DHEA (deidroepiandrosterona, prasterona)
O DHEA sobe o IGF-1, mas em homens jovens que treinavam não aumentou força nem massa magra além do placebo, e num ensaio de 2 anos em idosos não melhorou músculo, desempenho nem qualidade de vida.

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Nothing on this page is a medical recommendation, prescription or treatment plan. It is an organized translation of protocols circulating in research communities and, where it exists, of what published trials tested. The two are marked differently — and they are not equivalent.
Most of the compounds here have no FDA approval for human use. Several are sold labeled "research use only", which means they have not gone through purity, sterility or dosage controls for human consumption. A community-reported dose is not a validated dose: it is what someone reported having done.
Talk to a licensed health professional before considering any of these compounds. If you already use one and feel anything unexpected, seek care — do not wait for the next routine test.
Summary
O DHEA é um hormônio que a suprarrenal produz e que o corpo converte em andrógenos e estrogênios. No Brasil, está na lista C5 de anabolizantes da Portaria 344/98 e não tem medicamento registrado nem autorização como suplemento. Os vídeos o chamam de "santo graal da regeneração" que bloqueia o cortisol e sobe o IGF-1. O IGF-1 sobe de fato. Mas em 19 homens jovens com treino, 150 mg por dia não melhoraram força nem massa magra além do placebo; num ensaio de 2 anos em idosos, o DHEA não mudou composição corporal, força nem qualidade de vida. O estudo da Universidade de Washington citado não trata de cortisol no resumo. É proibido pela WADA o tempo todo.
Why this page exists
O DHEA aparece descrito em dois vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, com o mesmo roteiro, como o hormônio que a agência antidoping "baniu das Olimpíadas porque reconstrói os músculos rápido demais". O raciocínio é: se é proibido para atleta, deve funcionar para quem "só quer sair do sedentarismo". Duas pesquisas são citadas: um estudo da Universidade de Washington que provaria que o DHEA funciona como "escudo" contra o efeito destrutivo do cortisol no músculo, e um artigo do Journal of Clinical Endocrinology que mostraria aumento do IGF-1, "que ativa diretamente a síntese de proteínas e o ganho de força". Completam o quadro a queda da produção "depois dos 25 anos" e a orientação de manipular em farmácia, com receita, "ajustando os miligramas exatos para o seu peso".
Levantei as 12 alegações verificáveis e procurei as duas pesquisas citadas e os ensaios que testaram o DHEA em força e massa muscular. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
Esta página trata de um hormônio controlado no Brasil. Ela não traz esquema de uso, por decisão. As doses mais abaixo são de estudos publicados.
O que é o DHEA
A deidroepiandrosterona, ou DHEA, e a sua forma sulfatada, o DHEA-S, são andrógenos produzidos pela glândula suprarrenal. A prasterona é o nome de fármaco do mesmo composto. Segundo Morales e colegas (1994), o envelhecimento é acompanhado de queda progressiva da secreção desses hormônios, em paralelo com a do eixo do hormônio do crescimento e do IGF-1, e o papel biológico do DHEA no envelhecimento humano "permanece indefinido".
Num estudo transversal com 981 homens e 481 mulheres, Orentreich e colegas (1984) mediram o DHEA-S de 11 a 89 anos. Nos homens, o pico foi entre 20 e 24 anos, com média logarítmica de 3.470 ng/mL, e a queda foi contínua depois, até 670 ng/mL acima dos 70 anos. Villareal e Holloszy (2006) resumem a queda como de cerca de 80% entre os 25 e os 75 anos. Ou seja, a queda existe, mas é uma descida de décadas, não um despencar.
O DHEA funciona, em boa parte, como matéria-prima: nos estudos, ele subiu androstenediona, testosterona e di-hidrotestosterona, sobretudo em mulheres (Morales 1994 e 1998), e a bula americana do produto com prasterona registra o estrogênio como um de seus metabólitos. A meta-análise de Corona e colegas (2013) mostrou que o pequeno efeito do DHEA na gordura de homens idosos sumia quando se levava em conta o aumento de testosterona e estradiol, ou seja, dependia da conversão.
How much evidence really exists
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| Evidence base | Query | Result |
|---|---|---|
| PubMed | dehydroepiandrosterone OR DHEA OR prasterone | 20.123 artigos |
| PubMed | (dehydroepiandrosterone OR DHEA OR prasterone) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 964 artigos |
| PubMed | (dehydroepiandrosterone OR DHEA) AND (supplementation OR administration OR replacement) AND (muscle strength OR lean body mass OR muscle mass) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 38 artigos |
| PubMed | (dehydroepiandrosterone OR DHEA) AND (insulin-like growth factor I OR IGF-1 OR IGF-I) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type]) | 62 artigos |
| PubMed | (dehydroepiandrosterone[Title/Abstract] OR DHEA[Title/Abstract]) AND (cortisol[Title/Abstract]) AND (muscle[Title/Abstract]) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type]) | 8 artigos |
| PubMed | (dehydroepiandrosterone OR DHEA) AND (athletes OR doping OR resistance training) | 530 artigos |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: DHEA | 162 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: (DHEA) AND AREA[Phase]PHASE3 | 50 ensaios de fase 3 |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: prasterone | 140 estudos registrados |
An honest reading of these numbers
- O DHEA é muito estudado, quase nunca para músculo. Dos 964 artigos marcados como ensaio randomizado ou meta-análise, 38 cruzam DHEA com força ou massa muscular.
- A fase 3 é de saúde da mulher. Os 50 registros de fase 3 tratam sobretudo de atrofia vaginal da menopausa, lúpus, fertilidade e menopausa. Nenhum é de força, músculo ou desempenho em homens.
- Cortisol e músculo: um ensaio só, e ele não confirma o "escudo". Dos 8 artigos da busca, só um testou DHEA por boca e mediu cortisol, e o cortisol ficou inalterado. Os outros 7 são sobre ioga, ashwagandha, colesterol, treino e outras coisas.
- Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
The studies behind the claims
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos clínicos concretos por trás do que se diz sobre DHEA, IGF-1 e músculo. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.
| Study | N | Context | What it reported | Caveat |
|---|---|---|---|---|
| Morales et al., 1994 J Clin Endocrinol Metab 78(6):1360-7 · PMID 7515387 | 30 (13 homens, 17 mulheres) | 40 a 70 anos; 50 mg à noite ou placebo, cruzado | IGF-1 subiu e IGFBP-1 caiu nos dois sexos; bem-estar físico e psicológico relatado por 67% dos homens e 84% das mulheres; libido, gordura e sensibilidade à insulina sem mudança; HDL caiu levemente nas mulheres | É o artigo do Journal of Clinical Endocrinology sobre IGF-1. Não mediu força. O resumo fala em 6 meses e em "3 meses do estudo"; o artigo seguinte do grupo o descreve como de 3 meses, com IGF-1 10% maior |
| Morales et al., 1998 Clin Endocrinol 49(4):421-32 · PMID 9876338 | 19 (16 concluíram) | 50 a 65 anos; 100 mg/dia ou placebo, 6 meses cada, cruzado, duplo-cego | IGF-1 +16% nos homens e +31% nas mulheres; nos homens, gordura −1,0 kg e força do joelho +15,0%; nas mulheres, andrógenos acima da faixa de adultas jovens e peso +1,4 kg; cortisol inalterado | Muito pequeno; respostas opostas entre os sexos |
| Brown et al., 1999 J Appl Physiol 87(6):2274-83 · PMID 10601178 | 19 (treino) + 10 (dose única) | Homens de 23 anos; 150 mg/dia ou placebo durante 8 semanas de musculação | Testosterona total e livre não mudaram; força e massa magra subiram igualmente com DHEA e com placebo | Pequeno; é o teste mais próximo da promessa dos vídeos, e foi negativo |
| Nair et al., 2006 N Engl J Med 355(16):1647-59 · PMID 17050889 | 144 (87 homens, 57 mulheres) | Idosos com DHEA-S baixo; DHEA, testosterona ou placebo por 2 anos; randomizado, duplo-cego | Nenhum efeito do DHEA na composição corporal; nenhum hormônio mudou VO2 de pico, força ou sensibilidade à insulina; nenhum melhorou a qualidade de vida; sem efeitos adversos maiores | O mais longo e um dos maiores; conclusão dos autores: sem efeito benéfico fisiologicamente relevante |
| Villareal e Holloszy, 2006 Am J Physiol Endocrinol Metab 291(5):E1003-8 · PMID 16787962 | 56 | Idosos; DHEA ou placebo por 10 meses, com musculação nos 4 últimos; Universidade de Washington em St. Louis | DHEA sozinho por 6 meses não aumentou força nem volume da coxa; com treino, potencializou ganho de força e de músculo; IGF-1 subiu | É o estudo da Universidade de Washington que localizei; o resumo não fala em cortisol; dose não informada no resumo |
| Baker et al., 2011 (revisão sistemática) J Am Geriatr Soc 59(6):997-1002 · PMID 21649617 | 661 (8 estudos) | Adultos de 50 anos ou mais | Resultados de força divididos, com tantos estudos negativos quanto positivos; função física sem benefício na maioria | Conclusão dos autores: benefício "inconclusivo" |
| Corona et al., 2013 (meta-análise) J Clin Endocrinol Metab 98(9):3615-26 · PMID 23824417 | 1.353 (25 ECRs) | Homens idosos; seguimento médio de 36 semanas | Gordura −0,35 DP (IC −0,65 a −0,05), efeito que some ao ajustar para testosterona e estradiol; sem efeito em lipídios, glicose, osso, função sexual ou qualidade de vida | Efeito pequeno e dependente da conversão |
| Jankowski et al., 2019 (análise conjunta) Clin Endocrinol 90(2):293-300 · PMID 30421439 | 585 | Mulheres e homens de 55 anos ou mais, 4 ensaios, 12 meses | Homens: IGF-1 +6,3 ng/mL, gordura −0,4 kg, sem benefício ósseo; mulheres: testosterona e estradiol em alta, ganho ósseo | Os autores sugerem benefício possível em mulheres, não em homens |
| Buisson et al., 2018 Drug Test Anal 10(11-12):1744-1754 · PMID 30315670 | 21 (11 mulheres, 10 homens) | 100 mg/dia por 28 dias ou placebo, cruzado; estudo antidoping | Nas mulheres, perfil de esteroides na urina muito alterado, inclusive epitestosterona, e 10 de 11 passaportes atípicos; nos homens, a análise isotópica da epitestosterona deu negativa | Detecção curta: janela de 36 horas para um dos marcadores em mulheres |
Doses used in published human studies
This is not a dose recommendation: it is a record of what was administered in published studies, with the purpose of each. Outside the study context, these numbers do not transfer.
| Study | Dose | Duration | Purpose of the study |
|---|---|---|---|
| Morales et al., 1994 | 50 mg/dia, à noite, oral | 3 ou 6 meses por fase (o resumo traz os dois) | Hormônios, IGF-1 e bem-estar entre 40 e 70 anos |
| Morales et al., 1998 | 100 mg/dia, oral | 6 meses por fase | Hormônios, composição corporal e força entre 50 e 65 anos |
| Brown et al., 1999 | 50 mg em dose única; 150 mg/dia nas semanas 1, 2, 4, 5, 7 e 8 | 8 weeks | Testosterona e adaptação ao treino em homens jovens |
| Buisson et al., 2018 | 100 mg/dia | 28 days | Detecção antidoping |
| Bula americana do Intrarosa (indicação aprovada) | 6,5 mg de prasterona, inserto vaginal, 1×/dia | Contínua | Dor na relação por atrofia vaginal da menopausa |
Nenhum estudo que li ajustou a dose "ao peso", como sugerem os vídeos. As doses foram fixas, de 50 a 150 mg por dia.
Das 12 alegações conferidas, 4 se sustentam como foram ditas, e nenhuma delas é sobre músculo
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | Verdict |
|---|---|---|
| O próprio corpo fabrica o DHEA | É um andrógeno da suprarrenal (Morales 1994) | Confirmado |
| A agência antidoping "baniu das Olimpíadas" | A prasterona está na classe S1.1 da Lista Proibida de 2026, proibida em competição e fora dela, em qualquer esporte sob o código, não só nos Jogos | Confirmado (a proibição é mais ampla do que o dito) |
| Foi banido "porque reconstrói os músculos rápido demais" | A lista não dá esse motivo; em homens jovens com treino, o DHEA não aumentou força nem massa magra além do placebo (Brown 1999) | Não sustentado |
| O teste pega porque o DHEA de fora eleva a epitestosterona e os metabólitos androgênicos na urina | Em mulheres, o perfil urinário mudou muito, inclusive a epitestosterona; em homens, a análise isotópica da epitestosterona foi negativa (Buisson 2018) | Parcialmente |
| É um "atalho biológico" para acelerar a síntese de proteína e ganhar força | Sem diferença de força e massa magra contra placebo em jovens (Brown 1999); sem efeito na força em idosos em 2 anos (Nair 2006) | Não sustentado |
| É o "santo graal da regeneração" para quem quer sair do sedentarismo | Benefício em força e função física "inconclusivo" (Baker 2011); sem melhora de desempenho nem qualidade de vida (Nair 2006) | Não sustentado |
| Um estudo clínico da Universidade de Washington provou que o DHEA é um "escudo" contra o cortisol no músculo | O estudo da Universidade de Washington que localizei (Villareal 2006) mostrou DHEA potencializando o treino em idosos, sem efeito sozinho, e não fala em cortisol no resumo; no único ensaio que mediu, o cortisol ficou inalterado (Morales 1998) | Parcialmente |
| Uma pesquisa do Journal of Clinical Endocrinology mostrou que o DHEA aumenta o IGF-1 | Morales 1994, na J Clin Endocrinol Metab: IGF-1 em alta; confirmado depois em 1998 e na análise conjunta de 2019 | Confirmado |
| O IGF-1 maior "ativa diretamente" a síntese de proteínas e o ganho de força | O IGF-1 subiu, mas a força não acompanhou de forma consistente: ganho em homens num estudo de 16 pessoas (Morales 1998), nenhum efeito em 2 anos (Nair 2006), resultados divididos na revisão de 2011 | Parcialmente |
| A produção "despenca ladeira abaixo" depois dos 25 anos | Pico entre 20 e 24 anos nos homens e queda contínua depois (Orentreich 1984); cerca de 80% entre 25 e 75 anos (Villareal 2006): é queda de décadas | Parcialmente |
| É "tão controlado" | No Brasil, a prasterona é o item 26 da lista C5 (anabolizantes) da Portaria 344/98, com receita de controle especial em duas vias | Confirmado |
| Pode ser manipulado em farmácia com receita, "ajustando os miligramas exatos para o seu peso" | Exige receita de controle especial; o CFM veda anabolizantes e hormônios androgênicos para estética ou desempenho; os estudos usaram doses fixas, não por peso; NÃO VERIFIQUEI a regra de manipulação de substância C5 | Parcialmente |
Placar: 4 confirmadas, 5 parcialmente e 3 não sustentadas.
Proibido não quer dizer que funciona
O argumento central dos vídeos é que, se a agência antidoping proíbe, é porque dá vantagem. A Lista Proibida não diz, substância por substância, por que cada uma está lá; o DHEA aparece na classe dos esteroides anabolizantes androgênicos. Estar na lista não prova vantagem. O que mostra se ele dá vantagem é o ensaio com pessoas, e o ensaio mais próximo da promessa, com homens jovens que treinavam, deu negativo: força e massa magra subiram igualmente com DHEA e com placebo, e a testosterona não mudou.
O ensaio mais longo, de dois anos, com 144 idosos, mediu exatamente o que os vídeos prometem — composição corporal, força, capacidade aeróbia e qualidade de vida — e não achou benefício. A meta-análise de 25 ensaios em homens idosos achou um efeito pequeno na gordura, que dependia da conversão em testosterona e estradiol. O sinal mais favorável é o da Universidade de Washington: o DHEA não fez nada sozinho em 6 meses, mas aumentou o ganho de força e músculo quando somado a 4 meses de musculação, em idosos.
Há ainda uma assimetria entre os sexos que os vídeos ignoram. Em mulheres, o DHEA sobe testosterona e di-hidrotestosterona acima da faixa de adultas jovens (Morales 1998). Em homens, mexe pouco na testosterona. Isso ajuda a entender, e aqui é inferência minha, por que a detecção antidoping funcionou melhor em mulheres e por que o efeito em homem foi pequeno.
Segurança, efeitos adversos e interações
- Nos ensaios, os efeitos adversos foram poucos. O ensaio de 2 anos não teve efeitos adversos maiores; o de 1998 não observou efeitos adversos significativos; os de 1999 não mudaram lipídios nem enzimas do fígado em homens jovens.
- Hormônios. Em mulheres, andrógenos acima da faixa de adultas jovens (Morales 1998); queda leve do HDL (Morales 1994). O DHEA vira estrogênio: a bula americana do Intrarosa diz que o estrogênio é metabólito da prasterona e que o produto não foi estudado em mulheres com história de câncer de mama. Que o mesmo cuidado valha para câncer de próstata ou outras doenças sensíveis a hormônio é inferência minha, sem estudo localizado.
- Duração. O ensaio mais longo durou 2 anos. Não localizei dado de segurança de prazo maior.
- Interações e contraindicações do DHEA oral: não há bula brasileira, porque não há medicamento registrado; a bula americana disponível é de um inserto vaginal de 6,5 mg, com contraindicação para sangramento genital não diagnosticado. NÃO VERIFIQUEI bases de interação medicamentosa.
Por que não usar sem médico
O DHEA mexe em andrógenos e estrogênios, e o efeito muda conforme o sexo e a idade. No Brasil, ele é controlado como anabolizante: sem receita de controle especial, não há forma legal de obtê-lo, e o Conselho Federal de Medicina veda a prescrição de anabolizantes ou hormônios androgênicos com finalidade estética ou de desempenho. Quanto a "repor" a queda da idade, a mesma resolução do CFM lembra que a Resolução CFM nº 1.999/2012 veda terapias hormonais com a finalidade de retardar, modular ou prevenir o envelhecimento.
Regulatory status
- Brasil, controle: prasterona (deidroepiandrosterona, DHEA) é o item 26 da lista C5 (substâncias anabolizantes) do Anexo I da Portaria SVS/MS nº 344/1998, na redação da RDC nº 1.023, de 11 de maio de 2026, sujeita a Receita de Controle Especial em duas vias. Li a reprodução do LegisWeb.
- Brasil, suplemento: o DHEA não consta da IN 28/2018, a lista de constituintes autorizados em suplemento alimentar, na versão consolidada com alterações até a IN 470, de 16 de setembro de 2026.
- Brasil, ética médica: a Resolução CFM nº 2.333/2023 veda anabolizantes ou hormônios androgênicos com finalidade estética, de ganho de massa ou de desempenho.
- Estados Unidos: a prasterona é aprovada pela FDA desde 16 de novembro de 2016 como Intrarosa, inserto vaginal de 6,5 mg para dor na relação por atrofia vulvovaginal da menopausa. NÃO VERIFIQUEI a situação do DHEA oral vendido como suplemento nos EUA.
- WADA: prasterona (DHEA) na classe S1.1 da Lista Proibida de 2026, proibida em competição e fora dela.
| Active ingredient | Search pattern | Active registrations | Declared therapeutic class | Products |
|---|---|---|---|---|
| prasterona (DHEA) | prasteron|deidroepiandrost|dehidroepiandrost|\bdhea\b | 0 | — | Nenhum registro, ativo ou inativo |
What this survey did not do
- Li resumos, não os artigos inteiros. Em especial, não resolvi a inconsistência de duração no resumo de 1994.
- Não localizei estudo da Universidade de Washington sobre DHEA e cortisol no músculo; o que achei dessa universidade não trata de cortisol no resumo.
- Não verifiquei a regra de manipulação de substâncias da lista C5 em farmácia magistral, nem a situação do DHEA como suplemento nos EUA.
- Não li a Resolução CFM nº 1.999/2012 diretamente; cito-a como mencionada na Resolução CFM nº 2.333/2023.
- Não avaliei interações em base de interação medicamentosa.
- Não avaliei os usos do DHEA em fertilidade, lúpus, insuficiência adrenal e menopausa, que dominam os ensaios registrados.
References
- Morales AJ, Nolan JJ, Nelson JC, Yen SS. Effects of replacement dose of dehydroepiandrosterone in men and women of advancing age. J Clin Endocrinol Metab. 1994;78(6):1360-7. PMID 7515387 — o artigo do IGF-1 citado nos vídeos; sem medida de força.
- Morales AJ, Haubrich RH, Hwang JY, et al. The effect of six months treatment with a 100 mg daily dose of dehydroepiandrosterone (DHEA) on circulating sex steroids, body composition and muscle strength in age-advanced men and women. Clin Endocrinol (Oxf). 1998;49(4):421-32. PMID 9876338 — IGF-1 em alta, cortisol inalterado, respostas diferentes por sexo.
- Brown GA, Vukovich MD, Sharp RL, et al. Effect of oral DHEA on serum testosterone and adaptations to resistance training in young men. J Appl Physiol (1985). 1999;87(6):2274-83. PMID 10601178 — 150 mg/dia em jovens com treino: nada além do placebo.
- Nair KS, Rizza RA, O'Brien P, et al. DHEA in elderly women and DHEA or testosterone in elderly men. N Engl J Med. 2006;355(16):1647-59. PMID 17050889 — 2 anos sem efeito em composição corporal, força ou qualidade de vida.
- Villareal DT, Holloszy JO. DHEA enhances effects of weight training on muscle mass and strength in elderly women and men. Am J Physiol Endocrinol Metab. 2006;291(5):E1003-8. PMID 16787962 — o estudo da Universidade de Washington: efeito só somado ao treino, em idosos.
- Baker WL, Karan S, Kenny AM. Effect of dehydroepiandrosterone on muscle strength and physical function in older adults: a systematic review. J Am Geriatr Soc. 2011;59(6):997-1002. PMID 21649617 — benefício em força inconclusivo.
- Corona G, Rastrelli G, Giagulli VA, et al. Dehydroepiandrosterone supplementation in elderly men: a meta-analysis study of placebo-controlled trials. J Clin Endocrinol Metab. 2013;98(9):3615-26. PMID 23824417 — efeito pequeno na gordura, dependente da conversão.
- Jankowski CM, Wolfe P, Schmiege SJ, et al. Sex-specific effects of dehydroepiandrosterone (DHEA) on bone mineral density and body composition: A pooled analysis of four clinical trials. Clin Endocrinol (Oxf). 2019;90(2):293-300. PMID 30421439 — efeitos diferentes em mulheres e homens.
- Buisson C, Frelat C, Privat K, et al. Metabolic and isotopic signature of short-term DHEA administration in women: Comparison with findings in men. Drug Test Anal. 2018;10(11-12):1744-1754. PMID 30315670 — detecção antidoping: positiva em mulheres, negativa para epitestosterona em homens.
- Orentreich N, Brind JL, Rizer RL, Vogelman JH. Age changes and sex differences in serum dehydroepiandrosterone sulfate concentrations throughout adulthood. J Clin Endocrinol Metab. 1984;59(3):551-5. PMID 6235241 — pico aos 20–24 anos e queda contínua.
- Bula do INTRAROSA (prasterona) no DailyMed — único produto com prasterona aprovado que localizei: inserto vaginal de 6,5 mg; estrogênio como metabólito.
- API da openFDA, endpoint drugsfda — Intrarosa, NDA 208470, aprovado em 2016.
- Resolução CFM nº 2.333/2023, do Conselho Federal de Medicina — veda anabolizantes e hormônios androgênicos para estética e desempenho.
- Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — prasterona na classe S1.1.
- PubMed E-utilities (esearch) — the basis for all article counts on this page.
- Public ClinicalTrials.gov API, version 2 — the source for all the study and phase 3 counts on this page.