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Treino acima do limiar de lactato ("finisher") e GH

Os 10 minutos acima do limiar de lactato subiram o GH de 10 homens em 1992; o estudo de 1999 citado nos vídeos achou subida em linha reta com a intensidade, sem limiar.

Não aprovadoVerificado em fonte primária
Ilustração gerada por IA. Não é dado, nem imagem de estudo.

Material experimental. Leia antes de usar qualquer coisa daqui.

Nada nesta página é recomendação médica, prescrição ou plano de tratamento. É uma tradução organizada de protocolos que circulam em comunidades de pesquisa e, quando existe, do que ensaios publicados testaram. As duas coisas estão marcadas de forma diferente — e não são equivalentes.

A maior parte dos compostos aqui não tem aprovação da ANVISA nem da FDA para uso humano. Vários são vendidos com rótulo de "uso exclusivo em pesquisa", o que significa que não passaram por controle de pureza, esterilidade ou dosagem para consumo por pessoas. Dose descrita por comunidade não é dose validada: é o que alguém relatou ter feito.

Converse com um profissional de saúde habilitado antes de considerar qualquer um destes compostos. Se você já usa algum e sentir algo fora do previsto, procure atendimento — não espere o próximo exame de rotina.

Atenção específica deste composto: Esta página trata de treino, não de suplemento. Esforço máximo repetido aumenta, de forma passageira, o risco de evento cardíaco em quem tem doença do coração, ainda que o risco absoluto seja baixo em reabilitação supervisionada. Quem é sedentário, tem doença cardiovascular, metabólica ou renal, ou sente dor no peito, falta de ar ou tontura no esforço deve passar por avaliação antes de treino intenso. Subir o GH no treino não é objetivo de saúde em si.

Resumo

Exercício intenso aumenta o GH: está medido desde os anos 1990. O estudo de 1992 citado nos vídeos existe e bate nos números: 10 minutos acima do limiar de lactato subiram o GH em 7,7 µg/L; abaixo, 1,5, sem significância. Mas o estudo de 1999, também citado, mostra o contrário da ideia de "linha": o GH subiu em linha reta com a intensidade, já abaixo do limiar, e os próprios autores escreveram que a ideia de um limiar estava errada. A subida é passageira e não aumenta o GH do dia inteiro depois de uma sessão. E dois ensaios mostraram que o pico de hormônio do treino não aumenta a hipertrofia nem a força. O "4 vezes mais GH" e os números "por pulso" do estudo de 1997 não estão nos resumos.

Por que esta página existe

O treino acima do limiar de lactato aparece descrito em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como o "tipo de treino" que libera "até 4 vezes" ou "até 5 vezes mais GH". O limiar de lactato seria uma "linha" que a maioria não conhece: o ponto em que o corpo "para de queimar oxigênio limpo e começa a acumular ácido no sangue". Abaixo dela, o GH "nem sai do zero"; acima, e só depois de 10 minutos completos, ele "dispara". Três estudos são citados: um de 1992 no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, com 10 homens; um de 1999 no Journal of Applied Physiology, com 10 homens e 6 intensidades; e um de 1997 na mesma revista, sobre repetir o estímulo ao longo do dia.

A aplicação proposta é um "finisher": 10 minutos contínuos de bicicleta em sprint, circuito com barra, EMOM, prowler, corda naval, kettlebell ou trenó, no fim do treino de força, sem conseguir conversar. O GH "entraria de graça", queimaria gordura "em cima do músculo" e aceleraria a recuperação. Os mesmos vídeos dizem, corretamente, que quem constrói músculo é a tensão do treino, não o GH.

Levantei as alegações de 2 vídeos curtos e separei as 15 que são verificáveis. Fui atrás dos três estudos citados, da revisão do grupo que fez o estudo de 1999 e dos ensaios que testaram se o pico de hormônio do treino muda o músculo. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.

Este site trata de assunto vizinho também em O eixo do GH fora do frasco de peptídeo e Niacina (ácido nicotínico) e hormônio do crescimento.

O que o exercício faz com o GH

O estudo de 1992 diz o que os vídeos dizem. Felsing, Brasel e Cooper (1992) puseram 10 homens saudáveis de 18 a 35 anos para pedalar 1, 5 e 10 minutos em carga constante, acima ou abaixo do limiar de lactato, em jejum, de manhã, com 1 hora entre as séries. Depois de 10 minutos abaixo do limiar, o GH mudou 1,5 ± 2,0 µg/L, sem significância. Depois de 10 minutos acima, subiu 7,7 ± 2,4 µg/L, em 9 dos 10 homens. Aos 5 minutos acima do limiar, o lactato já estava alto, mas o GH ainda não. Os autores concluem que 10 minutos de exercício intenso, no mínimo, elevaram o GH de forma consistente.

O estudo de 1999 desmonta a "linha". Pritzlaff e colegas (1999) testaram os mesmos 10 homens em 6 ocasiões, em ordem sorteada: um dia de controle e 5 dias de 30 minutos de bicicleta em intensidades relativas ao limiar de lactato — duas abaixo, uma no limiar e duas acima. A área do GH no exercício e na recuperação foi de 250 no controle para 203, 448, 452, 512 e 713 µg·L⁻¹·min⁻¹, da intensidade mais leve para a mais pesada. A relação foi linear: o GH já subia abaixo do limiar, na segunda intensidade mais leve, e continuava subindo acima dele. A produção de GH foi de 16,5 para 32,1 µg por volume de distribuição por minuto entre o controle e a intensidade mais alta, por mais GH em cada pulso, sem mudar a frequência dos pulsos.

O próprio grupo escreveu que o limiar era um engano. Na revisão de Wideman e colegas (2002), do mesmo laboratório, a frase é direta: ao contrário de sugestões anteriores de que o GH do exercício exige atingir uma intensidade-limiar, o grupo mostrou, em qualquer idade e sexo, uma relação linear entre a intensidade e a subida do GH. A mesma revisão acrescenta três pontos que os vídeos não mencionam: depois do pico, o GH cai de forma passageira, e por isso uma sessão só não costuma aumentar o GH integrado de 24 horas; a resposta é 4 a 7 vezes menor em pessoas mais velhas; e em mulheres jovens, o treino aeróbico regular acima do limiar dobrou o GH de 24 horas.

O gatilho parece ser adrenérgico, não o lactato em si. Com os mesmos 10 homens e as mesmas 5 intensidades, Weltman e colegas (2000) viram a noradrenalina e a adrenalina chegarem ao pico 20 minutos depois do início do exercício, sempre antes do pico de GH, e a subida do GH acompanhar a da noradrenalina. Os autores sugerem que intensidade e GH estão ligados pela ativação adrenérgica central. A acidez do sangue também participa: em 10 homens, beber bicarbonato antes de 90 segundos de esforço máximo reduziu o GH depois do exercício, o que os autores leem como sinal de que os íons de hidrogênio respondem por parte do efeito (Gordon 1994).

Lactato não é "ácido acumulado". Segundo a revisão de Robergs e colegas (2004), não há base bioquímica para dizer que a produção de lactato causa a acidose do exercício: ela atrasa a acidose. Os prótons vêm da quebra de ATP quando a demanda passa do que a mitocôndria cobre. O lactato continua sendo um bom marcador indireto dessa situação.

Quanta evidência existe, de verdade

Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.

BaseConsultaResultado
PubMedexercise AND growth hormone AND humans[MeSH Terms]2.841 artigos
PubMed(lactate threshold OR anaerobic threshold) AND growth hormone110 artigos
PubMed(exercise intensity) AND growth hormone AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type])116 artigos
PubMed(high-intensity interval OR sprint interval OR finisher) AND growth hormone299 artigos
PubMed(exercise) AND growth hormone AND (hypertrophy OR muscle protein synthesis) AND (endogenous OR acute)121 artigos
PubMed(exercise) AND growth hormone AND (Meta-Analysis[Publication Type])23 artigos
ClinicalTrials.govtermo livre: exercise AND growth hormone363 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: high-intensity interval training1.259 estudos registrados
ClinicalTrials.govintervenção: (high-intensity interval training) AND AREA[Phase]PHASE34 ensaios de fase 3

Leitura honesta desses números

  • GH no exercício é tema antigo e estudado em gente. Os quase 3 mil artigos com a marcação de humanos mostram que a subida do GH com exercício não é segredo de ninguém.
  • "Limiar de lactato e GH" tem cerca de uma centena de artigos, e o laboratório que mais estudou a relação concluiu que ela é linear. A ideia de "linha" foi descartada pelos próprios autores do estudo de 1999 (Wideman 2002).
  • Os registros no ClinicalTrials.gov medem outras coisas. A busca por exercício e GH devolve, nos primeiros registros, estudos de azeite em diabetes, síndrome metabólica e tai chi em câncer; o GH aparece como uma variável entre muitas. Os 4 "fase 3" com treino intervalado testam cafeína, coenzima Q10, metformina e insulina nasal, não o GH do treino.
  • O efeito sobre o músculo foi testado diretamente, e deu zero. Dois ensaios de um mesmo grupo canadense separaram o treino com e sem pico de hormônios e não acharam diferença em síntese de proteína, hipertrofia ou força (West 2009; West 2010).
  • Registro não é resultado. Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.

Os estudos que sustentam as alegações

Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre limiar de lactato e GH. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.

EstudoNContextoO que relatouRessalva
Felsing et al., 1992
J Clin Endocrinol Metab 75(1):157-62 · PMID 1619005
10Homens de 18 a 35 anos; 1, 5 e 10 min de bicicleta abaixo ou acima do limiar de lactato, em jejum10 min abaixo: +1,5 ± 2,0 µg/L (não significativo); 10 min acima: +7,7 ± 2,4 µg/L (9 de 10 homens); aos 5 min, lactato alto e GH ainda nãoSéries isoladas, sem treino de força antes
Pritzlaff et al., 1999
J Appl Physiol 87(2):498-504 · PMID 10444604
10Homens; controle e 30 min em 5 intensidades relativas ao limiar, em ordem sorteadaGH subiu de forma linear com a intensidade (250 no controle; 203, 448, 452, 512 e 713 µg·L⁻¹·min⁻¹); produção de 16,5 para 32,1O "4 vezes" e o "abaixo do limiar, zero" não estão no resumo
Weltman et al., 2000
J Appl Physiol 89(2):629-35 · PMID 10926647
10Mesmo desenho de 5 intensidadesPico de noradrenalina e adrenalina antes do pico de GH; GH proporcional à noradrenalinaAssociação dentro de cada pessoa
Kanaley et al., 1997
J Appl Physiol 83(5):1756-61 · PMID 9375348
7Homens treinados; 3 sessões de 30 min a 70% do VO₂máx no mesmo dia, seguidas ou espaçadasGH do dia 150% a 160% maior; massa de GH por pulso de 7,0 para 15,9 µg por litro de volume de distribuição; resposta crescente a cada sessão; GH do sono sem mudançaIntensidade não definida pelo limiar de lactato; "1,7 a 2,1" e "2 a 4,3 vezes" não estão no resumo
Gordon et al., 1994
J Appl Physiol 76(2):821-9 · PMID 8175595
10Homens ativos; 90 s de esforço máximo depois de bicarbonato ou sal, duplo-cegoGH pós-esforço menor com bicarbonato aos 15, 20 e 30 minA acidez explica "parte" do efeito, dizem os autores
Wideman et al., 2002 (revisão)
Sports Med 32(15):987-1004 · PMID 12457419
revisãoGH no exercício aeróbico e de forçaRelação linear com a intensidade, sem limiar; uma sessão não sobe o GH de 24 h; resposta 4 a 7 vezes menor em mais velhosRevisão do próprio laboratório
West et al., 2009
J Physiol 587(Pt 21):5239-47 · PMID 19736298
8Homens jovens; braço treinado com e sem treino pesado de perna logo depois, para subir os hormôniosGH, testosterona e IGF-1 subiram só com a perna; síntese de proteína do bíceps igual nas duas condições (p = 0,72)Efeito agudo
West et al., 2010
J Appl Physiol 108(1):60-7 · PMID 19910330
12Mesmo modelo, 15 semanas de treinoÁrea do músculo +12% sem pico hormonal e +10% com pico, sem diferença; força igualBraço, homens jovens
Quinn e Coons, 2011
J Sports Sci 29(11):1175-82 · PMID 21774751
15 (13 homens)Teste da fala contra limiares medidos em laboratórioNo limiar de lactato, as medidas eram parecidas com as de quem ainda falava com conforto ou "não tinha certeza"Amostra pequena, esteira
Robergs et al., 2004 (revisão)
Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol 287(3):R502-16 · PMID 15308499
revisãoBioquímica da acidose do exercícioA produção de lactato atrasa a acidose, não a causaRevisão

O que foi testado em gente: quanto esforço, por quanto tempo

Isto não é recomendação de treino: é o registro do que foi feito em estudos publicados, com o que cada um mediu. Fora do contexto do estudo, esses números não se transferem.

EstudoEsforçoDuraçãoEm quemO que mediu
Felsing et al., 1992Bicicleta em carga constante abaixo ou acima do limiar de lactato1, 5 e 10 min, com 1 h entre séries10 homens jovens, em jejumGH, lactato, catecolaminas
Pritzlaff et al., 1999Bicicleta em 5 intensidades, de bem abaixo a bem acima do limiar30 min10 homensGH por 4 horas
Kanaley et al., 1997Bicicleta a 70% do VO₂máx3 × 30 min no mesmo dia7 homens treinadosGH de 24 horas
Gordon et al., 1994Esforço máximo na bicicleta90 s10 homens ativosGH com e sem bicarbonato
West et al., 2010Rosca de braço com ou sem treino pesado de perna logo depois15 semanas12 homens jovensHipertrofia e força

Nenhum estudo que localizei testou 10 minutos de "finisher" — prowler, corda, kettlebell, trenó ou EMOM — logo depois de um treino de força, medindo GH ou composição corporal.

O pico de GH do treino não constrói músculo

Os vídeos acertam num ponto: quem constrói músculo é a tensão do treino. Isso foi testado. West e colegas fizeram homens jovens treinarem um braço sozinho e o outro braço seguido de um treino pesado de perna, que sobe o GH, a testosterona e o IGF-1. Num estudo agudo, a síntese de proteína do bíceps foi igual nas duas condições (West 2009). Em 15 semanas, a área do músculo cresceu 12% no braço sem pico hormonal e 10% no braço com pico, sem diferença, e a força também foi igual (West 2010).

Onde os vídeos erram é no passo seguinte: dizer que o GH do finisher "queima gordura em cima do músculo" e "acelera a recuperação". Não localizei estudo que tenha medido perda de gordura ou recuperação causada pelo pico de GH de uma sessão. E a revisão de 2002 lembra que, depois do pico, o GH cai de forma passageira, e uma sessão só não costuma aumentar o GH do dia (Wideman 2002).

Das 15 alegações conferidas, 4 se confirmam, e o estudo de 1999 desmente a "linha"

Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa os rótulos confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.

O que se dizO que os estudos mostramVeredito
Um tipo de treino libera "até 4 vezes mais GH"O resumo do estudo de 1999 mostra subida linear, com a área de GH de 250 no controle a 713 na intensidade mais alta; "4 vezes" não apareceNúmero não encontrado na fonte citada
Até "5 vezes mais GH em 10 minutos" (1992: +1,5 abaixo contra +7,7 µg acima)Os dois números estão no resumo (Felsing 1992); o +1,5 não é significativo, e a razão "5 vezes" é uma conta sobre uma variação que não difere de zeroParcialmente
Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 1992, 10 homens, abaixo contra acima do limiarO estudo existe com esse desenho (Felsing 1992)Confirmado
Journal of Applied Physiology, 1999, 10 homens, 6 intensidadesO estudo existe com esse desenho: 1 controle e 5 intensidades (Pritzlaff 1999)Confirmado
Abaixo do limiar, o GH "nem saiu do zero"; só acima ele "praticamente dobrou"No estudo de 1999, a segunda intensidade abaixo do limiar já subiu o GH (448 contra 250 no controle), e a subida foi linear (Pritzlaff 1999); os autores negam a ideia de limiar (Wideman 2002)Não sustentado
O gatilho só dispara depois de 10 minutos completos; aos 5, nadaAos 5 min acima do limiar, lactato alto e GH ainda não; aos 10, sim (Felsing 1992)Confirmado
Repetir o estímulo ao longo do dia multiplica o GH por pulso de 1,7 a 2,1 vezes, e a força do pulso de 2 a 4,3 vezes (1997)O estudo de 1997 mostra resposta crescente com sessões repetidas e massa por pulso de 7,0 para 15,9 µg por litro de volume de distribuição num dos dias (Kanaley 1997); "1,7 a 2,1" e "2 a 4,3" não estão no resumo, e o esforço foi 30 min a 70% do VO₂máx, não 10 min acima do limiarNúmero não encontrado na fonte citada
Quem treina exausto demais tem o pulso hormonal "encolhido"Nenhum estudo localizado; no estudo de 1997, sessões repetidas no mesmo dia aumentaram a respostaSem estudo em humanos
Limiar de lactato é onde o corpo "para de queimar oxigênio limpo e começa a acumular ácido"A produção de lactato atrasa, não causa, a acidose; o lactato é marcador indireto (Robergs 2004)Parcialmente
O mecanismo é o lactato, não o equipamentoO GH acompanhou a noradrenalina (Weltman 2000); a acidez explica parte do efeito (Gordon 1994); o lactato em si não foi mostrado como causaParcialmente
Se ainda consegue conversar, está do lado errado da linhaNo limiar de lactato, as medidas foram parecidas com as de quem ainda falava com conforto (Quinn e Coons 2011)Não sustentado
Prowler, corda, kettlebell, trenó: "qualquer coisa que empurre para a linha funciona"Exercício intenso de vários tipos, aeróbico e de força, sobe o GH (Wideman 2002); nenhum estudo localizado com esses equipamentosParcialmente
Quem constrói músculo é a tensão do treino, não o GHPico de hormônios do treino não mudou síntese de proteína, hipertrofia nem força (West 2009; West 2010)Confirmado
O GH entra depois, queimando gordura "em cima do músculo" e acelerando a recuperaçãoNenhum estudo localizado mediu perda de gordura ou recuperação causadas pelo pico de GH de uma sessão; uma sessão não sobe o GH do dia (Wideman 2002)Não sustentado
Fazer o finisher de 10 minutos depois da carga pesada faz os "7,7 µg entrarem de graça"O 7,7 µg/L veio de pedalar sozinho, em jejum, de manhã (Felsing 1992); nenhum estudo testou o finisher depois de treino de forçaSem estudo em humanos

Placar: 4 confirmadas, 4 parcialmente, 3 não sustentadas, 2 sem estudo em humanos e 2 com número não encontrado na fonte citada.

Segurança e quem deve se avaliar antes

  • Esforço intenso tem risco cardíaco pequeno, mas maior que o moderado. Em 4.846 pacientes com doença coronariana em reabilitação na Noruega, houve 1 parada cardíaca a cada 23.182 horas de treino intervalado intenso e 1 a cada 129.456 horas de treino moderado, sem infarto; os autores consideram o risco baixo nos dois casos, num ambiente supervisionado (Rognmo 2012).
  • Triagem antes de começar. O Colégio Americano de Medicina do Esporte recomenda decidir a necessidade de avaliação médica antes do exercício por três fatores: o nível atual de atividade física, a presença de sinais ou sintomas ou de doença cardiovascular, metabólica ou renal conhecida, e a intensidade pretendida (Riebe 2015).
  • Quem não deve começar pelo "finisher" sem avaliação: sedentários que querem ir direto a esforço máximo, quem tem doença cardiovascular, metabólica ou renal conhecida e quem sente dor no peito, falta de ar desproporcional, palpitação ou tontura no esforço (Riebe 2015).
  • Mais velhos respondem menos. A resposta de GH ao exercício é 4 a 7 vezes menor em pessoas mais velhas (Wideman 2002); o argumento hormonal perde força justamente em quem mais o busca.

Status regulatório e recomendações

  • Não se aplica. Treino não é produto: não há registro, notificação ou limite da ANVISA, da FDA ou da agência europeia.
  • A recomendação mais próxima é de triagem, não de dose. O modelo do Colégio Americano de Medicina do Esporte de 2015 orienta quem precisa de liberação médica antes de exercício intenso (Riebe 2015).
  • WADA: treino não é proibido. NÃO VERIFIQUEI se o pico de GH do exercício interfere em testes antidoping de GH.

O que este levantamento não fez

  • Li resumos, não os artigos inteiros. Os três estudos citados nos vídeos não estão no PubMed Central. Por isso, NÃO VERIFIQUEI se o "4 vezes" (1999) e o "1,7 a 2,1" e "2 a 4,3 vezes" (1997) estão no corpo dos artigos; registro apenas que não estão nos resumos.
  • Não localizei estudo de "finisher" depois de treino de força, nem estudo com prowler, corda naval, kettlebell, trenó ou EMOM medindo GH.
  • Não avaliei treino intervalado para emagrecimento, condicionamento ou saúde cardiovascular, que tem literatura própria e grande; esta página trata só da alegação hormonal.
  • Não avaliei a resposta de GH ao exercício em mulheres além do que a revisão de 2002 resume.
  • Não verifiquei a relação entre GH do exercício e testes antidoping.

Referências

Esta página não veio da fonte secundária. Cada número desta página foi levantado por mim em 7 de outubro de 2026 no PubMed e no ClinicalTrials.gov, e a consulta usada está declarada acima. Li resumos, não os artigos inteiros. As contagens das tabelas com consulta, no PubMed e no ClinicalTrials.gov, foram refeitas por mim em 16 de outubro de 2026.
  1. Felsing NE, Brasel JA, Cooper DM. Effect of low and high intensity exercise on circulating growth hormone in men. J Clin Endocrinol Metab. 1992;75(1):157-62. PMID 1619005 — o estudo de 1992: +1,5 µg/L abaixo e +7,7 µg/L acima do limiar, só aos 10 min.
  2. Pritzlaff CJ, Wideman L, Weltman JY, et al. Impact of acute exercise intensity on pulsatile growth hormone release in men. J Appl Physiol (1985). 1999;87(2):498-504. PMID 10444604 — o estudo de 1999: subida linear do GH com a intensidade.
  3. Weltman A, Pritzlaff CJ, Wideman L, et al. Exercise-dependent growth hormone release is linked to markers of heightened central adrenergic outflow. J Appl Physiol (1985). 2000;89(2):629-35. PMID 10926647 — o GH acompanha a noradrenalina.
  4. Kanaley JA, Weltman JY, Veldhuis JD, et al. Human growth hormone response to repeated bouts of aerobic exercise. J Appl Physiol (1985). 1997;83(5):1756-61. PMID 9375348 — o estudo de 1997: sessões repetidas aumentam a resposta.
  5. Gordon SE, Kraemer WJ, Vos NH, et al. Effect of acid-base balance on the growth hormone response to acute high-intensity cycle exercise. J Appl Physiol (1985). 1994;76(2):821-9. PMID 8175595 — bicarbonato reduz o GH pós-esforço.
  6. Wideman L, Weltman JY, Hartman ML, et al. Growth hormone release during acute and chronic aerobic and resistance exercise: recent findings. Sports Med. 2002;32(15):987-1004. PMID 12457419 — sem limiar; uma sessão não sobe o GH de 24 h.
  7. West DW, Kujbida GW, Moore DR, et al. Resistance exercise-induced increases in putative anabolic hormones do not enhance muscle protein synthesis or intracellular signalling in young men. J Physiol. 2009;587(Pt 21):5239-47. PMID 19736298 — pico hormonal sem efeito na síntese de proteína.
  8. West DW, Burd NA, Tang JE, et al. Elevations in ostensibly anabolic hormones with resistance exercise enhance neither training-induced muscle hypertrophy nor strength of the elbow flexors. J Appl Physiol (1985). 2010;108(1):60-7. PMID 19910330 — pico hormonal sem efeito em 15 semanas de hipertrofia e força.
  9. Robergs RA, Ghiasvand F, Parker D. Biochemistry of exercise-induced metabolic acidosis. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol. 2004;287(3):R502-16. PMID 15308499 — lactato atrasa, não causa, a acidose.
  10. Quinn TJ, Coons BA. The Talk Test and its relationship with the ventilatory and lactate thresholds. J Sports Sci. 2011;29(11):1175-82. PMID 21774751 — no limiar de lactato ainda se fala com conforto.
  11. Rognmo Ø, Moholdt T, Bakken H, et al. Cardiovascular risk of high- versus moderate-intensity aerobic exercise in coronary heart disease patients. Circulation. 2012;126(12):1436-40. PMID 22879367 — risco de evento em treino intenso contra moderado, em cardiopatas.
  12. Riebe D, Franklin BA, Thompson PD, et al. Updating ACSM's Recommendations for Exercise Preparticipation Health Screening. Med Sci Sports Exerc. 2015;47(11):2473-9. PMID 26473759 — triagem antes do exercício.
  13. E-utilities do PubMed (esearch) — a base de todas as contagens de artigo desta página.
  14. API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo e de fase 3 desta página.

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