Limosilactobacillus reuteri (cepa ATCC PTA 6475)
Os testículos maiores e a testosterona alta são de camundongos; no único ensaio com placebo em homens de 55 a 65 anos, a mesma cepa não mudou a testosterona.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.
Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.
A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.
Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.
Resumo
Limosilactobacillus reuteri é uma bactéria do intestino e do leite humano, vendida como probiótico. A cepa ATCC PTA 6475 ficou famosa por um estudo de 2014 do MIT, em camundongos: os que beberam a bactéria na água tiveram testículos maiores, mais células de Leydig e testosterona mais alta na velhice, e bloquear a interleucina-17A reproduziu o efeito. Em pessoas, o resultado foi outro. Num ensaio randomizado de 12 semanas em homens de 55 a 65 anos, a cepa não mudou a testosterona, em dose alta nem baixa; um piloto japonês com 10 pessoas também não viu mudança notável. No Brasil, a cepa entrou em 2026 na lista de suplementos, só associada a outra e só com alegação intestinal.
Por que esta página existe
O probiótico Limosilactobacillus reuteri (antes chamado Lactobacillus reuteri) aparece em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como uma bactéria que aumentaria a testosterona "pra sempre" em mamíferos, com menção a garanhões campeões, a um veterinário que a teria descoberto e a um "aumento de 300%". O vídeo cita a "Universidade de Massachusetts" e a revista PLOS One: camundongos que receberam a cepa "ATCC PTA 6475" não teriam tido a queda hormonal do envelhecimento, teriam testículos de 5% a 15% mais pesados, mais células de Leydig e massa magra preservada mesmo com dieta gordurosa, porque a bactéria "esmagaria" a interleucina-17A. Outro vídeo diz que, junto com a planta Cistanche tubulosa, a bactéria "duplica a testosterona", e que a combinação foi "testada em humanos". O próprio narrador admite, no primeiro vídeo, que "não sabe se tem em humanos".
Eu fui atrás. Levantei as alegações dos 2 vídeos curtos sobre o tema, separei as 16 que são verificáveis e procurei cada estudo citado, inclusive o texto completo do estudo de 2014 e o ensaio em homens que o vídeo não menciona. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
Este site trata de assunto vizinho também em Cistanche (Cistanche deserticola e Cistanche tubulosa).
O que é, e por que a cepa importa
L. reuteri é uma espécie de bactéria lática. Segundo o estudo de 2014, a cepa usada, ATCC PTA 6475, foi originalmente isolada de leite humano. Em probióticos, o efeito é atribuído a cepas, não à espécie: duas cepas da mesma espécie podem fazer coisas diferentes. A própria norma brasileira trata cada cepa como um constituinte separado, com limites e alegações próprios. O vídeo acerta quando diz que "um código no rótulo" muda tudo. O que ele não diz é que, para essa cepa e para a testosterona em homens, o resultado medido foi nulo.
O mecanismo foi testado em camundongos, com anticorpo, não em gente
O estudo de 2014 é de Poutahidis e colegas, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), em Cambridge, Massachusetts, publicado na PLOS One e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. Os autores contam que a descoberta veio "durante estudos de probióticos e obesidade". Camundongos machos receberam a cepa na água de beber, na dose de 3,5 × 10⁵ bactérias por animal por dia, a partir dos 2 meses de idade, e foram comparados com animais da mesma dieta, normal ou do tipo "ocidental", rica em gordura e pobre em fibra.
Segundo o resumo, os camundongos que beberam a bactéria tinham testículos maiores, mais túbulos seminíferos, mais produção de espermatozoides, mais células de Leydig e testosterona sérica mais alta. Para testar o mecanismo, os autores deram a outros camundongos, por injeção, anticorpos que bloqueiam a interleucina-17A, uma molécula inflamatória; isso reproduziu o efeito nos testículos. A conclusão deles é que a inflamação descontrolada contribui para a atrofia testicular em camundongos velhos.
Esse é um estudo bem feito em camundongos. O passo seguinte, testar em homens, foi dado dez anos depois, e está na tabela de estudos.
Quanta evidência existe, de verdade
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| Base | Consulta | Resultado |
|---|---|---|
| PubMed | ("Lactobacillus reuteri" OR "Limosilactobacillus reuteri" OR "L. reuteri") | 3.632 artigos |
| PubMed | ("Lactobacillus reuteri" OR "Limosilactobacillus reuteri") AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 322 artigos |
| PubMed | ("Lactobacillus reuteri" OR "Limosilactobacillus reuteri") AND ("6475" OR "PTA 6475" OR "PTA6475") | 77 artigos |
| PubMed | ("Lactobacillus reuteri" OR "Limosilactobacillus reuteri") AND (testosterone OR testis OR testicular OR Leydig) | 14 artigos |
| PubMed | ("Lactobacillus reuteri" OR "Limosilactobacillus reuteri") AND (testosterone OR testis OR testicular OR Leydig) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Clinical Trial[Publication Type]) | 1 artigo |
| PubMed | (probiotic* OR Lactobacillus) AND (testosterone) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 30 artigos |
| PubMed | ("Cistanche tubulosa") AND ("Lactobacillus reuteri" OR "Limosilactobacillus reuteri" OR probiotic) | 2 artigos |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: Lactobacillus reuteri OR Limosilactobacillus reuteri | 271 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: (Lactobacillus reuteri OR Limosilactobacillus reuteri) AND AREA[Phase]PHASE3 | 26 ensaios de fase 3 |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: (Lactobacillus reuteri OR Limosilactobacillus reuteri) AND 6475 | 14 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | busca livre: reuteri AND testosterone | 2 estudos registrados |
Leitura honesta desses números
- Dos 14 artigos de L. reuteri com testículo ou testosterona, 1 é ensaio em homens, e ele foi negativo. Os outros são, pelos títulos, de ratos e camundongos (calor, inseticida, ácido biliar, dieta gordurosa), de células ou de outros temas; mais um piloto japonês sem grupo controle.
- A cepa 6475 é estudada em pessoas, mas para outras coisas. Dos 14 registros com a cepa no ClinicalTrials.gov, a maioria é de Helicobacter pylori, osso, intestino irritável e autismo. Só a busca livre com testosterona devolve o ensaio sueco em homens, patrocinado pelo fabricante do probiótico, e um estudo de osso.
- A combinação com cistanche não tem estudo. As 2 referências que juntam Cistanche tubulosa e probiótico são de camundongos e ratos, e não testam L. reuteri.
- Registro não é resultado; contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
Os estudos que sustentam as alegações
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre L. reuteri e testosterona. Leia o que cada um mediu, em quem e em quantos.
| Estudo | N | Contexto | O que relatou | Ressalva |
|---|---|---|---|---|
| Poutahidis et al., 2014 PLoS One 9(1):e84877 · PMID 24392159 | Camundongos (n = 7 por grupo na estereologia) | Camundongos machos; L. reuteri ATCC PTA 6475 na água, 3,5 × 10⁵ por animal por dia; dieta normal ou "ocidental" | Testículos maiores, mais células de Leydig e espermatogênese, testosterona sérica mais alta; anticorpo contra IL-17A reproduziu o efeito | Camundongo. O texto completo não traz "5% a 15%" nem "dobro"; os percentuais estão só em gráficos |
| Ljunggren et al., 2024 Contemp Clin Trials Commun 39:101300 · PMID 38770015 | 60 inscritos, segundo o registro NCT04577625 | Homens saudáveis de 55 a 65 anos; L. reuteri ATCC PTA 6475 em dose alta, baixa ou placebo; 12 semanas, duplo-cego | Nenhum efeito na testosterona, em nenhuma dose; triglicerídeos caíram na dose alta | Um dos autores é funcionário do fabricante, que patrocinou o registro; o resultado foi negativo mesmo assim |
| Noda et al., 2026 Biosci Microbiota Food Health 45(1):42-50 · PMID 41492377 | 10 | Japoneses de 50 a 69 anos; 1,0 × 10¹⁰ células vivas de ATCC PTA 6475 por dia por 12 semanas, sem grupo controle | Sem mudança notável nos hormônios sexuais; gordura corporal, pressão e marcadores de inflamação menores | Piloto aberto, sem placebo |
| Nilsson et al., 2018 J Intern Med 284(3):307-317 · PMID 29926979 | 90 (70 concluíram) | Mulheres de 75 a 80 anos com osso fraco; 10¹⁰ UFC/dia de L. reuteri 6475 ou placebo por 12 meses | Menor perda de densidade óssea na tíbia; eventos adversos sem diferença | Mostra que a cepa é testada e tolerada em humanos, em outro desfecho |
| Wang et al., 2016 Pharm Biol 54(3):481-7 · PMID 26004585 | Ratos | Extrato etanólico de Cistanche tubulosa, 0,2 a 0,8 g/kg por 20 dias | Mais testosterona e progesterona; maior expressão de CYP11A1 e CYP17A1 no testículo; edema leve no fígado com a dose alta | Rato; não é a combinação com o probiótico |
| Tao et al., 2025 Nutrients 17(18):2965 · PMID 41010491 | 48 homens | Cistanche deserticola, 5 g de extrato 2 vezes ao dia, ou placebo, por 8 semanas de treino de força | Mais força máxima no agachamento e testosterona maior; cortisol, PCR e creatina quinase menores | Outra espécie de cistanche, sem L. reuteri; patrocinado pela empresa que forneceu o produto |
Doses usadas em estudos publicados
Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem.
| Estudo | Dose | Duração | Finalidade do estudo |
|---|---|---|---|
| Poutahidis et al., 2014 (camundongos) | 3,5 × 10⁵ bactérias por animal por dia, na água | Meses, a partir dos 2 meses de idade | Testículo e testosterona no envelhecimento |
| Ljunggren et al., 2024 | Dose alta ou baixa de ATCC PTA 6475 (o resumo não informa o número de bactérias) | 12 semanas | Testosterona em homens de 55 a 65 anos |
| Noda et al., 2026 | 1,0 × 10¹⁰ células vivas por dia, em 2 cápsulas | 12 semanas | Hormônios e síndrome metabólica |
| Nilsson et al., 2018 | 10¹⁰ UFC por dia | 12 meses | Perda óssea em mulheres idosas |
| IN 28/2018, Anexo III (mínimo para suplemento no Brasil) | 2 × 10⁸ UFC por dia da associação, 1 × 10⁸ de cada cepa | — | Mínimo para a alegação de saúde intestinal |
Em homens, a mesma cepa não repetiu o efeito dos camundongos
A pergunta que o próprio vídeo deixa no ar, "não sei se tem em humanos", tem resposta publicada. Em 2024, Ljunggren e colegas, na Suécia, randomizaram homens saudáveis de 55 a 65 anos para dose alta, dose baixa ou placebo de L. reuteri ATCC PTA 6475, por 12 semanas, em duplo-cego. A testosterona não mudou em nenhum dos grupos. Os autores escrevem que o estudo "não apoia a hipótese" de que o probiótico aumente a testosterona em homens que envelhecem. O ensaio foi registrado e patrocinado pelo fabricante do probiótico, e um dos autores trabalha para ele. Resultado negativo vindo do próprio fabricante pesa mais, não menos.
Um piloto japonês, publicado em 2026, deu 10 bilhões de células vivas por dia a 10 pessoas de 50 a 69 anos por 12 semanas, sem grupo controle. Não houve mudança notável nos hormônios sexuais. Os autores relatam queda de gordura corporal, pressão e marcadores de inflamação, mas sem placebo esse tipo de achado não separa efeito da bactéria de efeito do tempo.
A distância entre camundongo e homem é grande aqui. O camundongo bebeu a bactéria desde jovem e foi comparado com animais idênticos, mantidos na mesma dieta e no mesmo ambiente por meses. A testosterona do homem depende de idade, peso, sono, doenças e remédios, e 12 semanas podem ser pouco. Mas é o que existe, e o que existe é negativo.
Das 16 alegações conferidas, 2 se confirmam, e nenhuma delas é sobre testosterona em humanos
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | Veredito |
|---|---|---|
| A bactéria aumenta a testosterona "pra sempre" em "diversos mamíferos", inclusive garanhões | O estudo localizado é de camundongos; não achei estudo de testosterona em cavalos | Estudo em animal ou in vitro |
| "300% de aumento de testosterona" | Não localizei esse número no estudo de 2014 nem em outro | Número não encontrado na fonte citada |
| Foi descoberta por um veterinário que viu a bactéria dominante em garanhões campeões | Não localizei fonte | Não sustentado |
| "Menos de 10%" das pessoas têm a bactéria hoje | Não localizei fonte para o número | Número não encontrado na fonte citada |
| A fonte original é o leite materno | A cepa usada foi isolada de leite humano (Poutahidis 2014) | Confirmado |
| "Universidade de Massachusetts", PLOS One, camundongos machos, estudo de obesidade | PLOS One, camundongos, descoberta "durante estudos de probióticos e obesidade"; mas a instituição é o MIT, em Cambridge, Massachusetts | Parcialmente |
| A cepa ATCC PTA 6475 impediu a queda hormonal do envelhecimento | Em camundongos, testosterona e testículos "de jovem" (Poutahidis 2014) | Estudo em animal ou in vitro |
| Testículos 5% a 15% mais pesados e mais células de Leydig | Mais células de Leydig e testículos maiores em camundongos; o texto não traz "5% a 15%" | Número não encontrado na fonte citada |
| A bactéria "esmaga" a interleucina-17A, que "paralisa" o sistema endócrino | O anticorpo contra IL-17A reproduziu o efeito em camundongos | Estudo em animal ou in vitro |
| Os animais mantiveram a massa magra mesmo com dieta gordurosa e açucarada | No texto completo, os autores dizem que os camundongos com a bactéria escaparam da obesidade da dieta e tinham "físico magro", citando estudo anterior, e mais massa muscular em estudos separados, com "dados não mostrados" | Estudo em animal ou in vitro |
| "Um simples código no rótulo" (a cepa) muda o resultado | Efeito de probiótico é de cepa; a norma brasileira autoriza cepa por cepa | Confirmado |
| O efeito vale para humanos ("não sei se tem em humanos") | Em homens de 55 a 65 anos, 12 semanas: nenhum efeito (Ljunggren 2024); piloto sem controle: nada notável (Noda 2026) | Não sustentado |
| Com Cistanche tubulosa, a bactéria "duplica a testosterona" | Nenhum estudo da combinação localizado | Sem estudo em humanos |
| A cistanche "liga" as enzimas CYP11A1 e CYP17A1 | Em ratos, com extrato de C. tubulosa (Wang 2016) | Estudo em animal ou in vitro |
| "Testaram em humanos": força no agachamento maior, creatina quinase menor, testosterona maior | Existe um ensaio assim, mas com Cistanche deserticola sozinha, sem L. reuteri, patrocinado pela empresa do produto (Tao 2025) | Parcialmente |
| É um estudo da PLOS One que "ia avaliar a obesidade" e terminou com "a fábrica duplicada" | O estudo de 2014 nasceu de estudos de obesidade; "duplicada" não aparece no texto | Número não encontrado na fonte citada |
Placar: 2 confirmadas, 2 parcialmente, 2 não sustentadas, 4 com número não encontrado na fonte citada, 5 só com estudo em animal e 1 sem estudo em humanos.
Segurança e quem não deve usar
- Em pessoas, a cepa foi tolerada nos ensaios. Em 90 mulheres de 75 a 80 anos, 12 meses com 10¹⁰ UFC por dia não aumentaram eventos adversos frente ao placebo (Nilsson 2018).
- Quem não deve usar: pela norma brasileira, o rótulo da associação que contém a cepa deve dizer que não devem consumir gestantes, lactantes, lactentes, crianças, pessoas imunocomprometidas e pessoas com condição de saúde debilitante grave. Para pessoas imunocomprometidas, o motivo é geral para probióticos vivos; NÃO VERIFIQUEI relatos de infecção por esta cepa.
- Iogurte ou leite "cultivado" em casa com a bactéria, citado num dos vídeos, não tem estudo, dose conhecida nem garantia de que a bactéria que cresce é a que se quis cultivar. Isso é inferência minha.
- A cistanche teve edema leve no fígado com a dose alta em ratos (Wang 2016). NÃO VERIFIQUEI segurança da cistanche em humanos além do ensaio de 8 semanas citado.
- Interações: NÃO VERIFIQUEI bases de interação medicamentosa.
Status regulatório
- Brasil, suplemento alimentar: a IN 450, de 10 de junho de 2026, incluiu na IN 28/2018 a associação de L. reuteri DSM 17938 e L. reuteri ATCC PTA 6475 como probiótico. A cepa 6475 não aparece sozinha na lista; a DSM 17938 aparece sozinha desde 2020.
- Brasil, quem pode usar: a associação é autorizada só para maiores de 19 anos (os demais grupos estão como "não autorizado" no Anexo IV). O mínimo é 2 × 10⁸ UFC por dia, sendo 1 × 10⁸ de cada cepa (Anexo III); o máximo não está estabelecido.
- Brasil, alegação permitida (Anexo V): "A associação de Limosilactobacillus reuteri (Lactobacillus reuteri) (DSM 17938) e Limosilactobacillus reuteri (Lactobacillus reuteri) (ATCC PTA 6475) pode contribuir com a saúde do trato gastrointestinal." Nada sobre testosterona, testículo, inflamação ou envelhecimento.
- Brasil, rotulagem (Anexo VI): advertência para gestantes, lactantes, lactentes, crianças, imunocomprometidos e pessoas com condição debilitante grave.
- Brasil, medicamento: nenhum registro com reuteri no dado aberto da ANVISA.
- Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI.
- WADA: probióticos não aparecem na Lista Proibida de 2026.
No Brasil, busquei no dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA, no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa.
| Princípio ativo | Padrão buscado | Registros ativos | Classe terapêutica declarada | Produtos |
|---|---|---|---|---|
| L. reuteri | reuteri | 0 | — | Nenhuma linha no arquivo |
O que este levantamento não fez
- Li resumos, não os artigos inteiros, salvo o estudo de 2014 em camundongos, lido no texto completo do PubMed Central.
- Não li o texto completo do ensaio sueco: não sei as doses exatas, o número que concluiu nem o poder do estudo; o número de inscritos vem do registro.
- Não localizei fonte para o "300%", para os "menos de 10%" de portadores, para a história do veterinário e dos garanhões, nem para o "5% a 15%" dos testículos.
- Não avaliei a cistanche por inteiro; ela é tema de outra entrada do plano. Aqui só conferi a combinação e o ensaio em humanos citado.
- Não verifiquei a situação regulatória nos EUA e na UE, relatos de infecção por esta cepa nem interações.
- Não avaliei o "protocolo" pago anunciado nos vídeos (testosterona "até 147%" e "1 a 7 cm"), que não é revelado.
Referências
- Poutahidis T, Springer A, Levkovich T, et al. Probiotic microbes sustain youthful serum testosterone levels and testicular size in aging mice. PLoS One. 2014;9(1):e84877. PMID 24392159 — o estudo em camundongos citado nos vídeos; lido no texto completo.
- Ljunggren L, Butler E, Axelsson J, et al. Effects of probiotic supplementation on testosterone levels in healthy ageing men: A 12-week double-blind, placebo-controlled randomized clinical trial. Contemp Clin Trials Commun. 2024;39:101300. PMID 38770015 — a mesma cepa sem efeito na testosterona de homens.
- Noda M, Danshiitsoodol N, Kanno K, et al. Effect of probiotic Limosilactobacillus reuteri on a serum sex-hormone- and metabolic-syndrome-related health evaluation: a single-arm open-label pilot study. Biosci Microbiota Food Health. 2026;45(1):42-50. PMID 41492377 — piloto sem controle, sem mudança notável nos hormônios.
- Nilsson AG, Sundh D, Bäckhed F, et al. Lactobacillus reuteri reduces bone loss in older women with low bone mineral density: a randomized, placebo-controlled, double-blind, clinical trial. J Intern Med. 2018;284(3):307-317. PMID 29926979 — a cepa em humanos, com eventos adversos iguais ao placebo.
- Wang T, Chen C, Yang M, et al. Cistanche tubulosa ethanol extract mediates rat sex hormone levels by induction of testicular steroidgenic enzymes. Pharm Biol. 2016;54(3):481-7. PMID 26004585 — CYP11A1 e CYP17A1 em ratos.
- Tao B, Lian W, Min R, et al. Effects of Cistanche deserticola Y.C. Ma Supplementation on Muscle Strength and Recovery: A Randomized Controlled Trial. Nutrients. 2025;17(18):2965. PMID 41010491 — o ensaio em humanos com outra espécie de cistanche, sem L. reuteri.
- Registro NCT04577625 no ClinicalTrials.gov — "Effect of Probiotics on Testosterone in Men", 60 participantes, concluído, sem resultado postado no registro.
- Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — associação DSM 17938 + ATCC PTA 6475 incluída pela IN 450/2026, com mínimo, alegação e advertência.
- Dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA — a mesma base usada na página O que existe no Brasil.
- Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — probióticos não constam.
- E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
- API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.