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Protocolos
Compostos › Verificado em fonte primária

Schisandra (Schisandra chinensis, wu wei zi)

A visão noturna e a fome suprimida dos caçadores são tradição; os dois ensaios com a fruta sozinha mediram força de perna em mulheres e idosos, e o maior risco documentado é interação com remédio.

Não aprovadoVerificado em fonte primária
Ilustração gerada por IA. Não é dado, nem imagem de estudo.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: O extrato de Schisandra chinensis aumentou em 47% a área sob a curva de um betabloqueador em 12 voluntários, por inibir a glicoproteína P. Uma espécie aparentada, a Schisandra sphenanthera, mais que dobrou a exposição ao tacrolimo e ao midazolam, e na China é usada de propósito para economizar tacrolimo em transplantados. Quem usa imunossupressor, anticoagulante, antiarrítmico ou outro remédio de margem estreita não deve tomar a fruta sem falar com o médico. Ela não é constituinte autorizado de suplemento no Brasil.

Resumo

A Schisandra chinensis é uma trepadeira do nordeste da Ásia cuja fruta seca é usada na medicina chinesa e foi estudada na União Soviética como adaptógeno. O PubMed tem 13 ensaios randomizados ou meta-análises com o nome da espécie, mas a maior parte testa fórmulas com várias plantas. Com a fruta sozinha, dois ensaios coreanos de 12 semanas, com 1 g por dia de extrato, acharam ganho de força no joelho: 10,2 Nm a mais que o placebo em idosos que caminhavam, e mais força com menos lactato em repouso em 45 mulheres. Nenhum estudo localizado testou visão noturna, frio, fome ou "oxigenação neural" em pessoas. Em voluntários, o extrato aumentou em 47% a exposição a um remédio que depende da glicoproteína P.

Por que esta página existe

A Schisandra aparece descrita em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como a "ração de combate" dos caçadores das montanhas da Manchúria. Com "um punhado seco", eles andariam dias na neve sem fome nem fadiga, enxergariam no escuro, aguentariam nevascas "sem adoecer" porque a planta "aquece o sangue", e ficariam "invisíveis" para a presa graças ao "controle respiratório" de quem não se cansa. A explicação oferecida é um "aumento absurdo na oxigenação neural" e uma planta que "zera o cansaço". O vídeo não cita estudo nem dose, e termina oferecendo um protocolo para "explodir a testosterona".

Esta página nasce de um único vídeo, que não cita fonte. A profundidade vem da literatura. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site, e a página de nootrópicos do site já tem uma linha sobre a planta, que esta confirma e detalha.

Schisandra chinensis é uma trepadeira cuja fruta, uma baga vermelha, é chamada de wu wei zi na medicina chinesa e de omija na Coreia. Segundo a revisão histórica de Todorova e colegas (2021), ela aparece num livro chinês de cerca do ano 200 como remédio para tosse e asma, e "no passado" a fruta e as sementes foram usadas para melhorar a visão noturna e reduzir fome, sede e exaustão. A história dos caçadores existe: é a tradição que a pesquisa soviética foi testar. Segundo a revisão de Panossian e Wikman (2008), a planta ganhou reconhecimento como adaptógeno na medicina oficial da URSS no começo dos anos 1960, depois de duas décadas de estudos farmacológicos e clínicos russos, e entrou na farmacopeia e no registro estatal de medicamentos do país.

Este site trata de assunto vizinho também em Rhodiola e ginseng siberiano (Rhodiola rosea e Eleutherococcus senticosus) e Nootrópicos.

O mecanismo: lignanas, estresse e fígado, não oxigênio no cérebro

Os compostos característicos da fruta são as lignanas, com a esquisandrina como principal, isolada pela primeira vez em 1961, segundo Todorova e colegas. A mesma revisão atribui o efeito adaptógeno ao efeito antioxidante e a uma ação sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, com redução do hormônio liberador de corticotrofina.

A revisão de Panossian e Wikman, que reúne sobretudo estudos soviéticos, descreve em animais aumento da capacidade de trabalho físico e proteção contra estressores como calor, queimadura, resfriamento, congelamento, imobilização e radiação. Em pessoas saudáveis, descreve aumento de resistência, precisão de movimento e desempenho mental, e mudanças nos níveis de óxido nítrico e cortisol no sangue e na saliva. Não li esses estudos russos, que em grande parte não estão no PubMed; conheço-os pelo resumo da revisão. O primeiro autor assina a revisão pelo setor de pesquisa do Instituto Herbal Sueco, que patrocina ensaios de uma fórmula com Schisandra (registro NCT04795557 no ClinicalTrials.gov).

As lignanas também agem sobre as enzimas que o fígado usa para eliminar remédios. Em laboratório, gomisina C e gomisina G inibiram as enzimas CYP3A4 e CYP3A5 humanas. É esse efeito, e não a "oxigenação neural", que tem estudo em pessoas.

Não localizei nenhum estudo que medisse oxigenação do cérebro, temperatura do sangue, visão noturna ou fome em pessoas tomando a fruta.

Quanta evidência existe, de verdade

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

BaseConsultaResultado
PubMed(Schisandra[tiab] OR Schizandra[tiab] OR schisandrin*[tiab] OR "Wu Wei Zi"[tiab] OR wuweizi[tiab])2.262 artigos
PubMed"Schisandra chinensis"1.188 artigos
PubMed("Schisandra chinensis") AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])13 artigos
PubMed(Schisandra[tiab] OR Schizandra[tiab] OR schisandrin*[tiab] OR "Wu Wei Zi"[tiab] OR wuweizi[tiab]) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type])24 artigos
PubMed(Schisandra[tiab] OR Schizandra[tiab] OR schisandrin*[tiab] OR "Wu Wei Zi"[tiab] OR wuweizi[tiab]) AND (vision OR visual OR "dark adaptation" OR "night vision")22 artigos
PubMed(Schisandra[tiab] OR Schizandra[tiab] OR schisandrin*[tiab] OR "Wu Wei Zi"[tiab] OR wuweizi[tiab]) AND (cold OR hypothermia OR "cold tolerance")14 artigos
PubMed(Schisandra[tiab] OR Schizandra[tiab] OR schisandrin*[tiab] OR "Wu Wei Zi"[tiab] OR wuweizi[tiab]) AND (testosterone OR androgen*) AND (humans[MeSH Terms])6 artigos
PubMed(Schisandra[tiab] OR Schizandra[tiab] OR schisandrin*[tiab] OR "Wu Wei Zi"[tiab] OR wuweizi[tiab]) AND (tacrolimus OR cyclosporine OR CYP3A OR midazolam OR interaction*) AND (humans[MeSH Terms])103 artigos
ClinicalTrials.govintervenção: Schisandra OR Schizandra26 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: (Schisandra OR Schizandra) AND AREA[Phase]PHASE34 ensaios de fase 3

Leitura honesta desses números

  • Dois mil artigos, quase todos de laboratório. A química das lignanas, testes em células e estudos em roedores dominam a contagem. Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
  • Os 13 ensaios e meta-análises com o nome da espécie são, na maioria, de fórmulas. Entre os ensaios randomizados que li, a fruta aparece sozinha em quatro coreanos: força de perna em mulheres (Park 2020), força em idosos (Cho 2021), sintomas da menopausa (Park e Kim 2016) e microbiota em mulheres obesas (Song 2015). Os outros testam misturas: a fórmula de três adaptógenos com rhodiola e eleutero, fórmulas chinesas, Schisandra com sésamo, com bagaço de uva ou com soja.
  • A página de nootrópicos do site registrou 13 em 4 de setembro de 2026. A minha consulta com o nome da espécie devolveu os mesmos 13 hoje. Com os sinônimos e o nome da lignana, sobe para 24, porque entram fórmulas chinesas e meta-análises de insônia em que a fruta é um dos ingredientes.
  • As buscas por visão e por frio não trazem estudo humano com a fruta sozinha. Entre os 22 artigos de visão, a palavra visual aparece em contextos sem relação com enxergar; o único de visão humana é um artigo soviético de 1984, em russo, sobre fadiga visual em trabalho de discriminação de cores, com eleutero e Schisandra; outro é de retina de peixe-zebra. Os 14 de frio são de ratos e coelhos expostos ao frio, conservação de células a baixa temperatura e química, mais o ensaio da fórmula de três plantas, que registrou extremidades frias como efeito adverso.
  • Os 6 artigos com testosterona e o descritor "humanos" não medem testosterona em homens que tomaram a planta. São estudos com células humanas, uma revisão de enzimas, um estudo de câncer de próstata em laboratório e um piloto com mulheres na pré-menopausa.
  • Dos 26 registros no ClinicalTrials.gov, pelo título e pela intervenção declarada, só dois testam a fruta sozinha: o ensaio de força em idosos (NCT03402308) e um de artrose de joelho com extrato de omija. Os 4 de fase 3 são três fórmulas (chinesa, coreana e a de três adaptógenos, em covid longa) e o de artrose, marcado como fases 2 e 3. Registro não é resultado.
  • Os 103 artigos de interação mostram onde está o risco. Há estudos de farmacocinética em voluntários e uma prática clínica chinesa de usar um extrato de Schisandra para poupar tacrolimo.

Os estudos que sustentam o que se sabe

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos com pessoas que importam para o que se diz da planta. Leia o que cada um mediu, em quantos, e se a fruta estava sozinha.

EstudoNContextoO que relatouRessalva
Park, Han e Park, 2020
Int J Environ Res Public Health 17(7):2475 · PMID 32260466
45Mulheres saudáveis na pós-menopausa, 61,9 ± 8,4 anos; 1.000 mg/dia de extrato ou amido, 12 semanasInteração grupo × tempo para força do quadríceps (p = 0,001) e lactato em repouso (p = 0,038); outras variáveis sem diferençaPequeno; lactato em repouso não é fadiga em esforço
Cho et al., 2021
Am J Clin Nutr 113(6):1440-1446 · PMID 33710261
54Adultos acima de 50 anos com massa muscular relativamente baixa, caminhando 30–60 min/dia; 1 g/dia de extrato ou placebo, 12 semanasForça do extensor do joelho +10,2 Nm (IC 95% 3,7–16,8) à direita e +6,7 Nm (IC 0,3–13,1) à esquerda contra o placebo; massa muscular, marcadores inflamatórios e antioxidantes sem diferença; nenhum efeito adversoRegistro NCT03402308; força sim, massa não
Park e Kim, 2016
Climacteric 19(6):574-580 · PMID 27763802
36 analisadasMulheres de 40 a 70 anos com sintomas da menopausa; extrato ou placebo por 6 semanas, seguimento de 12Índice de Kupperman menor no grupo do extrato (p = 0,042), sobretudo em fogachos, suor e palpitaçãoExtrato com código comercial; fora do tema masculino
Aslanyan et al., 2010
Phytomedicine 17(7):494-9 · PMID 20374974
40Mulheres de 20 a 68 anos sob estresse prolongado; um comprimido de 270 mg da fórmula com rhodiola, Schisandra e eleutero, ou placeboAtenção, velocidade e precisão melhores 2 horas depois (p < 0,05)Mistura de três plantas; Panossian e Wikman, autores da revisão de 2008, estão entre os autores
Narimanian et al., 2005
Phytomedicine 12(10):723-9 · PMID 16323290
60Adultos com pneumonia, tratamento padrão mais a mesma fórmula ou placebo por 10–15 diasFase aguda com antibiótico 2 dias mais curta; qualidade de vida maiorMistura; adjuvante em doença, não prevenção em gente saudável
Fan et al., 2009
Xenobiotica 39(3):249-54 · PMID 19280523
12Homens saudáveis; 300 mg de extrato de S. chinensis 2×/dia por 14 dias, depois 100 mg de talinololÁrea sob a curva do talinolol +47% (IC 90% 18–84%); pico +51%Interação pela glicoproteína P
Xin et al., 2007
Br J Clin Pharmacol 64(4):469-75 · PMID 17506780
12Homens saudáveis; extrato de S. sphenanthera por 13 dias, depois 2 mg de tacrolimoÁrea sob a curva do tacrolimo +164,2% (IC 95% 70,1–258,4); pico +227,1%Outra espécie do gênero
Xin et al., 2009
Br J Clin Pharmacol 67(5):541-6 · PMID 19552749
12Homens saudáveis; extrato de S. sphenanthera por 7 dias, depois 15 mg de midazolamÁrea sob a curva do midazolam +119,4% (IC 95% 83,9–155,0); depuração −52,1%Outra espécie; o midazolam mede a CYP3A
Li et al., 2017
Drug Metab Dispos 45(11):1114-1119 · PMID 28864749
12 + 32Transplantados renais com genótipo CYP3A5 expressor; comprimido de S. sphenanthera junto com tacrolimoConcentração mínima ajustada à dose +198,8%; dose diária de tacrolimo −40,9%; sem diferença em rejeiçãoUso proposital da interação para poupar remédio

Doses usadas em estudos humanos publicados

Isto não é recomendação de dose: é o registro do que foi administrado em estudos publicados, com a finalidade de cada um. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem. "Um punhado seco", a medida do vídeo, não aparece em nenhum estudo.

EstudoDoseDuraçãoFinalidade do estudo
Park, Han e Park, 20201.000 mg/dia de extrato12 semanasForça do quadríceps e lactato em mulheres
Cho et al., 20211 g/dia de extrato12 semanasForça e massa muscular em idosos que caminham
Park e Kim, 2016Extrato; a dose não está no resumo6 semanasSintomas da menopausa
Fan et al., 2009300 mg de extrato 2×/dia14 diasInteração com talinolol
Aslanyan et al., 2010270 mg da fórmula de três plantas, dose única1 diaAtenção sob estresse

O que se mediu foi força de perna, não resistência na neve

Os dois ensaios que testaram a fruta sozinha em força são coreanos, de 12 semanas, com 1 g por dia de extrato. Em idosos que caminhavam pelo menos três vezes por semana, a força do joelho subiu 10,2 Nm a mais que no placebo de um lado e 6,7 Nm do outro, sem mudança de massa muscular (Cho 2021). Em mulheres na pós-menopausa, a força do quadríceps e o lactato em repouso mudaram mais que no placebo (Park 2020).

São resultados reais, em populações que perdem força com a idade, medidos com placebo. Não dizem nada sobre jovens treinados, sobre desempenho em frio, sobre fome ou sobre "zerar o cansaço". Lactato em repouso não é fadiga durante o esforço. E nenhum dos dois mediu testosterona.

O risco que tem estudo em gente: a interação com remédios

O efeito mais bem medido em pessoas não é de desempenho, é de farmacocinética. Em 12 homens saudáveis, 14 dias de extrato de S. chinensis aumentaram em 47% a exposição ao talinolol, um betabloqueador transportado pela glicoproteína P, e os autores concluem que quem toma o extrato pode precisar de ajuste de dose de remédios desse tipo (Fan 2009).

Com a espécie aparentada S. sphenanthera, os números são maiores: a exposição ao tacrolimo, um imunossupressor de transplante, subiu 164,2% (Xin 2007), e a ao midazolam, que mede a atividade da enzima CYP3A, 119,4% (Xin 2009). Em transplantados renais na China, um comprimido dessa espécie é dado de propósito para reduzir a dose de tacrolimo; no estudo de 2017, a dose diária caiu 40,9% (Li 2017). Que a S. chinensis tenha o mesmo efeito sobre o tacrolimo é inferência a partir do mesmo grupo de lignanas e do teste de laboratório com gomisinas; não localizei estudo direto em pessoas com a S. chinensis e o tacrolimo.

Das 11 alegações, 1 se confirma: a de que a tradição existe

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVeredito
Caçadores do nordeste da Ásia usavam a baga para ver no escuro e aguentar fome e cansaçoA tradição é registrada: fruta e sementes usadas para visão noturna e para reduzir fome, sede e exaustão (Todorova 2021)Confirmado (como relato de uso tradicional)
Era a "ração de combate" das montanhas da ManchúriaO uso popular é registrado; "ração de combate" é imagem do vídeo; não há estudo de uso como alimento de sobrevivênciaParcialmente
"Um punhado seco" e dias na neve sem fome ou fadigaNenhum estudo localizado mediu fome ou resistência em frio em pessoasSem estudo em humanos
Dava visão noturna, "olhos de felino"A revisão de 2008 cita ensaios soviéticos em "função visual prejudicada", que não li; o único artigo humano de visão no PubMed é soviético, de 1984, sobre fadiga visual, com eleutero junto; nenhum ensaio com a fruta e visão noturna localizadoNão sustentado
A visão vem de um "aumento absurdo na oxigenação neural"Nenhum estudo localizado mediu oxigenação cerebral em pessoas com a frutaSem estudo em humanos
Reflexos "no limite"Uma dose da fórmula de três plantas melhorou atenção, velocidade e precisão em 40 mulheres estressadas (Aslanyan 2010); a revisão de 2008 cita precisão de movimento em estudos soviéticosParcialmente (só em mistura)
A planta "aquece o sangue" e dá resistência a nevascasProteção contra resfriamento e congelamento descrita em animais (Panossian 2008); nada em pessoasEstudo em animal ou in vitro
Aguentavam o inverno "sem adoecer"Só há a fórmula de três plantas como adjuvante em pneumonia (Narimanian 2005); nenhum estudo de prevenção com a fruta sozinhaSem estudo em humanos
"A planta zera o cansaço"Com a fruta sozinha, mais força de perna e menos lactato em repouso em mulheres e idosos (Park 2020; Cho 2021); nada que mostre fim do cansaçoNão sustentado
É um "hack" que "a gente ignorou"A planta foi estudada por décadas na URSS e entrou na farmacopeia e no registro de medicamentos do país, segundo a revisão de 2008Não sustentado
Faz parte de um protocolo para "explodir a testosterona"Os 6 artigos com testosterona e o descritor "humanos" não medem testosterona em homens que tomaram a plantaSem estudo em humanos

Placar: 1 confirmada, 2 parcialmente, 3 não sustentadas, 4 sem estudo em humanos e 1 só em animal.

Segurança e quem não deve usar

  • Interações. Extrato de S. chinensis aumentou em 47% a exposição ao talinolol (Fan 2009). Extrato de S. sphenanthera aumentou a do tacrolimo em 164,2% e a do midazolam em 119,4% (Xin 2007 e 2009). Em laboratório, duas lignanas da S. chinensis inibiram CYP3A4 e CYP3A5. Quem usa remédio eliminado por essas vias, em especial imunossupressor de transplante, deve tratar a fruta como interação até prova em contrário. É o que os autores de 2009 sugerem ao falar em ajuste de dose; a extensão para outras classes de remédio é inferência minha.
  • Efeitos adversos nos ensaios. Nenhum participante teve evento adverso no ensaio com idosos (Cho 2021). No ensaio da fórmula de três plantas, houve sonolência e extremidades frias nos dois grupos (Aslanyan 2010). A revisão de Todorova e colegas conclui que a ingestão não se associa a efeito adverso grave, com base em estudos humanos que ela mesma chama de limitados em número.
  • Útero. A revisão de 2008 registra efeito da planta sobre a atividade contrátil do útero em estudos experimentais. Não achei recomendação formal sobre gestação; a cautela na gravidez é inferência minha a partir disso.
  • Espécies trocadas. S. chinensis e S. sphenanthera são vendidas com nomes parecidos, e os dados de interação mais fortes são da segunda.
  • Quem não deve usar: pelos dados acima, quem usa imunossupressor, remédio de margem estreita metabolizado pela CYP3A ou transportado pela glicoproteína P, e gestantes. Fora isso, não achei contraindicação formal de nenhuma agência.

Status regulatório

  • Brasil, suplemento alimentar: Schisandra não consta do Anexo I da IN 28/2018, na versão consolidada com alterações até a IN 470, de 16 de setembro de 2026. Pela RDC 243/2018 (art. 4º), suplemento só pode conter os constituintes dessa lista.
  • Brasil, medicamento: nenhum registro, ativo ou inativo, no dado aberto da ANVISA (tabela abaixo). A planta não está na lista de registro simplificado de fitoterápicos (IN 412/2025), nem na lista revogada (IN 2/2014), nem na Renisus, nem no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, 2ª edição. Também não está entre as espécies proibidas em medicamento tradicional fitoterápico (IN 410/2025).
  • Rússia: segundo a revisão de Panossian e Wikman (2008), a fruta consta da farmacopeia nacional e do registro estatal de medicamentos da URSS/Rússia. NÃO VERIFIQUEI o registro atual.
  • União Europeia: segundo Todorova e colegas (2021), a fruta é descrita na Farmacopeia Europeia, com método de identificação. NÃO VERIFIQUEI a situação como alimento ou suplemento.
  • Estados Unidos: NÃO VERIFIQUEI.
  • WADA: a Schisandra não aparece na Lista Proibida de 2026.

No Brasil, busquei no dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA, no princípio ativo e no nome do produto, sem acento e sem diferença de caixa.

Princípio ativoPadrão buscadoRegistros ativosClasse terapêutica declaradaProdutos
Schisandra chinensisschisand|schizand0—nenhum produto

O que este levantamento não fez

  • Não li os estudos soviéticos sobre visão, frio, resistência e precisão de movimento. Conheço-os pelo resumo da revisão de 2008, cujo texto completo não li.
  • Li o texto completo da revisão de 2021; dos estudos, li resumos.
  • Não localizei estudo com S. chinensis e tacrolimo em pessoas; o dado de tacrolimo é de S. sphenanthera.
  • Não conferi a situação da planta na Rússia, nos Estados Unidos e na União Europeia.
  • Não confirmei a tradução de wu wei zi como "fruta dos cinco sabores", que o vídeo usa; não pesa em nenhuma conclusão.
  • Não avaliei as fórmulas chinesas e coreanas em que a fruta é um dos ingredientes.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número desta página foi levantado por mim em 7 de outubro de 2026 no PubMed, no ClinicalTrials.gov, no texto consolidado da IN 28/2018 e da RDC 243/2018 da ANVISA, nas IN 2/2014, 410/2025 e 412/2025, na Renisus, no Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, no dado aberto de medicamentos da ANVISA e na Lista Proibida da WADA de 2026, e a consulta usada está declarada acima. Li o texto completo da revisão de Todorova e colegas; dos demais, li resumos. As contagens das tabelas com consulta, no PubMed e no ClinicalTrials.gov, foram refeitas por mim em 16 de outubro de 2026.
  1. Todorova V, Ivanov K, Delattre C, et al. Plant Adaptogens-History and Future Perspectives. Nutrients. 2021;13(8):2861. doi:10.3390/nu13082861. PMID 34445021 — a tradição de visão noturna, fome, sede e exaustão; lignanas; estudos humanos limitados; sem efeito adverso grave.
  2. Panossian A, Wikman G. Pharmacology of Schisandra chinensis Bail.: an overview of Russian research and uses in medicine. J Ethnopharmacol. 2008;118(2):183-212. PMID 18515024 — a pesquisa soviética, a farmacopeia e o registro da URSS, proteção contra frio em animais, útero.
  3. Park J, Han S, Park H. Effect of Schisandra Chinensis Extract Supplementation on Quadriceps Muscle Strength and Fatigue in Adult Women: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Trial. Int J Environ Res Public Health. 2020;17(7):2475. PMID 32260466 — 45 mulheres, 1.000 mg/dia, 12 semanas: força e lactato em repouso.
  4. Cho YH, Lee SY, Lee CH, et al. Effect of Schisandra chinensis Baillon extracts and regular low-intensity exercise on muscle strength and mass in older adults: a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. Am J Clin Nutr. 2021;113(6):1440-1446. PMID 33710261 — 54 idosos, 1 g/dia, 12 semanas: +10,2 Nm, sem ganho de massa.
  5. Park JY, Kim KH. A randomized, double-blind, placebo-controlled trial of Schisandra chinensis for menopausal symptoms. Climacteric. 2016;19(6):574-580. PMID 27763802 — extrato isolado em sintomas da menopausa.
  6. Song MY, Wang JH, Eom T, et al. Schisandra chinensis fruit modulates the gut microbiota composition in association with metabolic markers in obese women: a randomized, double-blind placebo-controlled study. Nutr Res. 2015;35(8):655-63. PMID 26048342 — fruta isolada em 28 mulheres obesas.
  7. Aslanyan G, Amroyan E, Gabrielyan E, et al. Double-blind, placebo-controlled, randomised study of single dose effects of ADAPT-232 on cognitive functions. Phytomedicine. 2010;17(7):494-9. PMID 20374974 — a fórmula de três plantas em atenção e precisão.
  8. Narimanian M, Badalyan M, Panosyan V, et al. Impact of Chisan (ADAPT-232) on the quality-of-life and its efficacy as an adjuvant in the treatment of acute non-specific pneumonia. Phytomedicine. 2005;12(10):723-9. PMID 16323290 — a mesma fórmula como adjuvante em pneumonia.
  9. Fan L, Mao XQ, Tao GY, et al. Effect of Schisandra chinensis extract and Ginkgo biloba extract on the pharmacokinetics of talinolol in healthy volunteers. Xenobiotica. 2009;39(3):249-54. PMID 19280523 — +47% de exposição ao talinolol.
  10. Xin HW, Wu XC, Li Q, et al. Effects of Schisandra sphenanthera extract on the pharmacokinetics of tacrolimus in healthy volunteers. Br J Clin Pharmacol. 2007;64(4):469-75. PMID 17506780 — +164,2% de exposição ao tacrolimo.
  11. Xin HW, Wu XC, Li Q, et al. Effects of Schisandra sphenanthera extract on the pharmacokinetics of midazolam in healthy volunteers. Br J Clin Pharmacol. 2009;67(5):541-6. PMID 19552749 — +119,4% de exposição ao midazolam.
  12. Li J, Chen S, Qin X, et al. Wuzhi Tablet (Schisandra sphenanthera Extract) is a Promising Tacrolimus-Sparing Agent for Renal Transplant Recipients Who are CYP3A5 Expressers: a Two-Phase Prospective Study. Drug Metab Dispos. 2017;45(11):1114-1119. PMID 28864749 — a interação usada de propósito em transplantados.
  13. Zhao J, Sun T, Wu JJ, et al. Inhibition of human CYP3A4 and CYP3A5 enzymes by gomisin C and gomisin G, two lignan analogs derived from Schisandra chinensis. Fitoterapia. 2017;119:26-31. PMID 28344076 — inibição das enzimas em laboratório.
  14. Registro NCT03402308 no ClinicalTrials.gov — o ensaio de força em idosos com a fruta sozinha.
  15. Instrução Normativa nº 28, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — a lista de constituintes de suplemento, sem Schisandra.
  16. Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018, da ANVISA, texto consolidado no AnvisaLegis — constituintes restritos às listas da IN 28/2018.
  17. Instrução Normativa nº 412, de 17 de dezembro de 2025, da ANVISA — lista de registro simplificado de fitoterápicos, sem a planta.
  18. Instrução Normativa nº 410, de 17 de dezembro de 2025, da ANVISA — espécies proibidas e restritas em fitoterápicos; sem a planta.
  19. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus), 2009 — 71 espécies, sem Schisandra.
  20. Dado aberto de medicamentos registrados da ANVISA — a mesma base usada na página O que existe no Brasil.
  21. Lista Proibida da WADA de 2026 (cópia mantida pela Universidade do Esporte de Colônia) — a planta não aparece.
  22. E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
  23. API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.

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