Atrazina na água (herbicida)
Os sapos que "viraram fêmeas" eram 4 de 40, a 2,5 ppb; na água tratada de 22 capitais, a atrazina medida ficou entre 2 e 6 nanogramas por litro.

Matériel expérimental. Lisez avant d’utiliser quoi que ce soit d’ici.
Rien sur cette page n’est une recommandation médicale, une prescription ou un plan de traitement. C’est une traduction organisée de protocoles qui circulent dans des communautés de recherche et, quand cela existe, de ce que des essais publiés ont testé. Les deux choses sont marquées différemment — et ne sont pas équivalentes.
La plupart des composés ici n’ont pas d’approbation de la FDA pour un usage humain. Plusieurs sont vendus avec l’étiquette « usage exclusivement en recherche », ce qui signifie qu’ils n’ont passé aucun contrôle de pureté, de stérilité ou de dosage pour une consommation par des personnes. Une dose décrite par la communauté n’est pas une dose validée : c’est ce que quelqu’un a rapporté avoir fait.
Parlez avec un professionnel de santé habilité avant d’envisager l’un de ces composés. Si vous en utilisez déjà un et ressentez quelque chose d’imprévu, consultez — n’attendez pas le prochain examen de routine.
Résumé
A atrazina é um herbicida de milho e cana, o 7º agrotóxico mais vendido no Brasil em 2024, e aparece em rio e em água tratada. Em sapos, o laboratório de Tyrone Hayes viu machos virarem fêmeas funcionais (4 de 40, a 2,5 ppb); uma repetição exigida pela agência americana, paga pela fabricante, não viu efeito. Em homens, não achei estudo de testosterona; há um estudo de sêmen com 86 homens e associações fracas com peso ao nascer e menarca. O limite brasileiro na água potável é 2 µg/L. O tratamento convencional não remove a atrazina; carvão ativado remove.
Pourquoi cette page existe
A atrazina aparece descrita em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como o herbicida que "feminizou o sapo" e que o homem "bebe todo dia" na água da torneira. O roteiro: um biólogo da Universidade da Califórnia em Berkeley pôs sapos machos em água com atrazina "na mesma concentração da torneira da sua cozinha" e eles viraram fêmeas "biologicamente, completamente, com ovários funcionais"; a fabricante perseguiu o cientista; em humanos, "os estudos mostram" testosterona mais baixa, alteração fetal, puberdade precoce em meninas e atrasada em meninos; a Europa baniu e o Brasil não. Um dos vídeos admite que, em humanos, a causa "ainda não está cravada". A saída proposta é filtrar a água, junto de "cinco ajustes" e um "jeito prático" que não são revelados.
Esta página trata de algo que se evita, não de algo que se toma. Como na página sobre plásticos (ver a página bpa-ftalatos-plasticos), a tabela de doses deu lugar às exposições usadas nos estudos e ao que de fato remove a atrazina da água.
Levantei as alegações de 2 vídeos curtos e conferi 20 delas. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
Quanta exposição existe, medida no Brasil
- É um dos herbicidas mais vendidos do país, mas não o primeiro. Em 2024, o Brasil vendeu 24.909 toneladas de atrazina, o 7º lugar entre os agrotóxicos, segundo o IBAMA. O primeiro foi o glifosato, com 231.888 toneladas (ver a página glifosato-transgenicos). Nos Estados Unidos, o grupo de Hayes a descrevia em 2002 como o herbicida mais usado do país (Hayes 2002).
- Aparece na água tratada, em concentração muito baixa. Num levantamento nacional com 100 amostras de água potável de 22 capitais, coletadas em 2011 e 2012, a atrazina foi, ao lado da cafeína, a substância mais detectada, com concentrações de 2,0 a 6,0 ng/L na água tratada e até 15 ng/L na água bruta (Machado 2016). O limite brasileiro é 2 µg/L, e 1 µg/L equivale a 1.000 ng/L.
- O tratamento convencional não a remove. Em Campinas, a atrazina e três produtos da sua degradação foram detectados em 100% das amostras de rio e de água tratada, entre 2 e 2.744 ng/L somando os quatro compostos, sem remoção após o tratamento convencional; a avaliação de risco pelas normas brasileiras não indicou risco (De Caroli Vizioli 2023). Em laboratório, coagulação, floculação, abrandamento e cloro não removeram as clorotriazinas; só o carvão ativado removeu (Jiang 2006).
- NÃO VERIFIQUEI dados do sistema nacional de vigilância da qualidade da água para atrazina, nem a concentração em poços rurais brasileiros.
O que os sapos mostraram, e o que a repetição não mostrou
O estudo de 2002 existe e é na revista da Academia Nacional de Ciências americana. Larvas de rã-de-unhas-africana (Xenopus laevis) foram criadas em água com atrazina de 0,01 a 200 ppb. A partir de 0,1 ppb, apareceram animais hermafroditas; a partir de 1 ppb, a laringe dos machos ficou desmasculinizada; machos adultos expostos a 25 ppb tiveram testosterona 10 vezes menor. Os autores levantaram a hipótese de que a atrazina induz a aromatase (Hayes 2002).
O estudo de 2010 é o dos "machos que viraram fêmeas". Machos genéticos foram criados em 2,5 ppb de atrazina desde a eclosão. Na maturidade, 36 de 40 pareciam machos; 10% dos machos genéticos expostos viraram fêmeas funcionais, que copularam com machos não expostos e puseram ovos viáveis. Os machos expostos tiveram testosterona menor, menos espermatogênese e menor fertilidade (Hayes 2010). O financiamento declarado veio de uma empresa de água e de fundações.
A repetição pedida pela agência ambiental americana deu outro resultado. Em dois laboratórios independentes, larvas da mesma espécie expostas de 0,01 a 100 µg/L de atrazina não tiveram alteração na proporção de machos nem mais animais de sexo misto; o estradiol, usado como controle positivo, feminizou as larvas (Kloas 2009). Esse estudo foi financiado pela fabricante do herbicida, e um dos autores era funcionário dela, como o próprio artigo declara.
As revisões também se dividem. Uma meta-análise qualitativa de estudos com peixes e anfíbios achou efeito consistente na morfologia da gônada em 7 de 10 estudos, nos hormônios sexuais em 6 de 7 e na espermatogênese em 2 de 2, mas aumento de aromatase em só 1 de 6 estudos (Rohr e McCoy 2010). Uma revisão por peso de evidência, que tem entre os autores o funcionário da fabricante declarado no estudo de 2009, concluiu que a atrazina mexe em marcadores como hormônios e genes, mas sem efeito adverso em sobrevivência, crescimento, desenvolvimento e reprodução (Van Der Kraak 2014). Sapo não é homem: os anfíbios vivem dentro da água e fazem a diferenciação sexual nela.
O que foi medido em mamíferos e em gente
- Em ratos, em dose alta, a testosterona cai. Ratos adultos que receberam 50, 200 e 300 mg/kg tiveram testosterona menor, estradiol maior e atrofia do testículo nas doses acima de 50 mg/kg (Victor-Costa 2010). Ratos jovens que receberam de 12,5 a 200 mg/kg tiveram a puberdade atrasada, e a testosterona dentro do testículo caiu só no grupo de dose mais alta (Stoker 2000). Uma revisão encomendada pela fabricante situa em cerca de 25 mg/kg por dia a dose sem efeito para esses desfechos em roedores (Cooper 2026).
- Em homens, não achei estudo que medisse testosterona e atrazina. A busca por atrazina, testosterona e homens, trabalhadores ou agricultores com dosagem no sangue ou na urina devolveu só a revisão da fabricante.
- Há um estudo de sêmen, pequeno. Em homens férteis de uma região agrícola do Missouri, comparados com homens de Minnesota (50 e 36 participantes), quem tinha metabólito de atrazina acima do limite de detecção na urina teve 11,3 vezes mais chance de estar no grupo de sêmen ruim. Outros dois agrotóxicos tiveram associação mais forte, e em Minnesota nada se associou (Swan 2003). É uma amostra de urina, no dia da coleta do sêmen.
- Na gestação, as associações são fracas e a qualidade é baixa. Na coorte francesa PELAGIE, com 579 gestantes, ter atrazina ou metabólito quantificável na urina se associou a restrição de crescimento fetal (razão de chances 1,5; IC 1,0–2,2) e cabeça menor (1,7; IC 1,0–2,7), sem associação com malformações (Chevrier 2011). Em 24.154 nascimentos em Indiana, atrazina na água acima de 0,644 µg/L na gestação se associou a mais bebês pequenos para a idade gestacional (razão de prevalência 1,14; IC 1,03–1,24), sem efeito no parto prematuro (Ochoa-Acuña 2009). Em Kentucky, os condados de maior exposição tiveram mais partos prematuros (razões de 1,20 a 1,26), com medida de exposição por condado (Rinsky 2012). Uma revisão sistemática paga pela fabricante concluiu que os dados são de má qualidade e que nenhum desfecho mostrou associação consistente (Goodman 2014).
- Na puberdade, um estudo em meninas e nenhum em meninos. Na coorte inglesa ALSPAC, o metabólito da atrazina na urina da mãe na gravidez não se associou de forma significativa à menarca antes de 11,5 anos (razão de chances 1,13; IC 0,82–1,55); a associação só apareceu no subgrupo sem dados faltantes (1,86; IC 1,03–3,38) (Namulanda 2017). Uma revisão sistemática sobre agrotóxicos não persistentes e puberdade classificou a qualidade da evidência como geralmente baixa (Castiello 2021). Puberdade atrasada em meninos foi vista em ratos (Stoker 2000), não em meninos.
Combien de preuves existent, vraiment
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| Base | Requête | Résultat |
|---|---|---|
| PubMed | atrazine | 6.465 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (amphibian OR amphibians OR frog OR frogs OR Xenopus) | 244 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (testosterone OR Leydig OR sperm OR semen OR testis) | 237 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (testosterone OR Leydig OR sperm OR semen OR testis) AND (humans[MeSH Terms]) | 30 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (drinking water) | 402 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (drinking water) AND (Brazil) | 24 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (Meta-Analysis[Publication Type] OR Systematic Review[Publication Type]) | 26 artigos |
| PubMed | (atrazine) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type]) | 1 artigo |
| ClinicalTrials.gov | termo livre (query.term): atrazine | 1 étude enregistrée |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: atrazine | 1 étude enregistrée |
| ClinicalTrials.gov | termo livre (query.term): atrazine AND AREA[Phase]PHASE3 | 0 ensaios de fase 3 |
Lecture honnête de ces chiffres
- Dos 30 artigos "em humanos" sobre testículo e hormônio, quase nenhum mede um homem. A lista traz linhagens de células humanas, ratos, camundongos, revisões e uma notícia da revista Nature sobre a controvérsia. Os estudos com homens reais são o do sêmen no Missouri e os de exposição geral.
- O único "ensaio clínico" é um estudo de urina de aplicadores. O artigo marcado como ensaio valida a medida de atrazina na urina de quem aplica o herbicida; não testa nenhuma intervenção de saúde.
- O único registro de estudo é sobre sistema imune de agricultores. O registro, do instituto nacional do câncer americano, trata de linfoma e da lavoura de milho, não de testosterona. Registro não é resultado.
- Quem pagou o estudo muda o resultado que se lê. O estudo positivo nos sapos tem financiamento de fundações e de uma empresa de água; a repetição negativa, a revisão negativa da gestação e a revisão dos roedores foram pagas pela fabricante.
- Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
Os estudos que sustentam (ou não) as alegações
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre atrazina e saúde masculina.
| Étude | N | Contexte | Ce qui a été rapporté | Réserve |
|---|---|---|---|---|
| Hayes et al., 2002 Proc Natl Acad Sci U S A 99(8):5476-80 · PMID 11960004 | larvas de rã | 0,01 a 200 ppb durante o desenvolvimento larval | Hermafroditismo a partir de 0,1 ppb; laringe desmasculinizada a partir de 1 ppb; testosterona 10 vezes menor em machos adultos a 25 ppb | Anfíbio; aromatase é hipótese dos autores |
| Hayes et al., 2010 Proc Natl Acad Sci U S A 107(10):4612-7 · PMID 20194757 | 40 machos genéticos expostos | 2,5 ppb desde a eclosão | 10% viraram fêmeas funcionais que puseram ovos viáveis; testosterona e fertilidade menores | Anfíbio; financiado por fundações e uma empresa de água |
| Kloas et al., 2009 Toxicol Sci 107(2):376-84 · PMID 19008211 | larvas de rã, 2 laboratórios | 0,01 a 100 µg/L, exigido pela agência americana | Nenhum efeito na proporção de machos nem em sexo misto | Financiado pela fabricante; um autor funcionário dela |
| Rohr e McCoy, 2010 Environ Health Perspect 118(1):20-32 · PMID 20056568 | estudos com peixes e anfíbios | Meta-análise qualitativa | Gônada alterada em 7 de 10 estudos; hormônios em 6 de 7; aromatase aumentada em 1 de 6 | Efeito em população e reprodução incerto, dizem os autores |
| Van Der Kraak et al., 2014 Crit Rev Toxicol 44 Suppl 5:1-66 · PMID 25375889 | mais de 1.290 respostas; 31 espécies de peixes, 32 de anfíbios e 8 de répteis | Peso de evidência | Mexe em marcadores, sem efeito adverso em sobrevivência, crescimento e reprodução | Tem entre os autores o funcionário da fabricante declarado no estudo de 2009 |
| Victor-Costa et al., 2010 Reprod Toxicol 29(3):323-31 · PMID 20045047 | ratos adultos | 50, 200 e 300 mg/kg | Testosterona menor, estradiol maior, testículo atrofiado acima de 50 mg/kg | Doses muito acima da exposição pela água |
| Stoker et al., 2000 Toxicol Sci 58(1):50-9 · PMID 11053540 | ratos jovens | 12,5 a 200 mg/kg, dos 23 aos 53 dias | Puberdade atrasada; testosterona do testículo menor só na dose mais alta | Rato |
| Swan et al., 2003 Environ Health Perspect 111(12):1478-84 · PMID 12948887 | 86 homens (50 e 36) | Caso-controle, Missouri e Minnesota | Atrazina detectável na urina: razão de chances 11,3 de sêmen ruim no Missouri | Pequeno; uma amostra; outros agrotóxicos juntos |
| Chevrier et al., 2011 Environ Health Perspect 119(7):1034-41 · PMID 21367690 | 579 gestantes | Coorte francesa | Restrição de crescimento fetal 1,5 (IC 1,0–2,2); cabeça menor 1,7 (IC 1,0–2,7) | Atrazina quantificável em só 5,5% das urinas |
| Ochoa-Acuña et al., 2009 Environ Health Perspect 117(10):1619-24 · PMID 20019915 | 24.154 nascimentos | Indiana, atrazina na rede pública | Bebê pequeno para a idade gestacional: 1,14 (IC 1,03–1,24) acima de 0,644 µg/L | Exposição estimada pelo sistema de água, não medida na mãe |
| Goodman et al., 2014 Birth Defects Res B 101(3):215-36 · PMID 24797711 | revisão | Desfechos de gravidez | Dados de má qualidade; nenhum desfecho com associação consistente | Paga pela fabricante, como o artigo declara |
| Namulanda et al., 2017 Environ Res 156:420-425 · PMID 28410519 | 174 casos e 195 controles | Coorte inglesa, urina da mãe na gravidez | Menarca precoce: 1,13 (IC 0,82–1,55), não significativa | Só no subgrupo sem dados faltantes: 1,86 |
| Machado et al., 2016 Sci Total Environ 572:138-146 · PMID 27494660 | 100 amostras, 22 capitais | Água potável, 2011 e 2012 | Atrazina entre as mais detectadas; 2,0 a 6,0 ng/L | Levantamento preliminar, segundo os autores |
Exposições usadas nos estudos
Isto não é recomendação: é o registro de quanto de atrazina foi usado em estudos publicados, em quem e por quanto tempo. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem para a água de casa.
| Étude | Exposição | Durée | Em quem | O que o estudo queria medir |
|---|---|---|---|---|
| Hayes et al., 2002 | 0,01 a 200 ppb na água | Desenvolvimento larval | Larvas de rã | Gônada e laringe |
| Hayes et al., 2010 | 2,5 ppb na água | Da eclosão à maturidade | Rãs machos genéticos | Feminização e fertilidade |
| Kloas et al., 2009 | 0,01 a 100 µg/L | Do 8º dia ao fim da metamorfose | Larvas de rã | Diferenciação sexual |
| Stoker et al., 2000 | 12,5 a 200 mg/kg por sonda | Do 23º ao 53º dia de vida | Ratos jovens | Puberdade e tireoide |
| Victor-Costa et al., 2010 | 50 a 300 mg/kg | Não informado no resumo | Ratos adultos | Testículo e hormônios |
| Portaria GM/MS 888/2021 | Atrazina + clorotriazinas até 2,0 µg/L | — | Água potável no Brasil | Limite regulatório, não estudo |
| — | Ingestão diária aceitável de 0,02 mg/kg de peso | Vida toda | População brasileira | Valor de referência, não estudo |
O que de fato remove a atrazina da água
- O tratamento convencional da companhia de água não remove. Coagulação, floculação, sedimentação, abrandamento com cal e desinfecção com cloro foram ineficazes contra a atrazina e seus derivados clorados; o carvão ativado em pó foi parcialmente eficaz (Jiang 2006). Em Campinas, não houve remoção depois do tratamento convencional (De Caroli Vizioli 2023).
- O carvão ativado granular foi o melhor adsorvente testado. Num estudo brasileiro que comparou carvões em pó, granulados e nanotubos de carbono para atrazina, simazina e diurom, o carvão ativado granular foi o mais eficiente (Alves Pimenta 2022). É estudo de tratamento de água em estação, não de filtro doméstico.
- O filtro de casa funciona no laboratório; no uso real, quase não foi medido. Uma revisão sobre filtros de ponto de uso nos Estados Unidos concluiu que muitos aparelhos foram testados e certificados em laboratório para remover contaminantes químicos, mas que a eficácia no uso real ainda não foi bem caracterizada, e que agrotóxicos quase não entram nos estudos de campo (Brown 2017).
- Nenhum estudo mediu testosterona depois de filtrar a água. O que existe é medida de remoção do químico.
Das 20 alegações conferidas, 4 se confirmam, e nenhuma delas é sobre testosterona em homens
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa os rótulos confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | Verdict |
|---|---|---|
| Tyrone Hayes, biólogo de Berkeley, expôs sapos machos à atrazina | Os dois estudos existem (Hayes 2002; Hayes 2010) | Confirmado |
| Foi publicado na revista da Academia de Ciências americana, em 2002 | Confirmado (Hayes 2002) | Confirmado |
| Os sapos estavam "na mesma concentração da torneira da sua cozinha" | Em 2002, efeitos a partir de 0,1 ppb; em 2010, 2,5 ppb, acima do limite brasileiro de 2 µg/L; a água tratada de 22 capitais tinha 2,0 a 6,0 ng/L (Machado 2016) | Parcialmente |
| Os machos viraram fêmeas "biologicamente, completamente", com ovários funcionais e comportamento reprodutivo feminino | Em 2010, 10% dos 40 machos genéticos viraram fêmeas funcionais; a repetição exigida pela agência americana não viu efeito na diferenciação sexual (Kloas 2009) | Estudo em animal ou in vitro |
| Macho exposto vira fêmea; o sistema reprodutor inteiro se reorganiza | Gônada alterada em 7 de 10 estudos com peixes e anfíbios (Rohr e McCoy 2010); sem efeito adverso nos desfechos finais, para outra revisão (Van Der Kraak 2014) | Estudo em animal ou in vitro |
| É o herbicida mais usado nas lavouras de milho do Brasil e dos EUA | Nos EUA, os autores de 2002 o descrevem como o herbicida mais usado; no Brasil, foi o 7º agrotóxico mais vendido em 2024 (IBAMA); não verifiquei o uso só no milho | Parcialmente |
| Está no lençol freático, nos rios e na água que abastece cidades | Detectada em água potável de capitais (Machado 2016) e em 100% das amostras de rio e de água tratada em Campinas (De Caroli Vizioli 2023) | Confirmado |
| A fabricante abriu um dossiê contra o cientista, contratou investigadores e tentou destruir a reputação dele "por 10 anos"; isso foi documentado | Reportagem de 2013 baseada em documentos de um processo judicial descreve detetives, perfil psicológico e monitoramento de palestras; os "10 anos" não verifiquei | Parcialmente |
| Em humanos, os estudos mostram redução de testosterona | Não localizei estudo em homens; a queda foi vista em ratos com 50 mg/kg ou mais (Victor-Costa 2010) | Sem estudo em humanos |
| Em humanos, há alteração do desenvolvimento fetal | Associações fracas com crescimento fetal (Chevrier 2011; Ochoa-Acuña 2009); revisão paga pela fabricante não achou associação consistente (Goodman 2014) | Parcialmente |
| Puberdade precoce em meninas | Um estudo: associação não significativa (1,13), significativa só num subgrupo (Namulanda 2017) | Parcialmente |
| Puberdade "atrofiada" em meninos | Visto em ratos (Stoker 2000); não localizei estudo em meninos | Estudo em animal ou in vitro |
| Populações expostas mostraram queda na qualidade do esperma | Um caso-controle com 86 homens, razão de chances 11,3 no Missouri e nada em Minnesota (Swan 2003) | Parcialmente |
| Em humano, a causalidade direta "ainda não está cravada" | É o que dizem as revisões: qualidade baixa e associações inconsistentes (Goodman 2014; Castiello 2021) | Confirmado |
| A atrazina gera 2 bilhões de dólares por ano | Não localizei fonte para esse número | Número não encontrado na fonte citada |
| "Parte da Europa" já baniu | A União Europeia inteira não incluiu a atrazina na lista de substâncias aprovadas e mandou retirar as autorizações até 10 de setembro de 2004 (Decisão 2004/248/CE) | Parcialmente |
| No Brasil, o lobby segura a proibição; "sabem do risco e deixam rolar" | A atrazina é autorizada, com ingestão diária aceitável de 0,02 mg/kg e limite na água de 2 µg/L; uma ação do Ministério Público do Trabalho pediu a proibição em 2023; não localizei estudo sobre lobby | Não sustentado |
| Atrazina não tem cor, cheiro nem gosto, e "você só percebe quando o corpo já está falhando" | Não localizei estudo que ligue a concentração da água tratada a falha de órgão em adultos | Não sustentado |
| Precisa de um filtro de água | Carvão ativado remove atrazina em estação de tratamento (Jiang 2006; Alves Pimenta 2022); o efeito do filtro doméstico no uso real é pouco medido (Brown 2017); ninguém mediu testosterona | Parcialmente |
| Existe um "jeito prático" e "cinco ajustes" que revertem o efeito e sobem a testosterona | Os ajustes não foram revelados; não há o que conferir | Não sustentado |
Placar: 4 confirmadas, 8 parcialmente, 3 não sustentadas, 1 sem estudo em humanos, 3 com estudo só em animal ou in vitro e 1 com número não encontrado na fonte citada.
Quem tem mais motivo para saber o que há na água
- Quem usa poço perto de lavoura de milho ou cana. A atrazina vai para rio e lençol, e o tratamento convencional não a remove. Água de poço sem tratamento não passa pelo controle da portaria. NÃO VERIFIQUEI medições em poços rurais brasileiros.
- Gestantes em região de lavoura. Os sinais em humanos, ainda fracos, aparecem no crescimento fetal (Chevrier 2011; Ochoa-Acuña 2009).
- Quem aplica o herbicida. O único registro de estudo e os estudos de urina tratam de aplicadores, a população mais exposta.
- Homens com testosterona baixa ou problema de ereção. Não achei estudo mostrando que filtrar a água corrige isso. Filtrar pode reduzir a exposição; não substitui investigação médica.
Statut réglementaire
- Brasil, água potável: "Atrazina + S-clorotriazinas" (deetil-atrazina, deisopropil-atrazina e diaminoclorotriazina) com valor máximo permitido de 2,0 µg/L, e hidroxi-atrazina com 120,0 µg/L (Portaria GM/MS 888/2021, Anexo 9). NÃO VERIFIQUEI alterações posteriores dessa tabela.
- Brasil, situação: autorizada. Uma ação do Ministério Público do Trabalho pediu a proibição em outubro de 2023, segundo a imprensa. NÃO VERIFIQUEI o andamento da ação nem consulta pública aberta sobre a monografia.
- União Europeia: não incluída entre as substâncias aprovadas; autorizações retiradas até 10 de setembro de 2004, com usos limitados até 30 de junho de 2007 (Decisão 2004/248/CE). NÃO VERIFIQUEI o limite europeu atual para agrotóxico na água potável.
- Estados Unidos: autorizada; limite máximo na água potável de 0,003 mg/L (3 µg/L), com "problemas cardiovasculares ou reprodutivos" listados como efeito de longo prazo pela agência ambiental.
- WADA: não se aplica.
Ce que ce relevé n'a pas fait
- Não verifiquei dados nacionais de vigilância da água para atrazina, concentração em poços rurais, o andamento da ação do Ministério Público do Trabalho e o limite europeu atual para agrotóxico na água.
- Não verifiquei os documentos judiciais sobre a campanha contra o cientista; li a reportagem que os descreve.
- Não avaliei filtros comerciais específicos nem certificações de filtro, e não avaliei osmose reversa, que aparece em outra página da série (ver a página fluor-agua-pineal).
- Não avaliei câncer e atrazina; o foco foi testosterona, sêmen, gestação e puberdade.
- Não li o estudo de Paraná sobre agrotóxicos na água e câncer: o resumo não deixa claro qual limite usou para dizer que municípios estavam "acima", e por isso não o citei.
Références
- Hayes TB, Collins A, Lee M, et al. Hermaphroditic, demasculinized frogs after exposure to the herbicide atrazine at low ecologically relevant doses. Proc Natl Acad Sci U S A. 2002;99(8):5476-80. PMID 11960004 — o estudo de 2002 com rãs.
- Hayes TB, Khoury V, Narayan A, et al. Atrazine induces complete feminization and chemical castration in male African clawed frogs (Xenopus laevis). Proc Natl Acad Sci U S A. 2010;107(10):4612-7. PMID 20194757 — 10% dos machos genéticos viraram fêmeas funcionais a 2,5 ppb.
- Kloas W, Lutz I, Springer T, et al. Does atrazine influence larval development and sexual differentiation in Xenopus laevis? Toxicol Sci. 2009;107(2):376-84. PMID 19008211 — a repetição sem efeito, financiada pela fabricante.
- Rohr JR, McCoy KA. A qualitative meta-analysis reveals consistent effects of atrazine on freshwater fish and amphibians. Environ Health Perspect. 2010;118(1):20-32. PMID 20056568 — efeitos em gônada e hormônios; aromatase em 1 de 6.
- Van Der Kraak GJ, Hosmer AJ, Hanson ML, Kloas W, Solomon KR. Effects of atrazine in fish, amphibians, and reptiles: an analysis based on quantitative weight of evidence. Crit Rev Toxicol. 2014;44 Suppl 5:1-66. PMID 25375889 — marcadores alterados, sem efeito adverso final.
- Victor-Costa AB, Bandeira SM, Oliveira AG, Mahecha GA, Oliveira CA. Changes in testicular morphology and steroidogenesis in adult rats exposed to Atrazine. Reprod Toxicol. 2010;29(3):323-31. PMID 20045047 — testosterona menor em ratos com dose alta.
- Stoker TE, Laws SC, Guidici DL, Cooper RL. The effect of atrazine on puberty in male wistar rats: an evaluation in the protocol for the assessment of pubertal development and thyroid function. Toxicol Sci. 2000;58(1):50-9. PMID 11053540 — puberdade atrasada em ratos.
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