Extrato de casca de pinheiro-marítimo (procianidinas)
O "+230% de óxido nítrico" não aparece em nenhum estudo que localizei, e o 92,5% vem de um estudo de 2003 sem grupo controle e com arginina junto.

Experimental material. Read before using anything from here.
Nothing on this page is a medical recommendation, prescription or treatment plan. It is an organized translation of protocols circulating in research communities and, where it exists, of what published trials tested. The two are marked differently — and they are not equivalent.
Most of the compounds here have no FDA approval for human use. Several are sold labeled "research use only", which means they have not gone through purity, sterility or dosage controls for human consumption. A community-reported dose is not a validated dose: it is what someone reported having done.
Talk to a licensed health professional before considering any of these compounds. If you already use one and feel anything unexpected, seek care — do not wait for the next routine test.
Summary
O extrato padronizado da casca do pinheiro-marítimo francês é rico em procianidinas. Em laboratório e num ensaio com 16 homens, ele aumentou a dilatação dos vasos por um caminho que depende do óxido nítrico. Em disfunção erétil, quase todos os estudos usaram o extrato junto com arginina, e a revisão Cochrane de 2020 classifica a evidência como de certeza muito baixa. O 92,5% citado nos vídeos é de um estudo de 40 homens, sem controle, com arginina nos três meses. O "+230%" e a meta-análise com "cinco ensaios" não batem com as fontes. No Brasil, há dois fitoterápicos registrados, para varizes.
Why this page exists
O extrato de casca de pinheiro-marítimo aparece descrito em vídeos curtos sobre saúde masculina que vi publicados na internet, como um "Viagra natural" que teria sido "enterrado". A promessa central é de "+230% de óxido nítrico", atribuída a um "estudo duplo-cego" ou ao Journal of Physiology. Em volta dela, circulam o 92,5% de homens com a ereção "recuperada" em três meses, uma meta-análise de 2023 com "cinco ensaios", uma parceria com uma raiz tailandesa que "dobraria" o óxido nítrico e uma queda de 58% do óxido nítrico entre os 20 e os 50 anos. Em dois vídeos, o nome dito é "espinheiro-marítimo", mas com procianidinas e o mesmo 230%. Tratei como o mesmo extrato; NÃO VERIFIQUEI a qual planta a fala se refere.
Eu conferi. Levantei as alegações de 9 vídeos curtos, separei as 22 que são verificáveis e procurei cada estudo citado e cada número. Nenhum número desta página veio da fonte secundária do site.
O extrato vem da casca do Pinus pinaster. Segundo a revisão de Rohdewald (2002), ele é composto principalmente de procianidinas, que são cadeias de catequina e epicatequina, e de ácidos fenólicos. As procianidinas são absorvidas devagar e viram valerolactonas no corpo. Há um extrato padronizado de marca registrada, que aparece nos títulos de vários estudos citados abaixo; esta página não repete a marca no texto. Uma revisão de 2024 que reúne 39 ensaios duplo-cegos com 2.009 pessoas é assinada por um funcionário do fabricante, o que conta como conflito de interesse declarado.
Este site trata de assunto vizinho também em Butea superba (kwao krua vermelho).
O mecanismo existe, e foi medido em gente, mas não é o de um remédio para ereção
A parte do óxido nítrico tem base. Fitzpatrick e colegas (1998) mostraram, em anéis de aorta de rato, que o extrato relaxa a artéria só quando o endotélio está intacto. O efeito some com um inibidor da enzima do óxido nítrico e volta quando se acrescenta arginina. A fração de procianidinas oligoméricas foi a mais ativa.
Em gente, o dado mais limpo é de Nishioka e colegas (2007). Dezesseis homens jovens e saudáveis tomaram 180 mg por dia do extrato ou placebo, por duas semanas. Com o extrato, a resposta do fluxo do antebraço à acetilcolina subiu de 13,1 para 18,5 mL/min por 100 mL de tecido (p < 0,05). O placebo não mudou nada, e a pressão também não. Um inibidor da enzima do óxido nítrico apagou o ganho. Em 23 pacientes com doença coronariana, 200 mg por dia por 8 semanas melhoraram a dilatação da artéria do braço de 5,3% para 7,0% (Enseleit 2012). A pressão de 24 horas não mudou.
O que não se sustenta é a comparação com remédio. O extrato age sobre a produção de óxido nítrico no endotélio. Sildenafila e tadalafila são inibidores da fosfodiesterase tipo 5, uma enzima que fica depois dessa etapa. Nenhum estudo que localizei comparou o extrato diretamente com um desses remédios em disfunção erétil.
How much evidence really exists
Os números abaixo foram levantados por mim em 16 de outubro de 2026, no PubMed e no ClinicalTrials.gov. A consulta de cada linha está ao lado do número, para qualquer pessoa repetir e me contradizer.
| Evidence base | Query | Result |
|---|---|---|
| PubMed | pycnogenol | 585 artigos |
| PubMed | pycnogenol OR "pine bark extract" OR "Pinus pinaster" | 1.298 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark extract") AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 94 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (erectile dysfunction OR erection OR erectile) | 20 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (erectile dysfunction OR erection OR erectile) AND (Randomized Controlled Trial[Publication Type] OR Meta-Analysis[Publication Type]) | 8 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (nitric oxide) | 41 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (endothelial function OR endothelium OR flow-mediated) | 44 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (Meta-Analysis[Publication Type] OR Systematic Review[Publication Type]) | 33 artigos |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (citrulline) | 4 papers |
| PubMed | (citrulline) AND (pycnogenol OR pine bark) AND (ginseng) | 0 articles |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (Butea) | 0 articles |
| PubMed | (pycnogenol OR "pine bark") AND (sperm OR semen OR fertility) | 19 artigos |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: pycnogenol OR pine bark extract | 67 estudos registrados |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: (pycnogenol OR pine bark extract) AND AREA[Phase]PHASE3 | 3 ensaios de fase 3 |
| ClinicalTrials.gov | intervenção: (pycnogenol OR pine bark extract) AND AREA[Condition]erectile dysfunction | 0 estudos registrados |
An honest reading of these numbers
- Nenhum ensaio registrado de disfunção erétil. A busca combinada no ClinicalTrials.gov devolve zero. Os estudos de ereção publicados não aparecem como registro.
- Dos 3 registros de fase 3, só 2 são do extrato. Um é de déficit de atenção, outro de condição pós-COVID. O terceiro é um creme vaginal de estradiol que a busca pegou por engano.
- Os 8 artigos de ereção marcados como ensaio ou meta-análise giram em torno de misturas. Quatro são revisões ou meta-análises, uma delas sobre arginina. Dos quatro ensaios, três testam o extrato misturado com arginina, e dois vêm do mesmo grupo de Sófia, na Bulgária.
- Pinheiro com Butea: zero artigos. Pinheiro com citrulina e ginseng: zero. As combinações que circulam não foram testadas.
- Vários ensaios do extrato saem de um mesmo grupo italiano, de Chieti-Pescara, com Belcaro entre os autores. Nas buscas desta página, ele aparece em estudos de ereção, próstata, trombose em voos longos e aterosclerose. Não é prova de erro, mas é motivo para não somar esses estudos como se fossem independentes.
- Contagem de artigo mede atenção acadêmica, não evidência de desfecho.
The studies behind the claims
Segundo o PubMed, estes são os trabalhos clínicos concretos por trás do que se diz sobre o extrato de pinheiro-marítimo. Leia o que cada um mediu, e em quantas pessoas.
| Study | N | Context | What it reported | Caveat |
|---|---|---|---|---|
| Robertson et al., 2020 (Cochrane) Cochrane Database Syst Rev 9(9):CD008294 · PMID 32990945 | 1.641 (27 ECRs); 277 em disfunção erétil (3 estudos) | Extrato de casca de pinheiro em 10 doenças crônicas | Em disfunção erétil, "não sabemos" se o extrato melhora o IIEF-5; resultados não agrupados (2 estudos, 147 pessoas) | Certeza "muito baixa" pelo método GRADE, como declarada; nenhuma conclusão definitiva possível, segundo os autores |
| Tian et al., 2023 (meta-análise) Front Endocrinol 14:1211720 · PMID 37908749 | 184 (3 estudos) | Extrato + arginina em disfunção leve a moderada | Melhora nos domínios do IIEF; testosterona sem diferença | É a revista de 2023 citada nos vídeos: 3 estudos, não 5; sem Butea; sem 92,5% no resumo |
| Stanislavov e Nikolova, 2003 J Sex Marital Ther 29(3):207-13 · PMID 12851125 | 40 | Homens de 25 a 45 anos sem disfunção orgânica confirmada; arginina 1,7 g/dia por 3 meses; extrato 80 mg/dia no 2º mês e 120 mg/dia no 3º | Ereção normal em 5% após o 1º mês (só arginina, sem significância), 80% após o 2º, 92,5% após o 3º | Sem grupo controle; aberto; arginina o tempo todo |
| Stanislavov et al., 2008 Int J Impot Res 20(2):173-80 · PMID 17703218 | 50 | Disfunção leve a moderada; aspartato de arginina + extrato ou placebo, 1 mês, cruzado, duplo-cego | "Restaurou a função erétil ao normal"; frequência de relações dobrou | Resumo sem o 92,5%; mesmo grupo de 2003 |
| Stanislavov e Rohdewald, 2015 Minerva Urol Nefrol 67(1):27-32 · PMID 25664962 | 50 | Disfunção moderada; extrato + roburinas + arginina + citrulina, 1 mês, cruzado | "Restaurou a função erétil ao normal" | Resumo sem números; quatro ativos misturados |
| Ledda et al., 2010 BJU Int 106(7):1030-3 · PMID 20184576 | 124 | Homens de 30 a 50 anos com disfunção moderada; fórmula comercial de extrato + aspartato de arginina, 6 meses | Domínio erétil do IIEF de 15,2 para 25,2 em 3 meses e 27,1 em 6; placebo de 15,1 para 19,0 (P < 0,05) | Mistura com arginina; grupo com muitos estudos do mesmo produto |
| Aoki et al., 2012 Phytother Res 26(2):204-7 · PMID 21618639 | não informado no resumo | Japoneses com disfunção leve a moderada; extrato 60 mg/dia + arginina 690 mg/dia + ácido aspártico 552 mg/dia, 8 semanas | IIEF-5 total melhorou; sem efeito adverso | Mistura; o PubMed não o marca como randomizado |
| Trebaticky et al., 2019 Bratisl Lek Listy 120(12):941-944 · PMID 31855055 | 53 | Disfunção erétil com diabetes (32) e sem (21); extrato ou placebo por 3 meses | IIEF-5 melhorou 45% nos diabéticos e 22% nos não diabéticos | É o estudo do extrato sozinho; dose não informada no resumo |
| Nishioka et al., 2007 Hypertens Res 30(9):775-80 · PMID 18037769 | 16 | Homens jovens saudáveis; 180 mg/dia ou placebo, 2 semanas | Resposta à acetilcolina de 13,1 para 18,5 mL/min/100 mL (p < 0,05); efeito abolido por inibidor da enzima do óxido nítrico | Mede antebraço, não pênis |
| Enseleit et al., 2012 Eur Heart J 33(13):1589-97 · PMID 22240497 | 23 | Doença coronariana estável; 200 mg/dia, 8 semanas, cruzado | Dilatação da artéria do braço de 5,3% para 7,0% (P < 0,0001); pressão e inflamação sem mudança | Desfecho intermediário |
| Fogacci et al., 2020 (meta-análise) Angiology 71(3):217-225 · PMID 31763928 | 626 (7 ECRs) | Pressão arterial | Nenhum efeito significativo na sistólica nem na diastólica | Só ensaios duplo-cegos |
| Malekahmadi et al., 2019 (meta-análise) Pharmacol Res 150:104472 · PMID 31585179 | 1.594 (24 ECRs) | Saúde cardiometabólica | Sistólica −2,54 mmHg; diastólica −1,76 mmHg; LDL −7,12 mg/dL; glicose −5,86 mg/dL | Contradiz a de 2020 na pressão |
| Mohammadi et al., 2025 (meta-análise) BMC Complement Med Ther 25(1):71 · PMID 39987124 | 1.685 (27 ECRs) | Risco cardiometabólico | Sistólica −2,26 mmHg; diastólica −2,62 mmHg; LDL −5,07 mg/dL; peso −1,37 kg | Os autores pedem ensaios maiores e mais longos |
| Hadi et al., 2019 (meta-análise) Phytother Res 33(2):276-287 · PMID 30456865 | 1.065 (14 ensaios) | Lipídios | HDL +3,27 mg/dL; LDL, colesterol total e triglicerídeos sem mudança | Ajuste de confusão fraco, segundo os autores |
| Roseff, 2002 J Reprod Med 47(10):821-4 · PMID 12418064 | 19 | Homens subférteis; 200 mg/dia por 90 dias | Morfologia após capacitação +38%; ligação a receptor de manose +19% | Não randomizado, sem controle, clínica privada |
| Stanislavov et al., 2009 Phytother Res 23(3):297-302 · PMID 19142978 | 50 | Inférteis; aspartato de arginina + extrato ou placebo, 1 mês, cruzado | Volume, concentração, motilidade e morfologia melhores; voltaram ao basal depois | Mistura com arginina; mesmo grupo |
| Aldret e Bellar, 2020 J Diet Suppl 17(3):309-320 · PMID 30887868 | 20 | Homens jovens; 800 mg/dia por 14 dias, teste de VO2 pico; cruzado, duplo-cego | Menos estresse oxidativo após o exercício (p = 0,045) | O resumo não relata ganho de desempenho |
| Ledda et al., 2018 Minerva Med 109(4):280-284 · PMID 29947491 | 75 | Sintomas iniciais de hiperplasia prostática; 150 mg/dia por 60 dias, três grupos | Sintomas urinários melhoraram com o extrato (P < 0,05) | O PubMed não o marca como randomizado |
| Golański et al., 2006 Postepy Hig Med Dosw 60:316-21 · PMID 16819430 | sangue de 38 voluntários | Teste de laboratório com extrato e aspirina | O extrato dissolvido em etanol inibiu plaquetas e aprofundou o efeito da aspirina | In vitro |
Doses used in published human studies
This is not a dose recommendation: it is a record of what was administered in published studies, with the purpose of each. Outside the study context, these numbers do not transfer.
| Study | Dose | Duration | Purpose of the study |
|---|---|---|---|
| Stanislavov e Nikolova, 2003 | 40 mg 2×/dia no 2º mês e 40 mg 3×/dia no 3º, com arginina 1,7 g/dia | 3 meses | Ereção |
| Aoki et al., 2012 | 60 mg/dia, com arginina 690 mg/dia e ácido aspártico 552 mg/dia | 8 weeks | Ereção |
| Nishioka et al., 2007 | 180 mg/dia | 2 weeks | Dilatação dependente do endotélio |
| Enseleit et al., 2012 | 200 mg/dia | 8 weeks | Função endotelial na doença coronariana |
| Roseff, 2002 | 200 mg/dia | 90 dias | Qualidade do sêmen |
| Ledda et al., 2018 | 150 mg/dia | 60 dias | Sintomas prostáticos |
| Aldret e Bellar, 2020 | 800 mg/dia | 14 dias + 2 | Exercício e estresse oxidativo |
| Robertson et al., 2020 (faixa de duração dos ensaios) | Variável | 4 semanas a 6 meses | Doenças crônicas diversas |
Nenhum vídeo informa dose. No Brasil, o limite de suplemento é dado em procianidinas, não em miligramas de extrato: de 32,5 a 262,5 mg por dia para adultos. NÃO VERIFIQUEI o teor de procianidinas do extrato padronizado, então não converto uma coisa na outra.
Das 22 alegações conferidas, só uma se confirma inteira, e é a do mecanismo
Cada linha é uma alegação como ela circula, sem o nome de quem a fez. O veredito usa seis rótulos: confirmado, parcialmente, não sustentado, sem estudo em humanos, estudo em animal ou in vitro e número não encontrado na fonte citada.
| O que se diz | O que os estudos mostram | Verdict |
|---|---|---|
| +230% de óxido nítrico (ou de "biodisponibilidade"), num "estudo duplo-cego" ou no Journal of Physiology | A busca do extrato no Journal of Physiology devolve 0 artigos; não localizei esse número. O ensaio humano de função endotelial relata 13,1 → 18,5 mL/min/100 mL (Nishioka 2007) | Número não encontrado na fonte citada |
| "Supera" a eficácia do Viagra e da tadalafila | Nenhum ensaio comparou o extrato com esses remédios; a Cochrane classifica a evidência em ereção como de certeza muito baixa | Não sustentado |
| Ativa a enzima que fabrica óxido nítrico (eNOS) | Relaxamento dependente do endotélio em aorta de rato, revertido por inibidor da enzima (Fitzpatrick 1998); em 16 homens, ganho de dilatação abolido pelo mesmo inibidor (Nishioka 2007) | Confirmado (bancada e um ensaio pequeno) |
| É "a mesma enzima que o sildenafil imita sinteticamente" | Sildenafila e tadalafila inibem a fosfodiesterase tipo 5 (descrição das meta-análises de Xu 2021 e Barbonetti 2024), não imitam a enzima do óxido nítrico | Não sustentado |
| O extrato "trata a artéria"; o remédio "só inibe uma enzima" | Dilatação da artéria melhorou em doença coronariana (Enseleit 2012) e em jovens (Nishioka 2007); não há estudo de desfecho mostrando "conserto" da artéria do pênis | Parcialmente |
| Com citrulina, é um "Viagra natural"; a sinergia "foi documentada" | 4 artigos juntam extrato e citrulina; o único ensaio de ereção mistura quatro ativos e não publica números no resumo (Stanislavov 2015) | Não sustentado |
| Stanislavov e Nikolova, 2003: 40 homens "com o motor apagado", 80% normais em 30 dias, 92,5% no 3º mês | Os números existem, mas os homens não tinham disfunção orgânica confirmada; havia arginina nos 3 meses; sem grupo controle. O 80% é o fim do 2º mês, o primeiro com extrato | Parcialmente |
| 5% no 1º mês "só com citrulina", 80% no 2º, 92,5% no 3º | O 1º mês foi só com arginina; o estudo não tem citrulina | Não sustentado |
| "Teve versão com ninguém sabendo o que era o quê. Mesmo resultado" | O ensaio cego de 2008 (50 homens, 1 mês, extrato + arginina) diz que a função voltou "ao normal", sem o 92,5% no resumo; mesmo grupo de autores | Parcialmente |
| Frontiers in Endocrinology, 2023: "cinco ensaios", 92,5% de recuperação em três meses, com Butea | A meta-análise dessa revista em 2023 tem 3 estudos e 184 pacientes, testa extrato + arginina, não Butea, e não traz 92,5% no resumo (Tian 2023) | Número não encontrado na fonte citada |
| Universidade de Bonn, 2003: Butea com o extrato "dobra a produção de óxido nítrico" | PubMed: 0 artigos que juntem o extrato e Butea | Número não encontrado na fonte citada |
| A ADMA bloqueia a enzima da ereção, e as duas plantas a atacam "por lados opostos" | A ADMA é, de fato, um inibidor natural da enzima do óxido nítrico (Bode-Böger 2007); não localizei estudo mostrando que o extrato ou a Butea baixem a ADMA | Parcialmente |
| O óxido nítrico "despenca 58%" entre 20 e 50 anos (Journal of Urology, Universidade de Boston, 2001, 476 homens); "Harvard confirmou" | Não localizei esse estudo nem esse número no PubMed nem na web | Número não encontrado na fonte citada |
| "Nos casos mais graves, 87% tinham as artérias entupidas" | Nenhuma fonte citada e nenhuma localizada | Não sustentado |
| Citrulina + extrato + ginseng vermelho "revertem a obstrução em 21 dias", com +230% | PubMed: 0 artigos com os três juntos | Não sustentado |
| Ereção "mais prolongada" e "impressão de maior circunferência" | Os estudos usaram questionário (IIEF) e diário; nenhum mediu duração ou circunferência | Não sustentado |
| "Sem os efeitos colaterais de medicamentos sintéticos" | Ensaios curtos relatam poucos efeitos e leves (Rohdewald 2002; Aoki 2012), mas a Cochrane registra que a maioria não informou eventos graves; inibe plaquetas em laboratório (Golański 2006) | Parcialmente |
| Ajuda a manter a pressão em níveis saudáveis | Meta-análises discordam: sem efeito em 7 ensaios duplo-cegos (Fogacci 2020); −2,54/−1,76 mmHg (Malekahmadi 2019); −2,26/−2,62 mmHg (Mohammadi 2025) | Parcialmente |
| Reduz o LDL | LDL sem mudança em 14 ensaios (Hadi 2019); −7,12 mg/dL (Malekahmadi 2019) e −5,07 mg/dL (Mohammadi 2025) | Parcialmente |
| Melhora morfologia e motilidade dos espermatozoides | Morfologia melhor em 19 homens sem controle (Roseff 2002); com arginina, sêmen melhor em 50 inférteis, de volta ao basal ao parar (Stanislavov 2009) | Parcialmente |
| Mais resistência, menos fadiga, dores e cãibras no treino | No ensaio duplo-cego que localizei (20 homens, 800 mg/dia), o resumo relata só menos estresse oxidativo, sem ganho de desempenho (Aldret 2020) | Não sustentado |
| Protege a próstata | Sintomas urinários melhoraram em 75 homens com 150 mg/dia, estudo não marcado como randomizado (Ledda 2018) | Parcialmente |
Placar: 1 confirmada, 9 parcialmente, 8 não sustentadas e 4 com número não encontrado na fonte citada.
O efeito do extrato sozinho, em ereção, é quase inexplorado
Dos estudos de ereção que li, um só testou o extrato sem arginina (Trebaticky 2019, 53 homens, 3 meses). Os outros juntam arginina, aspartato, roburinas ou citrulina. Isso importa porque a arginina sozinha tem efeito próprio em disfunção leve a moderada, segundo a meta-análise de Rhim e colegas (2019), com 10 ensaios. Atribuir ao extrato o resultado da mistura é contar duas vezes.
A síntese mais recente que encontrei é a da associação francesa de urologia, publicada em 2026 (Lebâcle e colegas). Ela classifica os sinais do ginseng, da arginina e do extrato de pinheiro como "modestos" e de "baixa certeza", e conclui que as fitoterapias não devem ser recomendadas de rotina para disfunção erétil.
Segurança, efeitos adversos e quem não deve usar sem médico
- Os ensaios curtos relatam poucos efeitos. Segundo a revisão de Rohdewald (2002), a toxicidade aguda e crônica é baixa, com efeitos indesejados leves numa pequena porcentagem. Aoki (2012) e Stanislavov (2008 e 2009) não relataram efeito adverso.
- Mas a segurança foi pouco medida. A revisão Cochrane de 2020 registra que, na maioria das comparações, os estudos não informaram internações nem eventos adversos graves.
- Plaquetas. Em teste de laboratório com sangue de 38 voluntários, o extrato dissolvido em etanol inibiu a agregação de plaquetas e aprofundou o efeito da aspirina (Golański 2006). Quem usa anticoagulante, antiagregante ou vai operar pode somar efeito: isso é inferência minha a partir de um estudo in vitro.
- Glicose. As meta-análises acharam queda da glicemia de jejum de 5,86 e 6,25 mg/dL. Quem usa remédio para diabetes pode somar efeito: inferência minha.
- Interações formais: NÃO VERIFIQUEI bases de interação medicamentosa nem a bula dos fitoterápicos registrados no Brasil.
- Quem não deve usar como suplemento, pela regra brasileira: gestantes, lactantes e crianças. O uso é "não autorizado" para menores de 19 anos, gestantes e lactantes, e o rótulo tem de trazer a advertência.
Regulatory status
- Brasil, suplemento alimentar: as procianidinas, com fonte autorizada "extrato de pinho marítimo (Pinus pinaster Aiton)", entraram no Anexo I da IN 28/2018 pela IN 102, de 15 de outubro de 2021. Na versão consolidada até a IN 470, de 16 de setembro de 2026, o mínimo é 32,5 mg e o máximo 262,5 mg por dia, para maiores de 19 anos (Anexos III e IV). Para as demais faixas, gestantes e lactantes, o uso é "NA", isto é, não pode ser indicado. Pelo Anexo VI, suplemento com proantocianidinas tem de trazer: "Este produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes e crianças". NÃO VERIFIQUEI se a entrada "procianidinas" é alcançada por essa linha do Anexo VI ou só por outra regra; a advertência vale para "proantocianidinas" e "compostos fenólicos".
- Brasil, alegação de rótulo: o Anexo V não tem alegação autorizada para procianidinas. Pela RDC 243/2018 (arts. 16 e 17), o rótulo não pode prometer ereção nem sugerir finalidade terapêutica.
- Brasil, medicamento: há dois fitoterápicos de Pinus pinaster com registro ativo, na classe "antivaricosos de ação sistêmica" (tabela abaixo). Nenhum para disfunção erétil.
- Estados Unidos e União Europeia: NÃO VERIFIQUEI a situação do extrato.
- WADA: o extrato e as procianidinas não aparecem na Lista Proibida de 2026, em vigor desde 1º de janeiro de 2026.
| Active ingredient | Search pattern | Active registrations | Declared therapeutic class | Products |
|---|---|---|---|---|
| Pinus pinaster | pinaster | 2 | Antivaricosos de ação sistêmica | Dois fitoterápicos de casca de pinheiro-marítimo |
| outras espécies de pinheiro, procianidinas ou o nome do extrato | pinus|pinheiro|picnogenol|pycnogenol|procianid (fora de pinaster) | 1 | Medicamentos dinamizados compostos | Um homeopático com Pinus sylvestris entre muitos ativos |
Registro de fitoterápico para varizes não transforma a cápsula vendida para ereção em tratamento aprovado.
What this survey did not do
- Li resumos, não os artigos inteiros. Os números da tabela de estudos são os que os resumos publicam.
- Não localizei o "+230%", o estudo de Bonn de 2003 com Butea, o estudo de Boston de 2001 com 476 homens e a fonte dos "87%". Podem existir fora do PubMed; não os achei.
- Não conferi a qual planta se refere o "espinheiro-marítimo" dito em dois vídeos.
- Não conferi o teor de procianidinas do extrato padronizado, a bula dos dois fitoterápicos brasileiros, nem a situação do extrato nos Estados Unidos e na União Europeia.
- Não avaliei interações em base de interações medicamentosas.
- Não avaliei a Butea superba, o ginseng vermelho, a citrulina e a arginina como protocolos próprios, salvo nas combinações acima. Arginina e citrulina têm páginas próprias.
References
- Robertson NU, Schoonees A, Brand A, et al. Pine bark (Pinus spp.) extract for treating chronic disorders. Cochrane Database Syst Rev. 2020;9(9):CD008294. PMID 32990945 — certeza muito baixa em disfunção erétil; segurança pouco relatada.
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