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Compostos › Verificado em fonte primária

Muira puama (Ptychopetalum olacoides, marapuama)

O "62% em 14 dias" vem de uma apresentação em congresso de 1990 que não está no PubMed; nenhum ensaio com placebo testou a raiz sozinha, e no Brasil não há produto ativo.

Não aprovadoVerificado em fonte primária
Ilustração gerada por IA. Não é dado, nem imagem de estudo.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: Não há estudo de segurança da muira puama sozinha em pessoas. Em camundongos, o extrato teve efeito ansiogênico e inibiu a enzima que degrada a acetilcolina, o que sugere ação no sistema nervoso central. O nome popular marapuama cobre plantas diferentes: no Nordeste, ele é usado para espécies de Croton, e dois fitoterápicos ativos no Brasil trazem Croton, não Ptychopetalum. Comprar "marapuama" não garante qual raiz vem no pacote.

Resumo

A muira puama, ou marapuama, é uma árvore amazônica cuja raiz é usada como tônico e afrodisíaco. O PubMed tem 51 artigos com o nome da planta no título ou no resumo, nenhum ensaio randomizado e nenhuma meta-análise; quase tudo é química e teste em camundongo. O estudo francês com 262 homens e "62% de efeito na libido" é uma apresentação em congresso de 1990, aberta e sem placebo, que não consegui ler. Os estudos humanos indexados testaram misturas: com ginkgo em 202 mulheres, sem grupo controle, e com gengibre, guaraná e citrulina em 54 homens, dos quais 16 chegaram ao fim. No Brasil, onze medicamentos já tiveram a planta na fórmula; todos estão com registro inativo, e ela não é constituinte autorizado de suplemento.

Por que esta página existe

A muira puama aparece descrita em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como "uma raiz brasileira" que "funcionou em 62% dos homens em só 14 dias". A fonte citada é o "Instituto de Sexologia de Paris, anos 90": 262 homens, 1 a 1,5 grama por dia, duas semanas. O próprio vídeo admite que o estudo foi aberto, sem placebo, e que parte do efeito pode ser sugestão, mas acrescenta que depois veio uma "revisão clínica independente" em que "60% dos homens com baixa libido melhoraram", e que por isso o resultado "é replicado". Diz ainda que a raiz "não mexe em hormônio", que seus compostos "ativam vias nervosas ligadas a desejo e resposta física", e que quem a levou a sério foi um médico francês, "não aqui".

Esta página nasce de um único vídeo. A profundidade vem da literatura, e a literatura humana sobre a planta é muito curta. Por isso o texto é mais curto que os outros desta série, e diz isso. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.

Ptychopetalum olacoides é uma árvore da família Olacaceae, da Amazônia. Segundo a revisão de Brunetti e colegas (2020), comunidades nativas usam raízes e cascas contra depressão, disfunção sexual e como "tônico dos nervos", em geral em infusão alcoólica. Um levantamento de 24 livros brasileiros de plantas medicinais (Mendes e Carlini, 2007) a coloca entre as 33 espécies nativas citadas em pelo menos quatro livros com usos parecidos com os de um adaptógeno, e conclui que faltam estudos, sobretudo clínicos, para confirmar essas propriedades.

O nome é ambíguo. Um estudo farmacognóstico de 2012 chama Croton echioides de "marapuama do Nordeste". No dado aberto da ANVISA, os dois fitoterápicos ativos que trazem "marapuama" na tradição de uso listam Croton echioideus, não Ptychopetalum. Um estudo de 2005 descreveu um desses compostos com Ptychopetalum olacoides na fórmula; o registro de hoje não lista essa espécie. Não sei quando a fórmula mudou. O ponto que fica: "marapuama" no rótulo não diz qual planta está dentro.

Este site trata de assunto vizinho também em Gengibre e fertilidade masculina (Zingiber officinale) e L-citrulina (inclui citrulina malato).

Quanta evidência existe, de verdade

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

BaseConsultaResultado
PubMedPtychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]51 artigos
PubMed(Ptychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])0 artigos
PubMed(Ptychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type] OR Clinical Trial[Publication Type])1 artigo
PubMed(Ptychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]) AND (humans[MeSH Terms])9 artigos
PubMed(Ptychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]) AND (libido OR sexual OR erectile OR aphrodisiac)10 artigos
PubMed(Ptychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]) AND (testosterone OR androgen* OR hormone*)1 artigo
PubMed(Ptychopetalum[tiab] OR "muira puama"[tiab] OR muirapuama[tiab] OR marapuama[tiab] OR "muira-puama"[tiab]) AND (mice OR rats OR rat OR mouse OR rabbit)27 artigos
PubMedWaynberg J[Author]4 artigos
ClinicalTrials.govintervenção: Ptychopetalum OR muira puama OR muirapuama2 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: (Ptychopetalum OR muira puama OR muirapuama) AND AREA[Phase]PHASE30 ensaios de fase 3

Leitura honesta desses números

  • A busca sem o filtro de título e resumo engana. Sem [tiab], o PubMed traduz "Ptychopetalum" para o descritor da família inteira, Olacaceae, e devolve 162 artigos. Com o nome da planta no título ou no resumo, são 51.
  • Zero ensaio randomizado, zero meta-análise. O único artigo marcado como ensaio clínico é de um sérum cosmético para olheiras, com muira puama, pfáfia e lírio, aplicado na pele de 21 voluntários (Eberlin 2009). Não tem nada a ver com libido.
  • O estudo dos 262 homens não está no PubMed. Dos 4 artigos do autor francês no PubMed, só um é sobre a planta, e é em mulheres, com ginkgo na mesma cápsula (Waynberg e Brewer 2000). Os outros três são de demografia e anatomia, dos anos 1970 e 1980.
  • O artigo com "hormônio" não mediu hormônio. É uma revisão de efeitos adversos psiquiátricos e neurológicos de plantas afrodisíacas. Nenhum estudo localizado mediu testosterona com muira puama.
  • Os 2 registros no ClinicalTrials.gov são da mesma mistura de quatro ingredientes (gengibre, guaraná, muira puama e citrulina), em função de vasos, de uma universidade americana: um concluído, sem resultado publicado no registro, e um em andamento. Nenhum testa a raiz sozinha, nem libido. Registro não é resultado.
  • Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho. Dos 51 artigos, 27 são em camundongo, rato ou coelho.

Os estudos que existem

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos com pessoas e os principais em animais. Leia o que cada um mediu, em quantos, e com o que mais junto.

EstudoNContextoO que relatouRessalva
Waynberg, 1990
apresentação no 1º Congresso Internacional de Etnofarmacologia, Estrasburgo · não indexada
262, segundo o vídeo; NÃO VERIFIQUEIHomens com queixa de libido ou ereção; 1 a 1,5 g/dia por 2 semanas, segundo o vídeo62% com efeito na libido, segundo o vídeoAberto, sem placebo; NÃO VERIFIQUEI: não li o texto original
Waynberg e Brewer, 2000
Adv Ther 17(5):255-62 · PMID 11186145
202Mulheres saudáveis com desejo baixo; cápsula de muira puama com ginkgo, 1 mêsPontuação total maior que a do início em 65%; melhora em frequência de desejo, relações e fantasias, orgasmoSem grupo controle; mistura de duas plantas; o resumo anuncia um estudo duplo-cego "planejado" que não localizei
Nguyen et al., 2018
Transl Androl Urol 7(2):266-273 · PMID 29732286
54 recrutados; 16 no 3º mêsHomens de 33 a 77 anos com disfunção erétil; 500 mg/dia de cada um (gengibre, muira puama, guaraná) mais 1.600 mg/dia de citrulina, 3 mesesMelhora nos domínios de ereção e satisfação contra o início; cerca de 50% com melhora da ereção; desejo sexual sem diferença significativaSem grupo controle; um autor é acionista da empresa que forneceu o produto e tem patente pendente; 38 saíram antes do fim
Oliveira et al., 2005
Phytother Res 19(1):54-7 · PMID 15798997
não informado no resumoVoluntários saudáveis dos dois sexos; extrato com guaraná, catuaba, muirapuama e gengibre, 25 mL 2×/dia por 28 diasSem reações adversas graves nem mudanças no sangueEstudo de toxicidade da mistura, não de eficácia
Chiavaroli et al., 2026
Phytother Res (antes da impressão) · PMID 42680212
59Homens de 50 a 75 anos com sintomas urinários e disfunção erétil leve; mistura de cinco ingredientes com muira puama, sozinha ou com remédioMelhora de fluxo e sintomas urináriosRetrospectivo, sem sorteio; escolha do tratamento pelo médico
Antunes et al., 2001
Phytother Res 15(5):416-21 · PMID 11507734
tecido de coelhoCorpo cavernoso de coelho isolado; a mistura e cada plantaTodas as quatro relaxaram o tecido; o guaraná foi o mais ativo; o relaxamento da muira puama caiu mais de 50% com bloqueio da guanilato ciclaseTecido isolado; os autores atribuem o efeito da mistura principalmente ao guaraná
da Silva et al., 2002
Phytother Res 16(3):223-6 · PMID 12164265
camundongosExtrato etanólico, 30 a 300 mg/kgMenos comportamento exploratório, parecido com o de um ansiogênicoAnimal
Piato et al., 2009
Phytother Res 23(4):519-24 · PMID 19067380
camundongosExtrato padronizado, 15 a 100 mg/kg intraperitoneal e 300 mg/kg oralEfeito parecido com o de antidepressivo, bloqueado por antagonistas beta-adrenérgico e dopaminérgico D1Animal; desfecho de imobilidade, não de desejo

Doses usadas em estudos publicados

Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem. Nenhuma linha testa a muira puama sozinha num estudo indexado.

EstudoDoseDuraçãoFinalidade do estudo
Waynberg, 1990 (não indexado)1 a 1,5 g/dia, segundo o vídeo; NÃO VERIFIQUEI no original2 semanasLibido e ereção em homens
Waynberg e Brewer, 2000Muira puama com ginkgo; a dose não está no resumo1 mêsDesejo sexual em mulheres
Nguyen et al., 2018500 mg/dia de muira puama, junto com 500 mg/dia de gengibre, 500 mg/dia de guaraná e 1.600 mg/dia de citrulina3 mesesSegurança e função erétil em homens
Oliveira et al., 200525 mL 2×/dia de extrato com quatro plantas28 diasToxicidade em voluntários saudáveis

O "62%" é de 1990, e a "replicação" é do mesmo autor

O médico francês do vídeo é, pelo que tudo indica, J. Waynberg, do Instituto de Sexologia de Paris, a afiliação que ele declara no único estudo indexado com a planta. Segundo a lista de referências de uma enciclopédia on-line, ele apresentou no Primeiro Congresso Internacional de Etnofarmacologia, em Estrasburgo, em junho de 1990, uma "contribuição à validação clínica do uso tradicional de Ptychopetalum guyanna". Instituição, década e tema batem com o que o vídeo descreve. Não está no PubMed e eu não consegui ler o texto. Os 262 homens e os 62% aparecem no vídeo e em resumos de busca de fontes secundárias; NÃO VERIFIQUEI nenhum dos dois no original.

A "revisão clínica independente" com 60% de melhora em homens com baixa libido também não localizei. NÃO VERIFIQUEI: um resumo de busca atribui um número de 60% a um trabalho de 1994 do mesmo Waynberg, citado num pedido de patente americano cujo PDF é imagem e que eu não consegui ler. Se for esse, não é independente nem é revisão. O único estudo indexado desse autor com a planta é o de 2000, em 202 mulheres, com ginkgo junto e, também, sem grupo controle.

Desde então, o que entrou no PubMed com gente foram misturas: duas plantas em mulheres, quatro ingredientes em homens, cinco ingredientes em sintomas urinários, e um sérum para olheiras. Nenhum desses desenhos permite dizer o que a muira puama fez. "Replicado", no sentido de outro grupo repetir o resultado com placebo, não aconteceu.

A pesquisa brasileira existe, mas é de laboratório

O vídeo diz que a planta foi levada a sério "lá fora, não aqui". A literatura mostra outra coisa: há uma série de trabalhos de um grupo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre 2002 e 2011, sobre o extrato da raiz em camundongos. Eles encontraram melhora de memória, inibição da acetilcolinesterase, efeito parecido com o de antidepressivo, efeito antiestresse e, em uma dose, efeito ansiogênico. É o "tônico dos nervos" da tradição, testado em roedor.

Nenhum desses estudos mediu desejo sexual. O mais perto de "vias nervosas ligadas a desejo" é o achado de que o efeito antidepressivo em camundongo dependeu de receptores beta-adrenérgicos e dopaminérgicos D1 (Piato 2009). Para "resposta física", existe o tecido isolado de coelho, em que o extrato relaxou o corpo cavernoso por pouco tempo (Antunes 2001). Daí até "funcionou em 62% dos homens" há um salto que nenhum estudo cobre.

Das 12 alegações, 2 se confirmam: a origem amazônica e a ressalva do próprio vídeo

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVeredito
É uma raiz brasileira, da AmazôniaÁrvore amazônica da família Olacaceae, usada como tônico e afrodisíaco (Brunetti 2020)Confirmado
Instituto de Sexologia de Paris, anos 90, 262 homens, 1 a 1,5 g/dia por 2 semanasA apresentação em congresso de 1990, de Waynberg, existe segundo listas de referência; não está no PubMed; NÃO VERIFIQUEI o número de homens, a dose e a duração no originalParcialmente
62% relataram efeito direto na libido em 14 diasO número circula em fontes secundárias atribuído a esse trabalho; NÃO VERIFIQUEI no originalParcialmente
É estudo aberto, sem placebo; parte do efeito pode ser sugestãoCorreto; o único estudo indexado do mesmo autor (2000) também é aberto e sem controleConfirmado
"Revisão clínica independente": 60% dos homens com baixa libido melhoraramNão localizei revisão com esse número; um resumo de busca atribui 60% a um trabalho de 1994 do mesmo autor (NÃO VERIFIQUEI); PubMed: 0 meta-análisesNúmero não encontrado na fonte citada
"Não é rótulo, é replicado"PubMed: 0 ensaios randomizados; os estudos humanos posteriores são misturas sem controleNão sustentado
"Não mexe em hormônio"Nenhum estudo localizado mediu hormônio com a plantaSem estudo em humanos
Os compostos "ativam vias nervosas ligadas a desejo e resposta física"Em camundongo, efeitos em memória, ansiedade e comportamento de tipo depressivo; em tecido de coelho, relaxamento do corpo cavernoso; nada medindo desejoEstudo em animal ou in vitro
Quem levou a sério foi um médico na França, "não aqui"Há uma série de estudos brasileiros em camundongos (UFRGS, 2002–2011) e onze medicamentos brasileiros já tiveram a planta na fórmulaNão sustentado
O brasileiro só conhece o nome no rótulo de produto combinadoO nome aparecia em polivitamínicos e fitoterápicos compostos registrados na ANVISA, todos hoje inativos; não verifiquei rótulos de energéticoParcialmente
"Sem hormônio sintético, sem receita, sem agulha"Sem receita porque não há produto aprovado: nenhum registro ativo de medicamento, e a planta não é constituinte autorizado de suplemento no BrasilNão sustentado
"Dose errada não faz nada, tempo errado não faz nada"Não há estudo de dose ou de duração com a planta sozinhaSem estudo em humanos

Placar: 2 confirmadas, 3 parcialmente, 3 não sustentadas, 1 com número não encontrado na fonte citada, 1 só em animal ou in vitro e 2 sem estudo em humanos.

Segurança e quem não deve usar

  • Não há estudo de segurança da raiz sozinha em pessoas. Os dados humanos são de misturas: 28 dias de um extrato com quatro plantas sem reação grave nem mudança no sangue (Oliveira 2005), e 3 meses da mistura com gengibre, guaraná e citrulina com 5 relatos de efeito adverso em 54 homens (dispepsia, azia, enxaqueca), nenhum grave (Nguyen 2018).
  • Ação no sistema nervoso em camundongos. O extrato reduziu o comportamento exploratório, de modo parecido com um ansiogênico (da Silva 2002), e inibiu a acetilcolinesterase no cérebro (Siqueira 2003). A revisão de 2020 registra prejuízo de memória e menos locomoção em estudos pré-clínicos. Que isso importe para quem tem transtorno de ansiedade ou usa remédio que age na acetilcolina é inferência minha, sem estudo localizado.
  • Identidade da planta. "Marapuama" também é o nome de espécies de Croton no Nordeste (Novello 2012), e os fitoterápicos ativos no Brasil com esse histórico de uso trazem Croton. Quem compra o nome popular não sabe qual raiz recebe.
  • Mistura com estimulante. Os estudos humanos e vários registros da ANVISA combinam a planta com guaraná, que a IN 28/2018 lista como fonte de cafeína (ver a página cafeina).
  • Interações com remédios: NÃO VERIFIQUEI em base de interações.
  • Quem não deve usar: não achei recomendação formal de nenhuma agência. Sem dado de gestação, lactação, infância ou doença de fígado e rim, a ausência de estudo é a informação.

Status regulatório

  • Brasil, suplemento alimentar: Ptychopetalum olacoides, muira puama e marapuama não constam do Anexo I da IN 28/2018, na versão consolidada com alterações até a IN 470, de 16 de setembro de 2026. Pela RDC 243/2018 (art. 4º), suplemento só pode conter os constituintes dessa lista.
  • Brasil, medicamento: onze registros já tiveram a planta (ou o nome muirapuama ou marapuama) na fórmula, todos combinados com outras plantas ou vitaminas, e todos estão inativos no dado aberto (tabela abaixo).
  • Brasil, listas oficiais de plantas medicinais: a planta não está na lista de registro simplificado de fitoterápicos (IN 412, de 17 de dezembro de 2025, com 5 espécies), nem na lista anterior, revogada (IN 2/2014), nem na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus, 2009, com 71 espécies), nem no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição (RDC 463/2021, alterado em 2022). Também não está entre as espécies proibidas em medicamento tradicional fitoterápico (Anexo I da IN 410/2025).
  • Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI.
  • WADA: a muira puama não aparece na Lista Proibida de 2026.

No Brasil, busquei no dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA, no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa.

Princípio ativoPadrão buscadoRegistros ativosClasse terapêutica declaradaProdutos
Ptychopetalum olacoides, muirapuama, marapuamamuira|ptychopet|marapuama0Polivitamínicos, fitoterápicos compostos e associados11 registros, todos inativos, com vencimentos entre 2004 e 2018
Croton (a "marapuama do Nordeste")croton2Fitoterápico (classe não informada)Dois fitoterápicos compostos com guaraná e espécies de Trichilia, um deles também com gengibre; os outros registros com Croton são inativos ou dinamizados

Registro de fitoterápico composto com Croton não autoriza a venda de raiz de Ptychopetalum como remédio nem como suplemento.

O que este levantamento não fez

  • Não li o trabalho de 1990 com os 262 homens. Ele não está no PubMed; os números entram atribuídos a fontes secundárias, com NÃO VERIFIQUEI.
  • Não localizei a "revisão clínica independente" nem o trabalho de 1994 do mesmo autor.
  • Li o texto completo do estudo de 2018 e da revisão de 2020; dos outros, li resumos. Não li o estudo farmacognóstico de 2012 sobre o Croton: uso só o título, conferido no Crossref.
  • Não conferi a situação nos Estados Unidos e na União Europeia.
  • Não sei quando o fitoterápico composto descrito em 2005 com muirapuama passou a listar Croton.
  • Não avaliei interações com medicamentos.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número desta página foi levantado por mim em 7 de outubro de 2026 no PubMed, no ClinicalTrials.gov, no texto consolidado da IN 28/2018 e da RDC 243/2018 da ANVISA, nas IN 2/2014, 410/2025 e 412/2025, na Renisus, no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, no dado aberto de medicamentos da ANVISA e na Lista Proibida da WADA de 2026, e a consulta usada está declarada acima. Li o texto completo do estudo de 2018 e da revisão de 2020; dos demais, li resumos. As contagens das tabelas com consulta, no PubMed e no ClinicalTrials.gov, foram refeitas por mim em 16 de outubro de 2026.
  1. Waynberg J, Brewer S. Effects of Herbal vX on libido and sexual activity in premenopausal and postmenopausal women. Adv Ther. 2000;17(5):255-62. PMID 11186145 — o único estudo indexado do autor francês com a planta: 202 mulheres, com ginkgo, sem controle.
  2. Nguyen S, Rajfer J, Shaheen M. Safety and efficacy of daily Revactin(®) in men with erectile dysfunction: a 3-month pilot study. Transl Androl Urol. 2018;7(2):266-273. PMID 29732286 — mistura com gengibre, guaraná e citrulina; 54 homens, 16 no fim, sem controle, com conflito de interesse declarado.
  3. Oliveira CH, Moraes ME, Moraes MO, et al. Clinical toxicology study of an herbal medicinal extract of Paullinia cupana, Trichilia catigua, Ptychopetalum olacoides and Zingiber officinale (Catuama) in healthy volunteers. Phytother Res. 2005;19(1):54-7. PMID 15798997 — 28 dias de mistura de quatro plantas sem reação grave.
  4. Chiavaroli A, Acquaviva A, Simone SCD, et al. Protective Effects Induced by a Novel Food Supplement Based on Epilobium angustifolium, Ptychopetalum olacoides, Ginkgo biloba, and Equisetum arvense Extracts and Citrulline in the Lower Urinary Tract: Preclinical and Clinical Evidence. Phytother Res. 2026. PMID 42680212 — estudo retrospectivo de mistura com cinco ingredientes, 59 homens.
  5. Eberlin S, Del Carmen Velazquez Pereda M, de Campos Dieamant G, et al. Effects of a Brazilian herbal compound as a cosmetic eyecare for periorbital hyperchromia ("dark circles"). J Cosmet Dermatol. 2009;8(2):127-35. PMID 19527337 — o único artigo marcado como ensaio clínico: sérum para olheiras.
  6. Antunes E, Gordo WM, de Oliveira JF, et al. The relaxation of isolated rabbit corpus cavernosum by the herbal medicine Catuama and its constituents. Phytother Res. 2001;15(5):416-21. PMID 11507734 — relaxamento de tecido de coelho; o guaraná foi o mais ativo.
  7. da Silva AL, Bardini S, Nunes DS, et al. Anxiogenic properties of Ptychopetalum olacoides Benth. (Marapuama). Phytother Res. 2002;16(3):223-6. PMID 12164265 — efeito ansiogênico em camundongos.
  8. Siqueira IR, Fochesatto C, da Silva AL, et al. Ptychopetalum olacoides, a traditional Amazonian "nerve tonic", possesses anticholinesterase activity. Pharmacol Biochem Behav. 2003;75(3):645-50. PMID 12895682 — inibição da acetilcolinesterase no cérebro de roedores.
  9. Piato AL, Rizon LP, Martins BS, et al. Antidepressant profile of Ptychopetalum olacoides Bentham (Marapuama) in mice. Phytother Res. 2009;23(4):519-24. PMID 19067380 — efeito de tipo antidepressivo mediado por receptores beta-adrenérgicos e D1 em camundongos.
  10. Mendes FR, Carlini EA. Brazilian plants as possible adaptogens: an ethnopharmacological survey of books edited in Brazil. J Ethnopharmacol. 2007;109(3):493-500. PMID 17030478 — a planta entre as nativas de uso tradicional, com falta de estudo clínico.
  11. Brunetti P, Lo Faro AF, Tini A, et al. Pharmacology of Herbal Sexual Enhancers: A Review of Psychiatric and Neurological Adverse Effects. Pharmaceuticals (Basel). 2020;13(10):309. doi:10.3390/ph13100309. PMID 33066617 — uso tradicional, composição e efeitos adversos pré-clínicos.
  12. Novello CR, Marques LC, Miyazaki CR, et al. Morphoanatomy and pharmacognostic study of the wood of Croton echioides, the Northeastern Marapuama. Rev Bras Farmacogn. 2012;22(5):946-956. doi:10.1590/S0102-695X2012005000062 (não indexado no PubMed; metadado conferido no Crossref) — o nome marapuama aplicado a uma espécie de Croton.
  13. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — a lista de constituintes de suplemento, sem muira puama.
  14. Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — constituintes restritos às listas da IN 28/2018.
  15. Instrução Normativa nº 412, de 17 de dezembro de 2025, da ANVISA — lista atual de registro simplificado de fitoterápicos, sem a planta; revogou a IN 2/2014.
  16. Instrução Normativa nº 2, de 13 de maio de 2014, da ANVISA (revogada) — a lista anterior de registro simplificado, sem a planta.
  17. Instrução Normativa nº 410, de 17 de dezembro de 2025, da ANVISA — espécies proibidas e restritas em fitoterápicos; sem a planta.
  18. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus), 2009 — 71 espécies, sem Ptychopetalum.
  19. ANVISA. Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição (RDC 463/2021, alterado pelas RDC 596/2022 e 678/2022) — sem monografia da planta.
  20. Dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA — a mesma base usada na página O que existe no Brasil.
  21. Registro NCT05595915 no ClinicalTrials.gov — a mistura de quatro ingredientes em função de vasos, concluído, sem resultado no registro.
  22. Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — a planta não aparece.
  23. E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
  24. API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.

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