no período perinatal. Nenhum é de parabeno contra placebo com desfecho hormonal.
- A urina mede o que passou, não o que ficou. O parabeno sai em horas (Moos 2016); uma amostra de urina diz pouco sobre a média de semanas, o que enfraquece os estudos de associação.
- Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
Os estudos que sustentam (ou não) as alegações
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre parabenos, ftalatos e saúde masculina.
| Estudo | N | Contexto | O que relatou | Ressalva |
|---|---|---|---|---|
| Calafat et al., 2010 Environ Health Perspect 118(5):679-85 · PMID 20056562 | 2.548 amostras de urina | População americana de 6 anos ou mais, 2005–2006 | Metilparabeno em 99,1%; propil 92,7%; butil 47%; mulheres com níveis maiores | Urina, não sangue; homens e mulheres |
| Routledge et al., 1998 Toxicol Appl Pharmacol 153(1):12-9 · PMID 9875295 | — | Levedura e útero de ratas | Butilparabeno 10.000 vezes menos potente que o estradiol in vitro e 100.000 vezes sob a pele; inativo por boca | Laboratório e animal |
| Janjua et al., 2007 Environ Sci Technol 41(15):5564-70 · PMID 17822133 | 26 homens jovens | Creme no corpo inteiro com 2% de butilparabeno, DEP e DBP, 1 semana | Butilparabeno no sangue a 135 µg/L; hormônios reprodutivos e da tireoide sem efeito da exposição | Curto; dose de creme no corpo todo, não shampoo |
| Moos et al., 2016 Arch Toxicol 90(11):2699-2709 · PMID 26608183 | voluntários (N não informado no resumo) | 10 mg por boca, marcado | 80,5–85,3% do recuperado eliminado em 24 h | Via oral |
| Oishi, 2001 Toxicol Ind Health 17(1):31-9 · PMID 12004923 | ratos (8 por grupo) | Butilparabeno na dieta, 8 semanas | Menos espermatozoides; testosterona menor a partir de 0,1% | Animal |
| Zhang et al., 2014 Environ Toxicol Pharmacol 37(2):705-17 · PMID 24607685 | ratas e filhotes | 64 a 1.000 mg/kg/dia na gestação e amamentação | Testosterona menor; menos espermatozoides a partir de 400 mg/kg; dose sem efeito 160 mg/kg | Animal; dose alta |
| Hoberman et al., 2008 Birth Defects Res B Dev Reprod Toxicol 83(2):123-33 · PMID 18393383 | ratos | Até 10.000 ppm na dieta, 8 semanas | Nenhum efeito reprodutivo | Animal; repetição que não confirmou |
| Shen et al., 2023 Ecotoxicol Environ Saf 264:115453 · PMID 37688867 | 795 homens | Parceiros de casais em pré-concepção, China | Mistura de parabenos associada a sêmen pior | Transversal; uma amostra de urina |
| Jurewicz et al., 2017 J Occup Environ Med 59(11):1034-1040 · PMID 28692609 | 315 homens | Clínica de infertilidade, Polônia | Associação com forma anormal, menor motilidade e testosterona mais baixa | Transversal |
| Meeker et al., 2011 Environ Health Perspect 119(2):252-7 · PMID 20876036 | 132 a 190 homens | Clínica de infertilidade, Boston | Sem associação com hormônios ou sêmen; butilparabeno com mais dano ao DNA | Transversal; os autores citam amostra modesta |
| Nishihama et al., 2017 Environ Health Prev Med 22(1):5 · PMID 29165110 | 42 homens | Clínica em Tóquio | Sem associação | Muito pequeno |
| Boberg et al., 2010 Reprod Toxicol 30(2):301-12 · PMID 20381602 | — | Revisão | Pouco parabeno intacto no sangue; metabólitos podem importar; margem baixa para propilparabeno no pior cenário | Revisão; recebeu comentário publicado em 2011 |
| Harley et al., 2016 Environ Health Perspect 124(10):1600-1607 · PMID 26947464 | 100 meninas | Produtos rotulados "sem" ftalato, parabeno, triclosan e BP-3, 3 dias | Metilparabeno −43,9%; propil −45,4%; ftalato monoetílico −27,4%; etil e butilparabeno subiram | Sem grupo controle; adolescentes |
Exposições usadas nos estudos
Isto não é recomendação: é o registro de que exposição foi estudada, em quem e por quanto tempo.
| Estudo | Exposição | Duração | Em quem | O que o estudo queria medir |
|---|---|---|---|---|
| Janjua et al., 2007 | Creme com 2% de butilparabeno, DEP e DBP, 2 mg/cm² no corpo inteiro | 1 semana | 26 homens jovens | Absorção e hormônios |
| Moos et al., 2016 | 10 mg de parabeno marcado, por boca | Dose única | Voluntários | Metabolismo e eliminação |
| Oishi, 2001 | Butilparabeno de 0,01% a 1% da dieta | 8 semanas | Ratos recém-desmamados | Sistema reprodutor |
| Zhang et al., 2014 | Butilparabeno de 64 a 1.000 mg/kg/dia | Gestação e amamentação | Ratas e filhotes machos | Sistema reprodutor da prole |
| Hoberman et al., 2008 | Butil ou metilparabeno até 10.000 ppm na dieta | 8 semanas | Ratos | Sistema reprodutor |
| Harley et al., 2016 | Troca por produtos rotulados como livres desses químicos | 3 dias | 100 meninas | Químicos na urina |
O que de fato reduz a exposição
- Trocar os produtos de higiene baixou parabenos na urina em 3 dias. Em 100 meninas, o metilparabeno caiu 43,9% e o propilparabeno 45,4% com produtos rotulados como livres desses químicos; o etil e o butilparabeno, inesperadamente, subiram (Harley 2016).
- As regras separam o produto que fica na pele do que sai no enxágue. A europeia e a brasileira proíbem butil e propilparabeno em produto sem enxágue para a área da fralda. Não localizei estudo que compare a absorção de shampoo com a de creme em homens.
- Nenhum estudo mediu testosterona, sêmen ou libido depois da troca.
Das 12 alegações conferidas, 2 se confirmam, e as duas são sobre os artigos citados existirem
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa os rótulos confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | Veredito |
|---|---|---|
| O shampoo "injeta estrogênio no sangue todo dia" | Parabenos são estrogênios 10.000 a 100.000 vezes mais fracos que o estradiol (Routledge 1998), quebrados na pele e eliminados em horas (CIR 2008; Moos 2016) | Não sustentado |
| Parabenos e ftalatos entram pela pele no banho e imitam o estrogênio | Entram pela pele, mostrado com creme no corpo inteiro (Janjua 2007); parabenos têm ação estrogênica fraca; o sinal dos ftalatos é antiandrogênico (Radke 2018) | Parcialmente |
| Estudo de 2005 com 2.548 amostras: parabeno em 99,1% "dos homens" | É a pesquisa americana de 2005–2006: metilparabeno em 99,1% de 2.548 amostras de urina de homens e mulheres de 6 anos ou mais (Calafat 2010) | Parcialmente |
| Estudo de 2014: o butilparabeno "derruba a testosterona e reduz a produção de esperma em machos" | Em ratos expostos na gestação e na amamentação, a doses de 400 mg/kg/dia ou mais (Zhang 2014); outro estudo em ratos, com até cerca de 1.000 mg/kg/dia, não viu efeito (Hoberman 2008) | Estudo em animal ou in vitro |
| Desde os anos 1920, em mais de 22 mil formulações | "Mais de 22.000 cosméticos" está no relatório do painel americano de 2008 (CIR 2008); "mais de 50 anos" numa revisão de 2001 (Soni 2001); não verifiquei a data de 1920 | Parcialmente |
| A aprovação original não teve dados de disrupção endócrina e "nunca foi revisada de forma vinculante" | A Europa proibiu cinco parabenos em 2014 por falta de dados de segurança e limitou butil e propilparabeno a 0,14% (Regulamentos 358/2014 e 1004/2014); o Brasil adota os mesmos limites em norma obrigatória (RDC 528/2021); o painel americano revisou dados de disrupção endócrina em 2008 | Não sustentado |
| Artigo de 2023 documentou a associação entre parabenos e queda na qualidade do sêmen | Existe: 795 homens, mistura de parabenos associada a sêmen pior (Shen 2023) | Confirmado (associação, em estudo transversal) |
| Revisão de 2010 na Reproductive Toxicology, vol. 30, p. 301–312, sobre desregulação endócrina dos parabenos | Existe, com esses autores e páginas (Boberg 2010); é uma discussão de efeitos "possíveis" | Confirmado |
| "Acúmulo contínuo através da pele, dia após dia" | Os parabenos não se acumulam (CIR 2008); 80,5–85,3% saem na urina em 24 horas (Moos 2016) | Não sustentado |
| A agência aprovou "porque não existe conflito de interesse em produtos que faturam bilhões" | Nenhuma fonte citada e nenhuma localizada; as restrições europeias e brasileiras existem | Não sustentado |
| Testosterona baixa, sêmen de má qualidade e libido em queda vêm do que se esfrega na cabeça | Associações em dois estudos (Shen 2023; Jurewicz 2017) e nenhuma em dois (Meeker 2011; Nishihama 2017); creme no corpo inteiro não mudou hormônios em uma semana (Janjua 2007); libido não foi estudada | Parcialmente |
| Eliminar e substituir produtos com parabenos e ftalatos | Baixa metil e propilparabeno na urina em 3 dias, e sobe etil e butil (Harley 2016); ninguém mediu testosterona depois | Parcialmente |
Placar: 2 confirmadas, 5 parcialmente, 4 não sustentadas e 1 com estudo só em animal.
Quem tem mais motivo para reduzir a exposição
- Bebês. As regras europeia e brasileira proíbem butil e propilparabeno em produto sem enxágue para a área da fralda de crianças com menos de 3 anos; o comitê científico europeu não pôde excluir risco para bebês de menos de 6 meses, pelo metabolismo imaturo e pela pele lesada da área da fralda (Regulamento 1004/2014).
- Quem usa muito produto que fica na pele. Creme no corpo inteiro levou butilparabeno ao sangue em horas (Janjua 2007).
- Gestantes, quanto aos ftalatos. É o grupo em que a regulação de ftalatos mais se concentra (ver a página bpa-ftalatos-plasticos).
- Homens com testosterona baixa, sêmen alterado ou queda de libido. A evidência em homens é mista e transversal; causas comuns e tratáveis vêm antes.
Status regulatório
- Brasil, parabenos: a RDC 528/2021 da ANVISA, vigente, permite metil e etilparabeno até 0,4% cada e 0,8% somados, e butil e propilparabeno até 0,14% somados (expresso como ácido); proíbe isopropil, isobutil, fenil, benzil e pentilparabeno; e proíbe butil e propilparabeno em produto sem enxágue para a área da fralda de crianças com menos de 3 anos, com o aviso "Não usar nas áreas das fraldas" em produto sem enxágue para essa idade.
- Brasil, ftalatos em cosméticos: a RDC 529/2021, vigente com alterações até a RDC 1.030, de 11 de junho de 2026, proíbe o ftalato de bis(2-etilhexila) (DEHP) e o ftalato de bis(2-metoxietila); proíbe o ftalato de dibutila (DBP), salvo em produto para unhas de uso adulto até 15%, e o proíbe em produto infantil; e proíbe o ftalato de butilbenzila em produto infantil e, no adulto, a partir de 1%. NÃO VERIFIQUEI a situação do ftalato de dietila (DEP).
- União Europeia: o Regulamento 358/2014 proibiu isopropil, isobutil, fenil, benzil e pentilparabeno porque a indústria enviou pouca ou nenhuma informação de segurança; o Regulamento 1004/2014 limitou butil e propilparabeno a 0,14% somados e os proibiu em produto sem enxágue para a área da fralda de menores de 3 anos, valendo para o mercado a partir de 16 de abril de 2015.
- Estados Unidos: a FDA diz que não tem regra especial para conservantes em cosméticos e que, "no momento", não tem informação mostrando que parabenos, como usados em cosméticos, afetem a saúde humana (página atualizada em 18 de novembro de 2025).
- WADA: não se aplica.
O que este levantamento não fez
- Li resumos, não os artigos inteiros, salvo os textos das RDC 528/2021 e 529/2021 da ANVISA e dos regulamentos europeus 358/2014 e 1004/2014.
- Não localizei "Yannis 2005" com esse nome; os números batem com a pesquisa americana de 2005–2006 (Calafat 2010).
- Não verifiquei a data de "desde os anos 1920" nem a situação do ftalato de dietila nas normas brasileiras.
- Não avaliei os conservantes que substituem os parabenos, nem o risco de alergia de cada um.
- Não avaliei parabenos e câncer de mama, tema que aparece em revisões mas não nos vídeos.
- Não avaliei o "protocolo" de substituição dos vídeos: não é descrito.
Referências
- Calafat AM, Ye X, Wong LY, et al. Urinary concentrations of four parabens in the U.S. population: NHANES 2005-2006. Environ Health Perspect. 2010;118(5):679-85. PMID 20056562 — os 99,1% em 2.548 amostras de urina.
- Routledge EJ, Parker J, Odum J, et al. Some alkyl hydroxy benzoate preservatives (parabens) are estrogenic. Toxicol Appl Pharmacol. 1998;153(1):12-9. PMID 9875295 — estrogênio 10.000 a 100.000 vezes mais fraco.
- Final amended report on the safety assessment of Methylparaben, Ethylparaben, Propylparaben, Isopropylparaben, Butylparaben, Isobutylparaben, and Benzylparaben as used in cosmetic products. Int J Toxicol. 2008;27 Suppl 4:1-82. PMID 19101832 — "mais de 22.000 cosméticos"; não se acumulam; margens de segurança.
- Soni MG, Burdock GA, Taylor SL, Greenberg NA. Safety assessment of propyl paraben: a review of the published literature. Food Chem Toxicol. 2001;39(6):513-32. PMID 11346481 — uso "há mais de 50 anos".
- Boberg J, Taxvig C, Christiansen S, Hass U. Possible endocrine disrupting effects of parabens and their metabolites. Reprod Toxicol. 2010;30(2):301-12. PMID 20381602 — a revisão citada na legenda.
- Moos RK, Angerer J, Dierkes G, et al. Metabolism and elimination of methyl, iso- and n-butyl paraben in human urine after single oral dosage. Arch Toxicol. 2016;90(11):2699-2709. PMID 26608183 — eliminação em 24 horas.
- Janjua NR, Mortensen GK, Andersson AM, et al. Systemic uptake of diethyl phthalate, dibutyl phthalate, and butyl paraben following whole-body topical application and reproductive and thyroid hormone levels in humans. Environ Sci Technol. 2007;41(15):5564-70. PMID 17822133 — absorção pela pele, sem efeito hormonal em uma semana.
- Oishi S. Effects of butylparaben on the male reproductive system in rats. Toxicol Ind Health. 2001;17(1):31-9. PMID 12004923 — testosterona e espermatozoides menores em ratos.
- Zhang L, Dong L, Ding S, et al. Effects of n-butylparaben on steroidogenesis and spermatogenesis through changed E₂ levels in male rat offspring. Environ Toxicol Pharmacol. 2014;37(2):705-17. PMID 24607685 — o provável "estudo de 2014".
- Hoberman AM, Schreur DK, Leazer T, et al. Lack of effect of butylparaben and methylparaben on the reproductive system in male rats. Birth Defects Res B Dev Reprod Toxicol. 2008;83(2):123-33. PMID 18393383 — a repetição sem efeito.
- Shen X, Zhan M, Wang Y, et al. Exposure to parabens and semen quality in reproductive-aged men. Ecotoxicol Environ Saf. 2023;264:115453. PMID 37688867 — o estudo de 2023 citado na legenda.
- Jurewicz J, Radwan M, Wielgomas B, et al. Human Semen Quality, Sperm DNA Damage, and the Level of Reproductive Hormones in Relation to Urinary Concentrations of Parabens. J Occup Environ Med. 2017;59(11):1034-1040. PMID 28692609 — associação com testosterona mais baixa.
- Meeker JD, Yang T, Ye X, et al. Urinary concentrations of parabens and serum hormone levels, semen quality parameters, and sperm DNA damage. Environ Health Perspect. 2011;119(2):252-7. PMID 20876036 — sem associação com hormônios e sêmen.
- Nishihama Y, Toshima H, Yoshinaga J, et al. Paraben exposure and semen quality of Japanese male partners of subfertile couples. Environ Health Prev Med. 2017;22(1):5. PMID 29165110 — sem associação em 42 homens.
- Radke EG, Braun JM, Meeker JD, Cooper GS. Phthalate exposure and male reproductive outcomes: A systematic review of the human epidemiological evidence. Environ Int. 2018;121(Pt 1):764-793. PMID 30336412 — evidência robusta para DEHP e DBP.
- Harley KG, Kogut K, Madrigal DS, et al. Reducing Phthalate, Paraben, and Phenol Exposure from Personal Care Products in Adolescent Girls: Findings from the HERMOSA Intervention Study. Environ Health Perspect. 2016;124(10):1600-1607. PMID 26947464 — trocar produtos reduziu parabenos na urina.
- Resolução RDC nº 528, de 4 de agosto de 2021, da ANVISA, no AnvisaLegis — lista de conservantes permitidos; limites de parabenos.
- Resolução RDC nº 529, de 4 de agosto de 2021, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — substâncias proibidas em cosméticos, incluindo ftalatos.
- Regulamento (UE) nº 358/2014 da Comissão, de 9 de abril de 2014, no EUR-Lex — proibição de cinco parabenos.
- Regulamento (UE) nº 1004/2014 da Comissão, de 18 de setembro de 2014, no EUR-Lex — butil e propilparabeno até 0,14% e proibição na área da fralda.
- FDA, "Parabens in Cosmetics", página atualizada em 18 de novembro de 2025 — sem regra especial e sem informação de efeito na saúde humana.
- E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
- API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo desta página.