DDT e DDE na dieta (os jacarés do Lago Apopka)
Os jacarés do Lago Apopka tiveram pênis 24% menor e testosterona 70% mais baixa; em homens expostos ao DDE, a testosterona apareceu mais baixa, igual ou até mais alta, conforme o estudo.

実験的資料。ここにあるものを使う前に読んでください。
このページにあるものは何一つ、医学的な推奨、処方、治療計画ではありません。 研究コミュニティに流通しているプロトコルと、存在する場合には公表された試験が検証した内容を、整理して翻訳したものです。この二つは異なる形で標示されており — 同等ではありません。
ここにある化合物の大部分はヒトへの使用についてFDAの承認を得ていません。多くは「研究用途限定」のラベルで販売されており、これは人が摂取するための純度、無菌性、含量の管理を経ていないことを意味します。コミュニティが記述する用量は検証された用量ではありません。誰かがそうしたと報告したものにすぎません。
これらの化合物のいずれかを検討する前に、資格を持つ医療専門家に相談してください。すでに使用していて予期しないことを感じたら、受診してください — 次の定期検査を待たないでください。
概要
O DDT é um inseticida proibido no Brasil desde 2009, e o DDE é o resíduo que ele deixa na gordura de animais e de pessoas por décadas. Os números dos jacarés estão no artigo de 1996: pênis 24% menor e testosterona 70% mais baixa num lago contaminado. Em laboratório e em ratos, o DDE bloqueia o receptor de andrógeno. Em homens, os estudos são de observação e não concordam: alguns acham pior motilidade dos espermatozoides, e um estudo sul-africano achou testosterona mais alta em quem tinha mais DDE. A associação com diabetes tipo 2 aparece em meta-análises, e a agência de câncer da OMS classifica o DDT como provável cancerígeno. A comida é a principal via de exposição.
このページが存在する理由
O DDT aparece descrito em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como a prova de que um químico "encolhe" o pênis. O roteiro: em 1980, um pesticida vazou DDT e DDE no Lago Apopka, na Flórida; um pesquisador mostrou em 1996 que os jacarés do lago tinham pênis 24% menor e testosterona 70% mais baixa, porque o DDE "trava o receptor de andrógeno"; a população teria caído de 4 mil para 400 jacarés na mesma década, e as fêmeas tinham folículos malformados; quem descobriu teria sido atacado. Em homens expostos ao DDE, "estudos associam" queda da motilidade dos espermatozoides, "mesma trava"; a OMS classificaria o composto como provável cancerígeno, "fortemente ligado" a câncer de mama, fígado e testículo, e o acúmulo de DDE na gordura estaria ligado a diabetes tipo 2 e obesidade. Fora das zonas de malária, 95% da absorção humana viria da dieta: peixes gordurosos de água doce ou de estuário pescados perto de áreas urbanas ou agrícolas, ovos caipiras ou orgânicos de solo contaminado e carnes com capa grossa de gordura. O composto continuaria no solo décadas depois, mas "dá para reduzir a carga", com um protocolo que promete aumentar a testosterona "em até 147% em 28 dias" e ganhar "de 1 a 7 centímetros" com tração e suplementos. No mesmo vídeo, o DDT é chamado de herbicida e depois de inseticida.
Esta página trata de algo que se evita, não de algo que se toma. Como nas páginas sobre plásticos e radiofrequência (ver as páginas bpa-ftalatos-plasticos e radiofrequencia-celular-notebook), a tabela de doses deu lugar às exposições estudadas. O protocolo de tração tem página própria (ver a página tracao-peniana-e-vacuo).
Levantei as alegações de 1 vídeo curto e conferi 20 delas. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
O que é o DDT, e o que é o DDE
- O DDT é um inseticida, não um herbicida. Segundo o perfil toxicológico da agência americana de substâncias tóxicas (ATSDR), é um inseticida organoclorado usado na agricultura e fora dela a partir de 1939, proibido nos Estados Unidos e em muitos países em 1972. A agência de câncer da OMS (IARC) o descreve como introduzido para controlar doenças transmitidas por insetos na Segunda Guerra e depois usado contra a malária e na agricultura.
- O DDE é o resíduo que fica. É produto da degradação e do metabolismo do DDT, não é fabricado, e costuma aparecer no ambiente em concentração maior que o próprio DDT. Os dois se degradam devagar e se acumulam na gordura (ATSDR).
- Ainda há uso legal no mundo, só contra vetores de doença. Pela Convenção de Estocolmo, o uso que resta é o controle de vetores, sobretudo da malária, e é estritamente restrito (comunicado da IARC de 2015). É nessas áreas, onde se borrifa DDT dentro das casas, que estão os homens mais expostos dos estudos sobre sêmen.
O que aconteceu com os jacarés do Lago Apopka
- O lago foi contaminado por um derramamento e pela agricultura. Segundo Guillette e colegas (1994), o Lago Apopka fica junto de uma área da lista Superfund da agência ambiental americana, por causa de um grande derramamento de dicofol e de DDT ou seus metabólitos; o lago também recebia resíduo da agricultura no entorno e de uma estação de esgoto. O ano de 1980 e a empresa responsável aparecem numa reportagem do programa Frontline, da PBS, não nos resumos dos artigos que li.
- Os números do vídeo estão no artigo de 1996. Jacarés jovens do Apopka tinham pênis em média 24% menor e testosterona 70% mais baixa que os de mesmo tamanho do Lago Woodruff, usado como controle. No Apopka, o tamanho do pênis não acompanhava a testosterona; no Woodruff, acompanhava. Os autores lembram que os jacarés do Apopka tinham DDE elevado na gordura e listam várias hipóteses para o que viram (Guillette 1996).
- As fêmeas também. Aos 6 meses, as fêmeas do Apopka tinham estradiol quase duas vezes maior e ovários com muitos folículos com mais de um óvulo e óvulos com mais de um núcleo (Guillette 1994).
- A queda da população é documentada, mas o número de 4 mil para 400, não. Segundo comentário de pesquisadores do CDC com Guillette entre os autores, a população de jacarés do lago caiu de forma dramática entre 1980 e 1987. Eles chamam atenção para dois nematicidas, DBCP e EDB, que também poderiam ter contribuído para a falha reprodutiva (Semenza 1997). A reportagem da PBS fala em 90% dos jacarés desaparecidos depois do derramamento. Não localizei a contagem de 4 mil para 400.
- O pênis menor não foi exclusivo do lago do derramamento. Num estudo de sete lagos da Flórida, o pênis também foi menor no Lago Griffin, e a testosterona mais baixa apareceu em outros lagos; os autores concluíram que as diferenças não se limitavam a um lago com histórico de grande derramamento (Guillette 1999).
O mecanismo: bloqueio do receptor no laboratório e no rato
Kelce e colegas, da agência ambiental americana, mostraram em 1995 que o p,p'-DDE quase não se liga ao receptor de estrogênio, mas inibe a ligação do andrógeno ao seu receptor, a atividade de transcrição que ele dispara e a ação do andrógeno em ratos em desenvolvimento, na puberdade e adultos (Kelce 1995). É o "trava o receptor" dos vídeos, e ele foi visto em células e em ratos.
Em homens, o efeito não aparece de forma consistente. A síntese do estudo europeu e groenlandês INUENDO, com 2.269 casais, concluiu que o DDE no sangue não se relacionou de forma consistente com atividade hormonal endógena ou exógena, e que os poluentes persistentes podem interferir na função reprodutiva sem grande impacto na fertilidade (Bonde 2008).
O que se mediu em homens
- Motilidade dos espermatozoides: associação em áreas de alta exposição. Em 311 jovens de uma área de malária da África do Sul onde se borrifa DDT todo ano, mais DDE no sangue andou com motilidade menor medida por computador, volume e contagem menores; 28% tinham contagem baixa (Aneck-Hahn 2007). Em 116 homens de Chiapas, no México, com DDE cem vezes acima do de populações não expostas, a motilidade caiu com o DDE no limite da significância (P = 0,05) (De Jager 2006).
- Em populações menos expostas, o sinal enfraquece. Em 763 homens da Groenlândia, Suécia, Polônia e Ucrânia, o DDE não se associou à concentração nem à forma dos espermatozoides, e se associou a motilidade menor na Groenlândia e no conjunto (Toft 2006). Em 212 homens de casais com dificuldade de engravidar em Boston, a evidência de associação entre DDE e motilidade foi "limitada" (Hauser 2003).
- Testosterona: resultados em direções opostas. Em 535 sul-africanos, quem tinha DDT ou DDE detectável no sangue tinha testosterona total, livre e biodisponível mais altas e FSH mais baixo (Bornman 2018). Em floricultores mexicanos, o DDE se associou negativamente à prolactina e, no limite, à testosterona, com intervalo de confiança que inclui o zero (Blanco-Muñoz 2012). Em quatro coortes europeias e groenlandesas, o DDE se associou ao FSH no conjunto, com padrões diferentes em cada região (Giwercman 2006). Em 341 homens de uma clínica americana, com exposição de população geral, a relação entre poluentes e hormônios foi mínima (Ferguson 2012).
- No Brasil, um estudo numa área muito contaminada. Em 304 homens de uma área rural fortemente contaminada por pesticidas organoclorados, o o,p'-DDT e o heptacloro se associaram a testosterona mais baixa (Freire 2014). O resumo não relata associação do p,p'-DDE com a testosterona dos homens.
- Exposição antes do nascimento: o DDE é o que se destacou. Na meta-análise de exposição na gestação e logo após o nascimento a disruptores endócrinos, o risco geral de distúrbios reprodutivos masculinos não foi significativo (1,11; IC 0,91–1,35), mas o p,p'-DDE se associou a risco maior (1,35; IC 1,04–1,74) (Bonde 2016). A ATSDR, por outro lado, lista como evidência consistente a ausência de associação com defeitos congênitos do sistema reprodutor masculino.
実際にどれだけのエビデンスが存在するか
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| 根拠 | 検索式 | 結果 |
|---|---|---|
| PubMed | dichlorodiphenyltrichloroethane OR dichlorodiphenyldichloroethylene | 23.365 artigos |
| PubMed | (dichlorodiphenyltrichloroethane OR dichlorodiphenyldichloroethylene) AND (testosterone) | 210 artigos |
| PubMed | (dichlorodiphenyltrichloroethane OR dichlorodiphenyldichloroethylene) AND (sperm OR semen) | 171 artigos |
| PubMed | (dichlorodiphenyltrichloroethane OR dichlorodiphenyldichloroethylene) AND (sperm OR semen OR testosterone) AND (humans[MeSH Terms]) | 151 artigos |
| PubMed | (dichlorodiphenyltrichloroethane OR dichlorodiphenyldichloroethylene) AND (Meta-Analysis[Publication Type]) | 51件の論文 |
| PubMed | (dichlorodiphenyltrichloroethane OR dichlorodiphenyldichloroethylene) AND (Brazil) | 367 artigos |
| PubMed | (DDT OR DDE) AND Brazil | 476 artigos |
| PubMed | alligator AND Apopka | 48 artigos |
| ClinicalTrials.gov | termo livre (query.term): dichlorodiphenyltrichloroethane OR DDT pesticide | 10 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | termo livre (query.term): dichlorodiphenyldichloroethylene OR p,p'-DDE | 9 estudos registrados |
この数字についての率直な読み方
- A sigla engana a busca. "DDT" casa com a abreviatura da revista Drug Discovery Today, e "DDE" com "defeitos de desenvolvimento do esmalte" dentário. Por isso a busca pelas siglas devolve mais artigos que a busca pelo nome químico, e os primeiros resultados de "DDT e Brasil" são revisões de descoberta de remédios e de odontologia. As contagens de cima, com o nome químico, são as que valem.
- Quase tudo em humanos é observação. Os estudos de sêmen e hormônio medem o DDE no sangue e comparam; não há ensaio que tenha dado DDE a homens, nem poderia haver.
- Os registros não testam proteção contra o DDT. Entre os 10 registros, há biomonitoramento de agricultores, um estudo de 20 moradores perto do Lago Apopka, um de perda de gestação em área de borrifação na África do Sul e um de câncer de testículo e disruptores. O único "fase 3" da lista é de troca de inseticida contra a leishmaniose. O ensaio que testou um remédio para emagrecer e reduzir a carga corporal de poluentes foi feito em pessoas expostas a outro químico, o PBB. Registro não é resultado.
- Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
Os estudos que sustentam (ou não) as alegações
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos concretos por trás do que se diz sobre DDT, DDE e saúde masculina. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas ou animais.
| 研究 | N | 背景 | 報告された内容 | 注意点 |
|---|---|---|---|---|
| Guillette et al., 1996 Gen Comp Endocrinol 101(1):32-42 · PMID 8713642 | jacarés jovens (N não informado no resumo) | Lago Apopka contra Lago Woodruff | Pênis 24% menor em média; testosterona 70% mais baixa | Jacarés; associação com o lago, não com uma substância isolada |
| Guillette et al., 1994 Environ Health Perspect 102(8):680-8 · PMID 7895709 | jacarés jovens | Mesmos lagos | Fêmeas com estradiol quase 2 vezes maior e ovários anormais; machos com testosterona mais de 3 vezes menor e pênis pequeno | Jacarés |
| Guillette et al., 1999 Gen Comp Endocrinol 116(3):356-72 · PMID 10603274 | jacarés de 7 lagos | Comparação entre lagos | Pênis menor também no Lago Griffin; testosterona menor em outros lagos | Mostra que o padrão não é exclusivo do lago do derramamento |
| Semenza et al., 1997 Environ Health Perspect 105(10):1030-2 · PMID 9349835 | — | Comentário do CDC | Queda dramática da população entre 1980 e 1987; dois nematicidas também podem ter contribuído | Comentário, não estudo |
| Kelce et al., 1995 Nature 375(6532):581-5 · PMID 7791873 | ratos e células | Agência ambiental americana | p,p'-DDE bloqueia o receptor de andrógeno | Laboratório e animal |
| Aneck-Hahn et al., 2007 J Androl 28(3):423-34 · PMID 17192596 | 311 jovens | Área de malária com borrifação anual de DDT, África do Sul | Mais DDE, motilidade, volume e contagem menores | Transversal; exposição muito acima da média |
| De Jager et al., 2006 J Androl 27(1):16-27 · PMID 16400073 | 116 homens | Chiapas, México, borrifação até 2000 | Motilidade menor com mais DDE (P = 0,05); mais defeitos de cauda | Transversal; análise bruta |
| Toft et al., 2006 Epidemiology 17(4):450-8 · PMID 16755259 | 763 homens | Groenlândia, Suécia, Polônia, Ucrânia | DDE sem relação com concentração e forma; associado a motilidade menor na Groenlândia e no conjunto | Transversal |
| Bornman et al., 2018 Environ Int 113:281-289 · PMID 29373146 | 535 homens | Área de borrifação, África do Sul | DDT ou DDE detectável: testosterona total, livre e biodisponível mais altas; FSH mais baixo; estradiol mais alto nas faixas altas | Transversal |
| Blanco-Muñoz et al., 2012 Occup Environ Med 69(1):5-11 · PMID 21558473 | floricultores (N não informado no resumo) | México, duas estações | DDE associado a prolactina menor; testosterona com IC que inclui o zero; inibina B maior | O sinal do coeficiente da testosterona no resumo não bate com a palavra "negativamente" |
| Giwercman et al., 2006 Environ Health Perspect 114(9):1348-53 · PMID 16966087 | 184, 258, 113 e 194 homens | Pescadores suecos e parceiros de gestantes da Groenlândia, de Varsóvia e de Kharkiv | DDE associado a FSH maior no conjunto; padrões regionais diferentes | Transversal |
| Freire et al., 2014 Int J Hyg Environ Health 217(2-3):370-8 · PMID 23972672 | 304 homens e 300 mulheres | Área rural muito contaminada no Brasil | o,p'-DDT e heptacloro associados a testosterona mais baixa nos homens | Transversal; local muito contaminado |
| Bonde et al., 2016 Hum Reprod Update 23(1):104-125 · PMID 27655588 | 33 artigos (28 populações) | Exposição antes e logo depois do nascimento | Geral 1,11 (IC 0,91–1,35); p,p'-DDE 1,35 (IC 1,04–1,74) | Evidência descrita como limitada pelos autores |
| McGlynn et al., 2008 J Natl Cancer Inst 100(9):663-71 · PMID 18445826 | 754 casos e 928 controles | Militares americanos, sangue antes do diagnóstico | DDE no quartil mais alto: câncer de testículo 1,71 (IC 1,23–2,38) | Caso-controle |
| Hernández-Mariano et al., 2022 Int J Hyg Environ Health 239:113865 · PMID 34700204 | 23 estudos prospectivos | Meta-análise | DDE e diabetes tipo 2: 1,44 (IC 1,00–2,07); hipertensão 1,21 (IC 1,07–1,38) | Limite inferior encostado em 1 |
| Cano-Sancho et al., 2017 Environ Health Perspect 125(9):096002 · PMID 28934091 | 7 estudos prospectivos | Revisão sistemática integrada | DDE e IMC z: β 0,13 (IC 0,01–0,25); DDT e DDE "presumidamente" obesogênicos | Desfecho medido pelo IMC em escore z |
| Ingber et al., 2013 Regul Toxicol Pharmacol 67(3):421-33 · PMID 24021539 | 46 estudos | Meta-análise de câncer de mama | DDE 1,05 (IC 0,93–1,18); DDT 1,02 (IC 0,92–1,13) | Segundo Cohn (2007), estudos anteriores mediram a exposição tarde na vida |
Exposições usadas nos estudos
Isto não é recomendação: é o registro de que exposição foi estudada, em quem e por quanto tempo.
| 研究 | Exposição | 期間 | Em quem | O que o estudo queria medir |
|---|---|---|---|---|
| Aneck-Hahn et al., 2007 | DDE médio de 215,47 µg/g de gordura no sangue, em área de borrifação anual | Moradores da área | 311 jovens | Sêmen |
| De Jager et al., 2006 | DDE médio de 45 µg/g de gordura, cem vezes o de não expostos | Borrifação até 2000 | 116 homens | Sêmen |
| Bornman et al., 2018 | DDE de até 997 µg/g de gordura nas faixas mais altas | 17,6 anos em média na residência atual | 535 homens | Hormônios |
| Blanco-Muñoz et al., 2012 | DDE mediano de 677,2 ng/g de gordura | Duas estações | Floricultores | Hormônios |
| Jandacek et al., 2014 | Batata frita com olestra, 15 g por dia, contra óleo vegetal | 1 ano | 28 adultos com PCB alto | Eliminação de PCB e DDE |
| Arguin et al., 2010 | Dieta vegana; ou olestra durante emagrecimento | Transversal; 3 meses | 24 adultos; 37 homens obesos | Organoclorados no sangue |
Comida é a via principal, mas o "95%" não aparece nas fontes
- A via principal é a comida. Segundo a IARC, a exposição ao DDT "ainda ocorre, principalmente pela dieta". A ATSDR descreve a via predominante como o consumo de alimentos de regiões onde o DDT ainda é usado ou que podem ter resíduo acumulado, como carne, peixe, aves e laticínios, e cita bagre, salmão, queijo e manteiga entre os alimentos com resíduo detectável nos Estados Unidos. O "95% da absorção" não está nessas duas fontes, e não localizei o número.
- Ovos de quintal têm mais. Na Bélgica, 17% dos ovos de galinhas criadas em casa, coletados em 58 locais, passaram do limite para DDT, cerca de 30 anos depois da proibição (Windal 2009). Ovos de criadores particulares tiveram 2 a 8 vezes mais contaminantes, incluindo o grupo do DDT, que os de granjas comerciais (Van Overmeire 2006). Não localizei estudo equivalente no Brasil.
- Peixe na Amazônia: resíduo presente, abaixo do limite. No Rio Tapajós, em região onde o DDT foi muito usado contra a malária, resíduos de DDT apareceram em 98% das amostras de seis espécies de peixe mais consumidas, abaixo dos limites para consumo (Mendes 2016). Numa comunidade de pescadores da Amazônia, o peixe que se alimenta de detritos foi o que mais contribuiu para a ingestão de DDT e DDE, e o risco estimado de câncer ficou abaixo do limite (Azevedo 2022).
- No corpo, a carga cai devagar. Pela ATSDR, as concentrações na gordura e no leite materno refletem exposição passada e atual, por causa da eliminação lenta; o DDE no sangue caiu cerca de cinco vezes nas pesquisas nacionais americanas entre 1976 e 2004, acompanhando a queda no ambiente.
"Dá para reduzir a carga": o que foi testado
- Comer menos fonte reduz o que entra, não o que já está. Nenhum estudo que localizei testou trocar de peixe, de ovo ou de carne e medir depois a testosterona.
- Um substituto de gordura acelerou a saída de PCB, num piloto. Num ensaio de 1 ano com 28 moradores de Anniston, nos EUA, com PCB alto, batata frita feita com olestra, uma gordura que não é absorvida, acelerou a eliminação de PCB em relação ao período anterior; a interação entre grupo e tempo não foi significativa, e o resumo não traz o resultado do DDE, que também foi medido (Jandacek 2014).
- Emagrecer pode subir a concentração no sangue por um tempo. Em 37 homens obesos em dieta de 3 meses, a concentração de organoclorados no sangue subiu com a perda de peso, e o olestra não impediu isso, exceto para um composto (Arguin 2010). No mesmo trabalho, veganos tinham alguns PCB mais baixos que onívoros.
Das 20 alegações conferidas, 8 se confirmam, e nenhuma delas mostra queda de testosterona em homens
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa os rótulos confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | 結論 |
|---|---|---|
| O químico encolheu 24% o pênis dos jacarés | Pênis 24% menor em média nos jacarés jovens do Apopka (Guillette 1996); o lago tinha mistura de contaminantes, e o pênis menor apareceu também em outro lago (Guillette 1999) | Confirmado (em jacarés) |
| Testosterona 70% mais baixa nos jacarés | 70% mais baixa (Guillette 1996) | Confirmado (em jacarés) |
| Em 1980, um pesticida vazou DDT e DDE no Lago Apopka | O derramamento foi de dicofol e de DDT ou seus metabólitos, numa área Superfund (Guillette 1994); o ano está numa reportagem da PBS; o lago também recebia agrotóxico agrícola e esgoto | Parcialmente |
| O DDE "trava o receptor de andrógeno" | Bloqueio visto em células e em ratos (Kelce 1995); em homens, sem evidência direta de ação hormonal (Bonde 2008) | Estudo em animal ou in vitro |
| A população caiu de 4 mil para 400 jacarés na mesma década | A queda dramática entre 1980 e 1987 está documentada (Semenza 1997), e a PBS fala em 90%; não localizei a contagem de 4 mil para 400 | Número não encontrado na fonte citada |
| Fêmeas expostas tinham folículo ovariano malformado | Folículos com vários óvulos e óvulos com vários núcleos; estradiol quase 2 vezes maior (Guillette 1994) | Confirmado (em jacarés) |
| Atacaram quem descobriu, "documentado por reportagem independente" | Nenhuma fonte citada e nenhuma localizada | Não sustentado |
| Em homens expostos ao DDE, estudos associam queda da motilidade | Associação em áreas de alta exposição (Aneck-Hahn 2007; De Jager 2006) e no conjunto de 763 homens europeus e groenlandeses (Toft 2006); limitada em Boston (Hauser 2003) | Confirmado (associação, em estudos transversais) |
| Em homens, é a "mesma trava" dos jacarés, que derruba a testosterona | Testosterona mais alta com DDE na África do Sul (Bornman 2018); sem relação consistente na Europa (Bonde 2008; Giwercman 2006); mais baixa com o,p'-DDT numa área muito contaminada no Brasil (Freire 2014) | Não sustentado |
| A OMS classifica como provável causador de câncer | A IARC classificou o DDT no Grupo 2A, "provavelmente carcinogênico", em 2015 (Loomis 2015) | Confirmado |
| "Fortemente ligado" a câncer de mama, fígado e testículo | A IARC achou evidência humana "limitada", com associações positivas para linfoma não Hodgkin, câncer de testículo e de fígado, e nenhuma associação geral com câncer de mama; meta-análise de mama: 1,05 (IC 0,93–1,18) (Ingber 2013) | Parcialmente |
| O acúmulo de DDE na gordura está associado a diabetes tipo 2 e obesidade | Diabetes: risco maior com DDE e DDT numa meta-análise de 22 estudos (Evangelou 2016) e 1,44 (IC 1,00–2,07) para diabetes tipo 2 em estudos prospectivos (Hernández-Mariano 2022); obesidade: "presumidamente" obesogênico (Cano-Sancho 2017); a ATSDR lista o diabetes tipo 2 entre as associações consistentes | Confirmado (associação) |
| Fora das zonas de malária, 95% da absorção humana vem da dieta | A dieta é a via principal (IARC 2015; ATSDR); o "95%" não está nessas fontes | Parcialmente |
| Peixes gordurosos de água doce ou estuário, perto de áreas urbanas ou agrícolas, concentram as maiores cargas | Peixe está entre os alimentos com resíduo (ATSDR); na Amazônia, resíduo presente, abaixo do limite (Mendes 2016); não localizei comparação que mostre essas espécies como as de maior carga | Parcialmente |
| Ovos caipiras ou orgânicos de solo contaminado concentram DDE | Ovos de quintal mais contaminados que os de granja, na Bélgica (Van Overmeire 2006; Windal 2009) | Confirmado |
| Carnes com capa grossa de gordura acumulam resíduo do pasto ou da ração | Carne, aves e laticínios estão entre as fontes (ATSDR); não localizei estudo sobre a espessura da gordura | Parcialmente |
| O composto ainda está no solo décadas depois | Degradação lenta (ATSDR); ovos acima do limite 30 anos após a proibição (Windal 2009); resíduo em peixe da Amazônia (Mendes 2016) | Confirmado |
| "Dá para reduzir a carga" com um protocolo | A carga cai devagar, com o ambiente (ATSDR); o olestra acelerou a saída de PCB num piloto (Jandacek 2014); emagrecer subiu a concentração no sangue (Arguin 2010); o protocolo dos vídeos não é descrito | Parcialmente |
| O DDT é um herbicida | É um inseticida (ATSDR; IARC 2015) | Não sustentado |
| O protocolo aumenta a testosterona "em até 147% em 28 dias" e dá "de 1 a 7 centímetros" | Nenhuma fonte citada e nenhuma localizada | Não sustentado |
Placar: 8 confirmadas, 6 parcialmente, 4 não sustentadas, 1 com estudo só em animal ou in vitro e 1 com número não encontrado na fonte citada.
Quem tem mais motivo para reduzir a exposição
- Gestantes e crianças. A associação mais consistente para o sistema reprodutor masculino é com a exposição antes do nascimento (Bonde 2016), e a de câncer de mama apareceu em mulheres expostas antes dos 14 anos (Cohn 2007).
- Quem vive ou trabalha onde o DDT foi muito usado. Áreas de borrifação contra malária, como partes da Amazônia no passado, e áreas rurais muito contaminadas concentram os níveis altos dos estudos (Aneck-Hahn 2007; Mendes 2016; Freire 2014).
- Quem come muito ovo de quintal ou peixe de área contaminada. É onde os resíduos foram mais altos nos estudos de alimento (Windal 2009; Azevedo 2022). Para a população em geral, a ingestão caiu muito desde a proibição (ATSDR).
- Homens com testosterona baixa ou infertilidade. O DDE não explica de forma consistente a testosterona baixa nos estudos em homens. As causas comuns vêm antes.
規制上のステータス
- Brasil: a Lei 11.936, de 14 de maio de 2009, proíbe em todo o território a fabricação, a importação, a exportação, a manutenção em estoque, a comercialização e o uso do DDT, manda incinerar os estoques em 30 dias e prevê estudo do impacto do uso para controle de vetores na Amazônia. NÃO VERIFIQUEI as restrições anteriores ao uso agrícola nem se o estudo previsto na lei foi feito.
- Brasil, água potável: "DDT + DDD + DDE" com valor máximo permitido de 1 µg/L (Portaria GM/MS 888/2021, Anexo 9). NÃO VERIFIQUEI alterações posteriores.
- Brasil, alimentos: NÃO VERIFIQUEI limite de resíduo de DDT em alimentos.
- Estados Unidos: uso proibido em 1972 (ATSDR).
- Mundo: uso restrito ao controle de vetores pela Convenção de Estocolmo; IARC Grupo 2A desde 2015.
- WADA: não se aplica.
この調査が行わなかったこと
- Li resumos, não os artigos inteiros, salvo o capítulo 1 do perfil toxicológico da ATSDR e o comunicado da IARC de 2015, que li nos documentos oficiais.
- Não localizei a contagem de 4 mil para 400 jacarés, a fonte do "95% pela dieta" e a "reportagem independente" sobre ataques ao pesquisador.
- Não confirmei em documento oficial o ano e a empresa do derramamento no Lago Apopka; a fonte é a reportagem da PBS.
- Não verifiquei limites de resíduo de DDT em alimentos no Brasil, a história das restrições agrícolas anteriores a 2009 e alterações da Portaria 888/2021.
- Não avaliei o protocolo de tração e suplementos citado no fim dos vídeos (ver a página tracao-peniana-e-vacuo).
- Não avaliei outros organoclorados (PCB, clordano, HCH) além do necessário para ler os estudos.
参考文献
- Guillette LJ Jr, Pickford DB, Crain DA, et al. Reduction in penis size and plasma testosterone concentrations in juvenile alligators living in a contaminated environment. Gen Comp Endocrinol. 1996;101(1):32-42. PMID 8713642 — pênis 24% menor e testosterona 70% mais baixa.
- Guillette LJ Jr, Gross TS, Masson GR, et al. Developmental abnormalities of the gonad and abnormal sex hormone concentrations in juvenile alligators from contaminated and control lakes in Florida. Environ Health Perspect. 1994;102(8):680-8. PMID 7895709 — derramamento de dicofol e DDT; ovários anormais.
- Guillette LJ Jr, Woodward AR, Crain DA, et al. Plasma steroid concentrations and male phallus size in juvenile alligators from seven Florida lakes. Gen Comp Endocrinol. 1999;116(3):356-72. PMID 10603274 — padrão também em outros lagos.
- Semenza JC, Tolbert PE, Rubin CH, et al. Reproductive toxins and alligator abnormalities at Lake Apopka, Florida. Environ Health Perspect. 1997;105(10):1030-2. PMID 9349835 — queda da população entre 1980 e 1987; outros tóxicos possíveis.
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- Bornman M, Delport R, Farías P, et al. Alterations in male reproductive hormones in relation to environmental DDT exposure. Environ Int. 2018;113:281-289. PMID 29373146 — testosterona mais alta com DDE.
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- Giwercman AH, Rignell-Hydbom A, Toft G, et al. Reproductive hormone levels in men exposed to persistent organohalogen pollutants: a study of inuit and three European cohorts. Environ Health Perspect. 2006;114(9):1348-53. PMID 16966087 — DDE e FSH.
- Ferguson KK, Hauser R, Altshul L, Meeker JD. Serum concentrations of p, p'-DDE, HCB, PCBs and reproductive hormones among men of reproductive age. Reprod Toxicol. 2012;34(3):429-35. PMID 22564984 — relação mínima em exposição de população geral.
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- Bonde JP, Flachs EM, Rimborg S, et al. The epidemiologic evidence linking prenatal and postnatal exposure to endocrine disrupting chemicals with male reproductive disorders: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2016;23(1):104-125. PMID 27655588 — p,p'-DDE 1,35 na exposição precoce.
- McGlynn KA, Quraishi SM, Graubard BI, et al. Persistent organochlorine pesticides and risk of testicular germ cell tumors. J Natl Cancer Inst. 2008;100(9):663-71. PMID 18445826 — DDE e câncer de testículo.
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- Hernández-Mariano JÁ, Baltazar-Reyes MC, Salazar-Martínez E, Cupul-Uicab LA. Exposure to the pesticide DDT and risk of diabetes and hypertension: Systematic review and meta-analysis of prospective studies. Int J Hyg Environ Health. 2022;239:113865. PMID 34700204 — DDE e diabetes tipo 2.
- Evangelou E, Ntritsos G, Chondrogiorgi M, et al. Exposure to pesticides and diabetes: A systematic review and meta-analysis. Environ Int. 2016;91:60-8. PMID 26909814 — risco maior de diabetes com DDE e DDT, entre outros.
- Cano-Sancho G, Salmon AG, La Merrill MA. Association between Exposure to p,p'-DDT and Its Metabolite p,p'-DDE with Obesity: Integrated Systematic Review and Meta-Analysis. Environ Health Perspect. 2017;125(9):096002. PMID 28934091 — DDT e DDE "presumidamente" obesogênicos.
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- Van Overmeire I, Pussemier L, Hanot V, et al. Chemical contamination of free-range eggs from Belgium. Food Addit Contam. 2006;23(11):1109-22. PMID 17071513 — ovos de criador particular mais contaminados.
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- Azevedo LS, Pestana IA, Nascimento L, et al. Risk of exposure to Hg and pesticides residues in a traditional fishing community in the Amazon: a probabilistic approach based on dietary pattern. Environ Sci Pollut Res Int. 2022;29(23):34164-34173. PMID 35034314 — peixe detritívoro como maior fonte.
- Jandacek RJ, Heubi JE, Buckley DD, et al. Reduction of the body burden of PCBs and DDE by dietary intervention in a randomized trial. J Nutr Biochem. 2014;25(4):483-8. PMID 24629911 — olestra e eliminação de PCB.
- Arguin H, Sánchez M, Bray GA, et al. Impact of adopting a vegan diet or an olestra supplementation on plasma organochlorine concentrations: results from two pilot studies. Br J Nutr. 2010;103(10):1433-41. PMID 20030906 — emagrecer subiu os organoclorados no sangue.
- Agency for Toxic Substances and Disease Registry. Toxicological Profile for DDT, DDE, and DDD, capítulo 1 — inseticida, proibido nos EUA em 1972, via principal pela comida, eliminação lenta, associações consistentes.
- IARC, comunicado de imprensa nº 236, 23 de junho de 2015 — DDT no Grupo 2A; exposição principalmente pela dieta; sem associação geral com câncer de mama.
- PBS Frontline, galeria sobre os jacarés do Lago Apopka — o ano de 1980, a empresa e os 90% (fonte jornalística).
- Lei nº 11.936, de 14 de maio de 2009, no Planalto — proibição do DDT no Brasil.
- Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021, na Biblioteca Virtual em Saúde — DDT + DDD + DDE até 1 µg/L na água potável.
- Registros consultados no ClinicalTrials.gov: NCT02530814 (moradores perto do Lago Apopka), NCT00878098 (DDT e perda de gestação), NCT03582722 (orlistate e PBB).
- PubMedのE-utilities(esearch) — このページのすべての論文件数の基礎。
- API pública do ClinicalTrials.gov, versão 2 — a base de todas as contagens de estudo desta página.