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Ácido ursólico (casca de maçã)

O estudo da PLOS ONE citado como prova de "−40% de gordura" foi feito em camundongos e não traz esse número; em homens que treinam, 400 mg por dia não somaram músculo.

Not approvedVerified against primary sources
AI-generated illustration. Not data, and not an image from a study.

Experimental material. Read before using anything from here.

Nothing on this page is a medical recommendation, prescription or treatment plan. It is an organized translation of protocols circulating in research communities and, where it exists, of what published trials tested. The two are marked differently — and they are not equivalent.

Most of the compounds here have no FDA approval for human use. Several are sold labeled "research use only", which means they have not gone through purity, sterility or dosage controls for human consumption. A community-reported dose is not a validated dose: it is what someone reported having done.

Talk to a licensed health professional before considering any of these compounds. If you already use one and feel anything unexpected, seek care — do not wait for the next routine test.

Atenção específica deste composto: O ácido ursólico não consta da lista de constituintes autorizados para suplemento alimentar no Brasil (IN 28/2018, consolidada até a IN 470, de 16 de setembro de 2026). Os ensaios por boca duraram no máximo 12 semanas e não trazem perfil de segurança de uso prolongado. Em infusão na veia, em estudos de câncer, a dose máxima tolerada teve como toxicidade limitante dano ao fígado e diarreia; isso não se transfere automaticamente para cápsula, mas é o único dado de toxicidade em humanos que localizei.

Summary

O ácido ursólico é uma substância da cera da casca da maçã e de várias folhas, como alecrim e nêspera. Em camundongos, aumentou músculo e gordura marrom e reduziu a obesidade. O artigo de 2012 da PLOS ONE citado nos vídeos é esse estudo em camundongos, e o número de 40% não aparece no texto. Em pessoas, o PubMed devolve 5 ensaios randomizados sobre músculo ou gordura, e os 4 que testam o ácido ursólico têm de 9 a 26 participantes. O ensaio com placebo em homens treinados não achou músculo a mais, e uma meta-análise de 2024 com 6 estudos não achou efeito em peso, gordura ou massa magra. No Brasil, o ácido ursólico não é constituinte autorizado de suplemento alimentar.

Why this page exists

O ácido ursólico aparece descrito num vídeo curto sobre treino que vi publicado na internet, como "o que a casca da maçã faz no seu músculo". As promessas são três: um "estudo validado" na PLOS ONE mostraria redução de 40% na gordura corporal; a substância "modularia de forma seletiva" a via da insulina e do IGF-1 no músculo, fazendo o corpo ganhar músculo e perder gordura ao mesmo tempo, sem acelerar o coração como os termogênicos; e não daria para comer maçã suficiente, porque a concentração necessária seria "bem maior" que a de 10 maçãs por dia. O vídeo diz ainda que médicos não falam disso porque "não dá pra patentear uma substância que existe na natureza", e fecha anunciando um protocolo pago para testosterona.

É um vídeo só. Por isso a profundidade desta página vem da literatura, não do vídeo. Separei 10 alegações verificáveis e procurei o estudo citado e cada número. A evidência em humanos é rala: poucos ensaios, pequenos e curtos. A página é mais curta que outras deste site por esse motivo. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.

O ácido ursólico é um triterpeno pentacíclico, uma molécula da cera que reveste frutas e folhas. Segundo a análise de Jäger e colegas (2009), a casca seca de maçã teve em média 1,43% de ácido ursólico em 11 lotes, e a folha seca de alecrim e de outras ervas também tem quantidades relevantes. Nos ensaios humanos que localizei, a substância testada veio de extrato de folha de alecrim, de extrato de folha de nêspera ou de ácido ursólico purificado. Nenhum testou casca de maçã.

O mecanismo foi descrito em camundongo, e o próprio estudo citado pede teste em humanos

A história começa em 2011. Kunkel e colegas, da Universidade de Iowa, cruzaram o padrão de genes que se liga e desliga no músculo humano que atrofia (por jejum ou lesão medular) com um banco de efeitos de milhares de substâncias. O ácido ursólico apareceu com o padrão oposto ao da atrofia. Em camundongos, ele reduziu a atrofia, aumentou o músculo e reforçou a sinalização de insulina e IGF-1 dentro do músculo. Os animais também tiveram menos gordura, glicose e colesterol.

O artigo de 2012 na PLOS ONE, o citado no vídeo, repetiu a ideia em camundongos machos alimentados com dieta rica em gordura por 6 semanas, com 0,14% ou 0,27% de ácido ursólico na ração. O músculo cresceu, a força de preensão e a capacidade de exercício subiram, a gordura marrom aumentou, o gasto de energia em repouso subiu e as bolsas de gordura abdominal ficaram menores (10 animais por dieta). Os autores propõem que o ácido ursólico reduz a obesidade porque aumenta músculo e gordura marrom, e terminam assim: os dados pré-clínicos "recomendam mais estudos em humanos".

Dois pontos desse artigo importam para o vídeo. Primeiro, o mecanismo proposto é justamente gastar mais energia, inclusive por gordura marrom, que produz calor. Segundo, a seção de conflitos de interesse declara que a fundação da universidade pediu patente sobre esse uso e que um dos autores é cofundador de uma empresa ligada ao tema.

Uma revisão sistemática de 2017 (Katashima e colegas) reúne os mecanismos propostos: termogênese no tecido gorduroso, aumento de GH e IGF-1 no sangue e ativação de mTOR no músculo. Quase todos vêm de animais. Uma revisão de 2020 (Sun e colegas) lembra que o ácido ursólico é pouco solúvel e tem baixa biodisponibilidade por boca, e que a farmacocinética dele "continua elusiva".

How much evidence really exists

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

Evidence baseQueryResult
PubMed"ursolic acid"3.563 artigos
PubMed("ursolic acid") AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])15 artigos
PubMed("ursolic acid") AND (Clinical Trial[Publication Type] OR Randomized Controlled Trial[Publication Type])17 articles
PubMed("ursolic acid") AND (muscle OR "body composition" OR "body fat" OR adiposity OR obesity)225 artigos
PubMed("ursolic acid") AND (muscle OR "body composition" OR "body fat" OR adiposity OR obesity) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type])5 articles
PubMed("ursolic acid") AND (testosterone)12 artigos
PubMed("ursolic acid") AND (testosterone) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Clinical Trial[Publication Type])0 articles
ClinicalTrials.govintervenção: ursolic acid9 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: (ursolic acid) AND AREA[Phase]PHASE32 ensaios de fase 3

An honest reading of these numbers

  • Quase tudo é laboratório. Os artigos marcados como ensaio clínico ou randomizado são só 17 dos 3.563, e entre eles há estudos de pele, de câncer com a forma injetável e de produtos em que o ácido ursólico nem é o foco, como cranberry e D-manose.
  • Os ensaios sobre músculo e gordura são pequenos. Dos 5 marcados como randomizados, 4 testam o ácido ursólico com 9 a 26 participantes. O quinto, com 82 idosos desnutridos, testa um suplemento com proteína do soro e caseína, aminoácidos, vitamina D e ácido ursólico juntos, e por isso não isola o efeito dele. O maior estudo de músculo com ácido ursólico como foco que localizei, com extrato de folha de nêspera, teve 54 participantes e não está marcado como randomizado no PubMed, embora o título diga que é.
  • Os 2 "fase 3" não são de ácido ursólico como foco. Um é o ensaio de extrato de folha de nêspera em sarcopenia, registrado como fase 2/3 e publicado com resultado negativo. O outro testa manjericão-santo em má digestão.
  • Registro não é resultado. Um ensaio de 105 idosos com extrato de bagaço de maçã padronizado em ácido ursólico (NCT07562698) consta como concluído em 2026, sem resultado publicado no registro e sem artigo que eu tenha achado no PubMed.
  • Testosterona: zero ensaios. Os 12 artigos que juntam ácido ursólico e testosterona são de animais ou de células. Um deles, em ratos que recebiam testosterona injetada para aumentar a próstata, mostrou o contrário do que o vídeo sugere: o ácido ursólico baixou testosterona e di-hidrotestosterona no sangue e na próstata.
  • Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.

The studies behind the claims

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre o ácido ursólico, músculo e gordura. Leia o que cada um mediu, e em quantos.

StudyNContextWhat it reportedCaveat
Kunkel et al., 2012
PLoS One 7(6):e39332 · PMID 22745735
10 camundongos por dieta (bolsas de gordura)Camundongos machos, dieta rica em gordura com 0,14% ou 0,27% de ácido ursólico, 6 semanasMais músculo, força e gordura marrom; mais gasto de energia; bolsas de gordura menores; menos intolerância à glicose e gordura no fígadoEm camundongo; o número 40% não aparece no texto; patente pedida pela universidade e autor cofundador de empresa, declarados pelo artigo
Kunkel et al., 2011
Cell Metab 13(6):627-38 · PMID 21641545
—Assinatura genética da atrofia humana; testes em camundongoÁcido ursólico reduziu atrofia e aumentou músculo em camundongosO dado humano é só o padrão de genes; o efeito é animal
Bang et al., 2014
Korean J Physiol Pharmacol 18(5):441-6 · PMID 25352765
16 (7 treino; 9 treino + ácido ursólico)Homens de 29 anos em média, treino de força 6×/semana, 8 semanas; 450 mg/dia de ácido ursólico de extrato de folha de alecrimGordura corporal em percentual caiu no grupo do ácido ursólico (p < 0,001); peso, IMC e massa magra sem mudança; IGF-1, irisina e força subiram em relação ao início16 pessoas; comparação principal dentro do grupo; o ácido ursólico não veio de maçã; massa magra não mudou
Church et al., 2016
J Am Coll Nutr 35(7):627-638 · PMID 27331824
9Homens treinados, cruzado; 3 g de ácido ursólico, de leucina ou placebo logo após o treinoO ácido ursólico subiu no sangue, mas não mudou IGF-1 no sangue (p = 0,99), insulina, nem a sinalização Akt/mTORC1 no músculoDose única, 9 homens; testa justamente o mecanismo do vídeo
Lobo et al., 2021
Clin Nutr 40(2):581-589 · PMID 32593524
22 (12 placebo; 10 ácido ursólico)Homens ativos no Brasil, treino de força e ~1,6 g/kg de proteína, 8 semanas; 400 mg/diaMassa muscular +1,12 kg com placebo e +1,08 kg com ácido ursólico, sem diferença; força sem diferençaPequeno; duplo-cego com placebo; registrado no ReBEC (RBR-76tbqs)
Lobo e Pimentel, 2022
Biomed Pharmacother 145:112289 · PMID 34799219
27Homens saudáveis, treino de força, 8 semanas; 400 mg/diaSem mudança em TNF-α, IL-10 e IL-6Piloto; mesmo grupo do estudo anterior
Cione et al., 2021
Clin Nutr ESPEN 44:143-149 · PMID 34330458
26Mulheres na pós-menopausa com síndrome metabólica, exercício combinado, 8 semanas; 450 mg/diaCintura (desfecho principal) sem diferença; preensão manual +1,8 kgf a mais (IC 95% 0,3–3,2); remissão da síndrome em 38,5% nos dois gruposDesfecho principal negativo
Ramírez-Rodríguez et al., 2017
J Med Food 20(9):882-886 · PMID 28598231
24Adultos de 30 a 60 anos com síndrome metabólica sem tratamento; 150 mg/dia, 12 semanasRemissão em 50% (P = 0,005); peso de 75,7 para 71 kg; IMC de 29,9 para 24,9; cintura de 93 para 83 cmOs autores chamam a remissão de "transitória"; no resumo, o IMC cai 5 pontos com 4,7 kg a menos de peso, o que não fecha para um adulto (observação minha)
Asghari et al., 2020
Cardiovasc Hematol Disord Drug Targets 20(2):138-144 · PMID 31533605
22Homens pouco ativos, treino intenso 3×/semana, 8 semanas; 1 cápsula 3×/diaIrisina subiu e PCR, IL-6 e TNF-α caíram mais que com placeboO resumo não informa a dose; não mediu músculo
Asghari et al., 2021
Endocr Metab Immune Disord Drug Targets 21(10):1912-1919 · PMID 34528871
25Mulheres de 50 a 70 anos com obesidade, treino em circuito, 8 semanasInsulina, HOMA-IR, IL-6 e IL-15 caíram mais com ácido ursólicoO resumo não informa a dose; marcadores, não composição corporal
Cho et al., 2016
Evid Based Complement Alternat Med 2016:4301621 · PMID 27999607
54Adultos saudáveis; 500 mg/dia de extrato de folha de nêspera (50,94 mg de ácido ursólico), 12 semanas (NCT02401113)Sem diferença em força, massa muscular e desempenho; só a preensão da mão direita nas mulheres (P = 0,047)Dose de ácido ursólico baixa; resultado principal negativo
Rafiee et al., 2024 (meta-análise)
Future Cardiol 20(3):151-161 · PMID 38923885
6 artigosDoses de 50,94 a 450 mg/diaSem mudança significativa em peso, IMC, cintura, gordura corporal em percentual, massa magra, pressão, glicose, insulina e lipídiosBase pequena; estudos heterogêneos
NCT05776862 (registro com resultado)
ClinicalTrials.gov
10Lesão medular crônica; 400 mg/dia, 12 semanas; sem grupo placeboMassa muscular: −183 g (desvio-padrão 2.642,65) no grupo com exercício e +1.434 g (desvio-padrão 1.885,21) no outroPiloto sem controle; variação maior que o efeito

Doses used in published human studies

This is not a dose recommendation: it is a record of what was administered in published studies, with the purpose of each. Outside the study context, these numbers do not transfer.

StudyDoseDurationPurpose of the study
Bang et al., 2014450 mg/dia (150 mg após cada uma de 3 refeições), de extrato de folha de alecrim8 weeksComposição corporal, IGF-1, irisina e força com treino
Lobo et al., 2021; Lobo e Pimentel, 2022400 mg/dia8 weeksMúsculo, força e citocinas com treino e dieta rica em proteína
Cione et al., 2021450 mg/dia8 weeksSíndrome metabólica em mulheres na pós-menopausa
Ramírez-Rodríguez et al., 2017150 mg/dia12 weeksSíndrome metabólica e sensibilidade à insulina
Church et al., 20163 g em dose única após o treino3 sessões, cruzadoSinalização Akt/mTORC1 e IGF-1
Cho et al., 2016500 mg/dia de extrato de folha de nêspera (50,94 mg de ácido ursólico)12 weeksForça, massa e função muscular
NCT05776862400 mg/dia (200 mg 2×/dia)12 weeksMúsculo e resistência à insulina em lesão medular

Para comparar com a "casca da maçã": Jäger e colegas mediram de 0,038 a 0,100 mg de ácido ursólico por maçã em quatro amostras de três variedades. Os mesmos autores registram que outro grupo achou cerca de 10 mg numa maçã Gala, valor cerca de cem vezes maior. Nos dois casos, a casca de uma maçã fica muito abaixo das doses de 150 a 450 mg usadas nos ensaios.

Das 10 alegações, 2 se confirmam, e nenhuma é a de ganhar músculo e perder gordura ao mesmo tempo

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, só animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVerdict
O ácido ursólico está na casca da maçãJäger 2009 mediu 1,43% em média na casca seca, em 11 lotes; Kunkel 2011 o descreve como "enriquecido em maçãs"Confirmado
Um "estudo validado" na PLOS ONE mostra redução de 40% na gordura corporalO artigo de 2012 da PLOS ONE existe e é em camundongos com dieta rica em gordura; o texto do artigo não traz o número 40; o efeito na gordura foi medido em bolsas de gordura de 10 animais por dietaNúmero não encontrado na fonte citada
Não "queima gordura" como os termogênicosNo próprio estudo citado, o mecanismo proposto é aumento do gasto de energia e da gordura marrom, que gera calorNão sustentado
Não acelera o coraçãoNenhum dos ensaios localizados relata frequência cardíaca nos resumosSem estudo em humanos
Modula a via da insulina e do IGF-1 "de forma seletiva" no músculoVisto em camundongos (Kunkel 2011 e 2012). Em homens treinados, 3 g não mudaram o IGF-1 no sangue nem a sinalização no músculo (Church 2016); num estudo de 16 homens, o IGF-1 subiu em relação ao início (Bang 2014)Só animal ou in vitro (em humanos, resultados contraditórios)
Ganha músculo e perde gordura ao mesmo tempoCom placebo e treino, 400 mg/dia não somaram músculo (Lobo 2021); em Bang 2014 a massa magra não mudou; a meta-análise de 2024 não achou efeito em gordura nem em massa magraNão sustentado
Comer 10 maçãs por dia não bastaDe 0,038 a 0,100 mg por maçã (Jäger 2009), contra 150 a 450 mg/dia nos ensaiosConfirmado (quanto à quantidade)
A "concentração necessária" é bem maior, e nela o efeito apareceriaNas doses de 400 e 450 mg/dia, os ensaios com placebo não acharam músculo nem perda de gordura a maisNão sustentado
"Não dá pra patentear" uma substância da naturezaA Universidade de Iowa pediu patente sobre o uso do ácido ursólico contra atrofia muscular, declarada no próprio artigo citado; a patente americana US10137136B2 foi concedida em 27 de novembro de 2018Não sustentado
Faz parte de um protocolo de testosterona "+147% em 28 dias"Nenhum ensaio humano de ácido ursólico mediu testosterona; num estudo em ratos, ele baixou testosterona e di-hidrotestosterona (Shin 2012)Sem estudo em humanos

Placar: 2 confirmadas, 4 não sustentadas, 2 sem estudo em humanos, 1 só animal e 1 com número não encontrado na fonte citada.

Segurança: o que se sabe é pouco e curto

  • Os ensaios por boca duraram de uma dose a 12 semanas. Os resumos que li não relatam efeito adverso grave. Isso é ausência de relato, não demonstração de segurança: os estudos eram pequenos e não foram desenhados para isso.
  • O único estudo de toxicidade em humanos é com a forma injetável. Em 63 pessoas, com lipossomas de ácido ursólico na veia, a toxicidade que limitou a dose foi dano ao fígado e diarreia, a partir de 74 mg por m² de superfície corporal; a dose máxima tolerada foi 98 mg/m² (Wang 2013). A via é outra e a biodisponibilidade por boca é baixa, então o dado não se transfere direto para cápsula. Mas é o que existe.
  • A revisão de 2020 registra efeitos adversos e "até atividades toxicológicas" e diz que a farmacocinética por boca não está bem definida.
  • Interações: NÃO VERIFIQUEI bases de interação medicamentosa. Não há bula de ácido ursólico para ler.
  • Hormônio masculino: o único dado sobre testosterona é em ratos, e foi de queda. Não sei se isso vale para pessoas; nenhum ensaio mediu.
  • Quem deveria evitar sem médico: por inferência minha, a partir da falta de dados, pessoas com doença do fígado, gestantes e lactantes, e quem usa remédio para diabetes, já que os estudos de síndrome metabólica mediram glicose e insulina. Não achei estudo que tenha medido essas combinações.

Regulatory status

  • Brasil, suplemento alimentar: o ácido ursólico não consta do Anexo I da IN 28/2018, a lista de constituintes autorizados, na versão consolidada que inclui alterações até a IN 470, de 16 de setembro de 2026 (busca por "ursol" sem nenhuma ocorrência). Pela RDC 243/2018, art. 4º, os constituintes de suplemento restringem-se aos dos Anexos I e II dessa IN ou, até a atualização deles, aos aprovados por Resolução após petição. NÃO VERIFIQUEI se existe Resolução avulsa aprovando o ácido ursólico.
  • Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI a situação do ácido ursólico como ingrediente de suplemento ou novo alimento.
  • Patente: a patente americana US10137136B2, "Methods for inhibiting muscle atrophy", tem como titulares a fundação de pesquisa da Universidade de Iowa e o Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos, com prioridade de 6 de junho de 2011 e concessão em 27 de novembro de 2018 (consulta no Google Patents).
  • WADA: o ácido ursólico não aparece na Lista Proibida de 2026, em vigor desde 1º de janeiro de 2026. Não avaliei a cláusula geral de substâncias não aprovadas nem o risco de contaminação de suplementos.
Active ingredientSearch patternActive registrationsDeclared therapeutic classProducts
ácido ursólicoursol0—nenhum produto, ativo ou inativo

What this survey did not do

  • Li resumos, não os artigos inteiros, com três exceções: o artigo da PLOS ONE (texto completo no PubMed Central, para procurar o "40%"), o estudo de Bang 2014 (para a dose e a origem do ácido ursólico) e a análise de Jäger 2009 (para o conteúdo por maçã).
  • Não li as figuras do artigo da PLOS ONE. Procurei o número 40 no texto e nas legendas. Se ele estiver só numa barra de gráfico, não o vi. Mesmo assim, seria um número de camundongo.
  • Não avaliei interações em base de interações medicamentosas.
  • Não procurei medidas de frequência cardíaca nos textos completos dos ensaios; olhei só os resumos.
  • Não tratei do "protocolo completo" anunciado no fim do vídeo além da linha na tabela: ele não é sobre ácido ursólico e não cita fonte.
  • Não li os estudos em animais e em células além dos dois de Iowa e do de próstata em ratos.

References

  1. Kunkel SD, Elmore CJ, Bongers KS, et al. Ursolic acid increases skeletal muscle and brown fat and decreases diet-induced obesity, glucose intolerance and fatty liver disease. PLoS One. 2012;7(6):e39332. PMID 22745735 — o artigo citado no vídeo: camundongos, 6 semanas, sem o número 40%; conflito de interesse declarado.
  2. Kunkel SD, Suneja M, Ebert SM, et al. mRNA expression signatures of human skeletal muscle atrophy identify a natural compound that increases muscle mass. Cell Metab. 2011;13(6):627-38. PMID 21641545 — a origem da ideia: assinatura genética da atrofia e efeito em camundongos.
  3. Bang HS, Seo DY, Chung YM, et al. Ursolic Acid-induced elevation of serum irisin augments muscle strength during resistance training in men. Korean J Physiol Pharmacol. 2014;18(5):441-6. PMID 25352765 — 16 homens, 450 mg/dia de extrato de alecrim; gordura em percentual caiu, massa magra não mudou.
  4. Church DD, Schwarz NA, Spillane MB, et al. l-Leucine Increases Skeletal Muscle IGF-1 but Does Not Differentially Increase Akt/mTORC1 Signaling and Serum IGF-1 Compared to Ursolic Acid in Response to Resistance Exercise in Resistance-Trained Men. J Am Coll Nutr. 2016;35(7):627-638. PMID 27331824 — 3 g de ácido ursólico sem efeito no IGF-1 e na sinalização muscular.
  5. Lobo PCB, Vieira IP, Pichard C, et al. Ursolic acid has no additional effect on muscle strength and mass in active men undergoing a high-protein diet and resistance training: A double-blind and placebo-controlled trial. Clin Nutr. 2021;40(2):581-589. PMID 32593524 — 400 mg/dia sem músculo nem força a mais que o placebo.
  6. Lobo PCB, Pimentel GD. Ursolic acid does not change the cytokine levels following resistance training in healthy men: A pilot balanced, double-blind and placebo-controlled clinical trial. Biomed Pharmacother. 2022;145:112289. PMID 34799219 — sem efeito em citocinas inflamatórias.
  7. Cione JGC, Verlengia R, Barbosa CGR, et al. No additional effects of ursolic acid supplementation associated with combined exercise program on metabolic syndrome of postmenopausal women: A double-blind, randomized, placebo-controlled trial. Clin Nutr ESPEN. 2021;44:143-149. PMID 34330458 — desfecho principal negativo; preensão manual um pouco maior.
  8. Ramírez-Rodríguez AM, González-Ortiz M, Martínez-Abundis E, Acuña Ortega N. Effect of Ursolic Acid on Metabolic Syndrome, Insulin Sensitivity, and Inflammation. J Med Food. 2017;20(9):882-886. PMID 28598231 — 24 adultos, 150 mg/dia, remissão "transitória" da síndrome metabólica.
  9. Asghari E, Rashidlamir A, Hosseini SRA, et al. Synergism Effects of Ursolic Acid Supplementation on the Levels of Irisin, C-reactive Protein, IL-6, and TNF-α During High-intensity Resistance Training in Low Activity Men. Cardiovasc Hematol Disord Drug Targets. 2020;20(2):138-144. PMID 31533605 — marcadores inflamatórios e irisina em 22 homens.
  10. Asghari E, Hosseini SRA, Kiania M, et al. The Assessment of Some Metabolic Markers by Combination of Ursolic Acid Supplementation and Resistance Training in Young Older Obese Women. Endocr Metab Immune Disord Drug Targets. 2021;21(10):1912-1919. PMID 34528871 — marcadores metabólicos em 25 mulheres.
  11. Cho YH, Lee SY, Kim CM, et al. Effect of Loquat Leaf Extract on Muscle Strength, Muscle Mass, and Muscle Function in Healthy Adults: A Randomized, Double-Blinded, and Placebo-Controlled Trial. Evid Based Complement Alternat Med. 2016;2016:4301621. PMID 27999607 — 54 adultos, 12 semanas, sem efeito em força e massa.
  12. Rafiee P, Rasaei N, Amini MR, et al. The effects of ursolic acid on cardiometabolic risk factors: a systematic review and meta-analysis. Future Cardiol. 2024;20(3):151-161. PMID 38923885 — 6 estudos, sem efeito em peso, gordura e massa magra.
  13. Katashima CK, Silva VR, Gomes TL, et al. Ursolic acid and mechanisms of actions on adipose and muscle tissue: a systematic review. Obes Rev. 2017;18(6):700-711. PMID 28335087 — os mecanismos propostos, quase todos de animais.
  14. Sun Q, He M, Zhang M, et al. Ursolic acid: A systematic review of its pharmacology, toxicity and rethink on its pharmacokinetics based on PK-PD model. Fitoterapia. 2020;147:104735. PMID 33010369 — baixa solubilidade, baixa biodisponibilidade e toxicidade descrita.
  15. Jäger S, Trojan H, Kopp T, et al. Pentacyclic triterpene distribution in various plants - rich sources for a new group of multi-potent plant extracts. Molecules. 2009;14(6):2016-31. PMID 19513002 — 1,43% na casca seca e 0,038 a 0,100 mg por maçã.
  16. Wang XH, Zhou SY, Qian ZZ, et al. Evaluation of toxicity and single-dose pharmacokinetics of intravenous ursolic acid liposomes in healthy adult volunteers and patients with advanced solid tumors. Expert Opin Drug Metab Toxicol. 2013;9(2):117-25. PMID 23134084 — forma injetável: toxicidade no fígado e diarreia como limite de dose.
  17. Shin IS, Lee MY, Jung DY, et al. Ursolic acid reduces prostate size and dihydrotestosterone level in a rat model of benign prostatic hyperplasia. Food Chem Toxicol. 2012;50(3-4):884-8. PMID 22266360 — em ratos, queda de testosterona e di-hidrotestosterona.
  18. Registro NCT05776862 no ClinicalTrials.gov — 10 pessoas com lesão medular, 400 mg/dia, 12 semanas, sem placebo, resultado publicado no registro.
  19. Registro NCT07562698 no ClinicalTrials.gov — 105 idosos, bagaço de maçã padronizado em ácido ursólico, concluído em 2026, sem resultado.
  20. Patente US10137136B2, "Methods for inhibiting muscle atrophy", no Google Patents — titulares Universidade de Iowa e Departamento de Veteranos dos EUA, concedida em 27 de novembro de 2018.
  21. Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — o ácido ursólico não aparece.
  22. PubMed E-utilities (esearch) — the basis for all article counts on this page.
  23. Public ClinicalTrials.gov API, version 2 — the source for all the study and phase 3 counts on this page.

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